BELÉM (PA): Aulas de ciências despertam para cuidados com o meio ambiente

A iniciativa de uma professora de ciências tem feito a diferença para os alunos do ensino fundamental da Escola SESI Icoaraci. Hellen de Oliveira decidiu sair do tradicional e inovar durante as aulas. Investiu no uso de recursos como jogos, celular, filmes e simuladores. Além das ferramentas tecnológicas, a professora incluiu no cotidiano dos alunos os problemas de meio ambiente e a sustentabilidade

O projeto, que também contribui para o aprendizado de disciplinas do currículo dos alunos, com destaque para a matemática, geografia e artes, começou em 2017 e teve como tema a racionalização do uso do ar e da água.

As aulas trouxeram mais conhecimento para os alunos e renderam o primeiro lugar no torneio de robótica da escola. Os estudantes do sexto ano criaram um projeto para o reaproveitamento da água do ar-condicionado.

A professora de ciências explica que, ao fazer as pesquisas para as aulas, os alunos detectaram que o uso constante de ar-condicionado traz impactos negativos para o meio ambiente. Uma das consequências era o desperdício de água dentro da escola. Em 17 salas, o ar-condicionado permanecia ligado por mais de 12 horas por dia.

“Fizeram uma coleta de todos esses ares-condicionados, contaram gota por gota, por minutos, por segundos, fizeram um cálculo junto com o professor de matemática, de quantos litros de água estavam sendo desperdiçados, que poderíamos fazer uso para a limpeza da escola, para a descarga da escola, e isso não estava sendo feito. Essa água simplesmente estava indo pelo ralo”, explica.

Utilizando a água que escorre do ar-condicionado, toda a água da escola, que vem de um poço e é potável, passaria a ser utilizada somente para alimentação, enquanto a aparada do aparelho seria destinada à limpeza e manutenção dos banheiros.

Para a professora, é preciso fazer uma reformulação do ensino no Brasil. “Quando eu acabo utilizando ferramentas que participam do dia a dia deles, eu consigo ter uma atenção, não 100%, mas 95%. Eles querem saber como aquilo funciona, para que aquilo vai servir na vida deles, então eu consigo ter uma produtividade muito alta utilizando outros recursos além da minha voz e do livro”, ressalta.

De acordo com Hellen, os alunos, que têm entre 10 e 11 anos, adquiriram maior consciência ecológica e trabalharam o desenvolvimento de características importantes para o futuro. “Eles saíram mais refletivos. A gente já vê um posicionamento deles mais seguros de si, em busca de conhecimento. Cada projeto que a gente faz em sala de aula, seja do mais simples ao mais complexo, acaba dando uma outra visão para esse aluno, uma outra postura”, ressalta a professora.

Melhores práticas pedagógicas
O projeto foi destaque no 2º Encontro Nacional do Sistema Estruturado de Ensino da Rede SESI. No total, 20 projetos foram homenageados por terem gerado impactos positivos no aprendizado dos alunos e, por isso, foram consideradas as melhores práticas pedagógicas de 2017 da rede SESI.

Segundo o gerente executivo do Serviço Social da Indústria, Sérgio Gotti, a escola precisa mudar a maneira de ensinar e se tornar mais atrativa para os estudantes. Esse conceito foi base para todos os projetos homenageados, que partiram do STEAM, uma metodologia que trabalha de forma integrada as áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia, Arte e Matemática e é baseada na aprendizagem por projetos.

“Quando nós pensamos, por exemplo, na nossa indústria, quando nós pensamos no comércio, nos serviços, o que a gente observa é que as profissões que vão vir são absolutamente diferentes do que está acontecendo hoje em dia. E se a escola não se preparar para isso e, principalmente, não preparar o aluno para esse futuro, ela vai se distanciar cada vez mais do aluno, da realidade”, explica.