O objetivo da startup Glowee é utilizar esse método – que não consome eletricidade – para iluminar vitrines de lojas, fachadas de prédios, monumentos e outros espaços públicos, além de mobiliário urbano, como pontos de ônibus e placas de sinalização.

“A ideia surgiu após assistirmos a um documentário sobre os peixes das profundezas marinhas que produzem sua própria luz”, disse Sandra Rey, cofundadora da Glowee. Na época, ela era estudante de design.

A empresa utiliza a bioluminescência (emissão de luz por seres vivos, resultante de uma reação química provocada por um gene) para produzir iluminação.

As bactérias (não patogênicas nem tóxicas) que recebem o gene de luminescência de lulas são cultivadas em uma solução com nutrientes e açúcar para se multiplicar.

Os microrganismos vivos e geneticamente modificados são depois colocados em uma espécie de “lâmpada”: invólucros de resina orgânica que podem ter várias formas e também são adesivos, o que permite fixá-los à superfície que será iluminada.

90 dos organismos marinhos, algas, águas-vivas, lulas, peixe ou camarão são, portanto, capaz de bioluminescência
90 dos organismos marinhos, algas, águas-vivas, lulas, peixe ou camarão são, portanto, capaz de bioluminescência

A luz obtida com esse método é mais fria e mais suave. “Não vamos substituir a iluminação pública de ruas porque nossa luz é fraca”, diz Rey.

Ela ressalta que o sistema da Glowee contribui, com sua luz de baixa intensidade, para diminuir a “poluição luminosa nas cidades”, além da vantagem ecológica de não utilizar energia elétrica, reduzindo as emissões de CO2.

Vitrines

No entanto, a vida útil do sistema de iluminação, por enquanto, é de apenas três horas, segundo Rey.

É por isso que até o momento a luz produzida pelas “bactérias luminosas” tem sido utilizada apenas em instalações e eventos efêmeros, como festas, por exemplo.

“Devemos atingir a duração de um mês de iluminação neste ano”, diz ela, que prevê obter prazos mais longos no futuro.

Segundo a Glowee, a iluminação começará a ser utilizada em vitrines de lojas na França a partir do início de 2017.

A Glowee, adaptou o fenômeno que ocorre naturalmente em diferentes tipos de algas, vaga-lumes e lulas para criar um método livre de energia elétrica, de baixa poluição de ...
A Glowee, adaptou o fenômeno que ocorre naturalmente em diferentes tipos de algas, vaga-lumes e lulas para criar um método livre de energia elétrica, de baixa poluição de …

Como a luz produzida não é elétrica, não desrespeitará a lei, em vigor na França desde 2013, que proíbe a iluminação de butiques e escritórios à noite.

O governo francês aplicou a medida para reduzir o consumo de energia e de emissões de gás carbônico. Há exceções, no entanto, em épocas de festas como o Natal e em áreas com forte atividade turística e cultural.

A próxima etapa da Glowee, a partir de 2018, serão as fachadas de prédios e mobiliário urbano.

Os clientes, prefeituras ou empresas, pagarão assinaturas para que a iluminação seja renovada cada vez que as bactérias deixarem, após um período, de emitir luz.

Rey afirma que também prevê exportar o sistema de iluminação. “Há países na Europa onde a eletricidade é mais cara do que na França. Também queremos equipar áreas remotas em países emergentes, onde há menos recursos”, diz a fundadora da Glowee.

A startup recebeu investimentos privados e subvenções públicas para desenvolver seus projetos e também ganhou um prêmio do polo francês de biotecnologia Genopole, um dos maiores da Europa.

A Glowee é um sistema vivo de iluminação orgânica – bio iluminação sem consumo de eletricidade ou de emissão de poluição luminosa, graças às propriedades naturais dos organismos vivos.

A iluminação deve começar a ser utilizada em vitrines de lojas na França a partir do início de 2017, por enquanto, a vida útil do sistema de iluminação é de apenas três horas
A iluminação deve começar a ser utilizada em vitrines de lojas na França a partir do início de 2017, por enquanto, a vida útil do sistema de iluminação é de apenas três horas

Bioluminescência  

A bioluminescência é uma reação química regulada por um gene, que permite que alguns organismos produzam luz. 90% dos organismos marinhos, algas, águas-vivas, lulas, peixe ou camarão são, portanto, capaz de bioluminescência.

A bioluminescência pode assumir diferentes cores com filtros fotocores. A luz assim produzida pode ser azul ou verde e vermelho, em casos raros (o caso do peixe-dragão). Estas diferenças de cor vêm a partir da diferença de comprimento de onda das emissões de fótons.

As emissões visíveis por seres humanos se estendem a cerca de 400 nm a 800 nm estabelecidas em um espectro do violeta ao vermelho. A luz emitida é na maior parte azul (435nm) como ele se espalha mais facilmente na água, como mostram os gráficos abaixo. Mas alguns animais aquáticos, por outro lado, emitir luz vermelha, tornando-os indistinguíveis.

Glowee, a luz do mar!

Emitindo muito poucos CO2 e poluição luminosa, não necessitando de energia elétrica. A luz que vem diretamente da natureza, no cruzamento da biomimética e biologia sintética, pronto para revolucionar a nossa maneira de produzir e consumir luz!

Biomimética ou biomimetismo (de bios , que significa vida, e mimesis , ou seja, imitar) é uma nova disciplina que estuda as melhores ideias da natureza para depois imitá-las

(*) Publicado originalmente na edição 57 da Revista Amazônia.

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