Agricultura inteligente promove integração entre lavoura, florestas e agropecuária

Principal fonte de emissão de gases do efeito estufa (GEE) no país, a cadeia da agropecuária tem pela frente o desafio de conciliar os impactos da mudança do clima com o aumento da produção e oferta de alimentos. Nesse contexto, que a princípio soa desanimador, novas iniciativas buscam aumentar em 50% a disponibilidade de alimentos, reduzindo em 50% as emissões de GEE.

Coordenada pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), a Inteligência Agroclimática (IAC) promove uma adaptação das culturas frente às mudanças climáticas e reduzir as emissões de GEE, ao mesmo tempo em que desenvolve uma resiliência do agricultor no uso do solo. No final de setembro, o assessor técnico do CEBDS, Felipe Cunha, esteve no Norte do país, junto a representantes da Bayer, Embrapa e técnicos do setor para acompanhar uma fazenda modelo que já aplica princípios de IAC.

Localizada próximo a cidade de Pedro Afonso, no Tocantins, na região do Cerrado brasileiro conhecida como Matopiba, a Fazenda Tupã será um modelo de implementação de uma agricultura de baixo carbono, privilegiando a integração lavoura, pecuária e floresta (ILPF). Na prática, significa, em um mesmo espaço, integrar as atividades de lavoura, com rodízio de culturas e técnicas de conservação do solo; pecuária, com manejo integrado do pasto com outras culturas, como leguminosas; e florestal, com a criação de corredores ecológicos e agricultura sintrópica, que conserva a mata natural associando-a à plantação de culturas comerciais. Todo o processo, além dos benefícios produtivos, reduz significativamente as emissões de GEE.

“São benefícios ecológicos com uma eficiência ecossistêmica e conservação do solo no mais alto nível, sem solo exposto a erosão, e com desenvolvimento da fauna. Todo esse processo gera um equilíbrio de forma a reduzir ou extinguir a necessidade de pesticida ou fertilizante, por exemplo”, explica Cunha.

O benefício final é o estabelecimento de áreas altamente produtivas, que viabilizam não somente o aproveitamento econômico dos frutos nativos, como também a oferta de serviços ecossistêmicos relevantes, como a formação de solo, a regulação do microclima, preservação da fauna e flora locais e favorecimento do ciclo da água.

A visita de campo, faz parte do projeto de implementação de técnicas de IAC no Brasil. O conceito é uma reprodução da Climate Smart Agriculture (CSA) já utilizada no exterior com coordenação do World Business Council for Sustainable Development (WBCSD). No Brasil, o tema é coordenado pelo CEBDS com quatro áreas de atuação: conservação, monitoramento, resiliência e finanças.

Dentro dessas áreas de ação, o CEBDS, com apoio de empresas como a Bayer, e de agricultores, que contribuirão para a construção de um arcabouço técnico-conceitual e de exemplos pilotos de implementação do IAC, com o uso maciço de tecnologia. O projeto também conta com a parceria do Climate Smart Group, Conservação Internacional, Embrapa, entre outros.

“Uma das principais ações é dar visibilidade ao tema, mostrando aos agricultores que é possível desenvolver uma agricultura de baixo carbono sem comprometer a produtividade. O que temos visto é um ganho para os agricultores, pois o modelo de agricultura sintrópica alinhado à ILPF permite que os campos estejam sempre produtivos, com diferentes culturas”, explica Cunha.

O projeto também prevê estudos de modelos de financiamento que facilitem a transição para a economia de baixo carbono, além de um aplicativo interativo para smartphone com orientações para implementação de técnicas de IAC e monitoramento das fazendas com contribuições dos próprios agricultores.

Em outra frente, o projeto prevê um intercâmbio com o Programa de Melhoria Alimentar para Sustentabilidade e Saúde (FReSH, na sigla em inglês), do EAT Foundation e WBCSD, que visa acelerar a transformação na cadeia global de alimentos, a fim de proporcionar dietas saudáveis e agradáveis para todos. No escopo do intercâmbio, redução de perdas e desperdícios na cadeia agropecuária. Atualmente, 60% dos alimentos no mundo são perdidos depois da colheita.

COMPARTILHAR