Capítulo 11: COMPARTILHAR: O SEGREDO DO SUCESSO

Dá e receberás. EI ÁUREA DA PROSPERIDADE

Compartilhar é o grande segredo do sucesso de grandes empresários. Quem é o líder: quem dá ou quem recebe?

Quem é a pessoa que mais aprende ao ensinar: o professor ou o aluno? Claro que é o professor!

O professor, para estar à frente compartilhando o seu saber, teve antes de se deter, horas a fio, na busca de diversos autores, de diversos pontos de vista. Ele sabe que vai ser sabatinado pelos alunos, portanto não admite estar mais ou menos; é preciso estar afiado. Por isso, ele estuda mais e melhor e, com dedicação e afinco, acaba obtendo não apenas conhecimento, mas tornando-se um sábio, por causa do comprometimento a que se submete antes de compartilhar o saber com seus alunos.

O comunismo está abalado com a queda do muro de Berlim e a desagregação da URSS. Ele foi o maior responsável pelo avanço social da legislação trabalhista do capitalismo: a jornada de oito horas, férias, previdência e seguridade social, uma série de inovações nas relações de trabalho. Foi o receio do avanço do comunismo que fez o capitalismo abrir “concessões”, compartilhando, desta forma, parte dos lucros com os trabalhadores.

Ninguém estará disposto a trabalhar para enriquecer só o patrão. Esta relação tem de ser uma parceria. Aquela história de que é preciso fazer crescer o bolo para depois dividi-lo é conversa dos adeptos da “lei de Gerson”. Aliás, esta história de querer levar vantagem é papo de pessoas pouco inteligentes que devem ter perdido o trem da História. Um dos grandes segredos da gestão empresarial consiste em “dividir

A ilusão de que quanto menores os salários, maior o lucro do empreendimento já foi desbancada há muito tempo. O salário é diretamente proporcional ao entusiasmo, à produtividade, à assiduidade e, principalmente, à lucratividade. Uma das chaves do sucesso empresarial consiste em criar mecanismos de vinculação entre a remuneração e a produtividade.

Existem várias empresas multinacionais que deixam de se instalar em países do Terceiro Mundo por causa da baixa produtividade, falta do conhecimento mínimo que permita a leitura e o entendimento dos manuais técnicos, além dos sérios problemas sociais e de saúde.

Uma certa multinacional terceirizava os serviços braçais na subsidiária brasileira porque não conseguiria explicar para aos acionistas americanos como poderia pagar, mensalmente, a um trabalhador apenas 100 dólares por mês. Sendo assim, apareceriam, nos relatórios, apenas os valores pagos às contratadas e não se tornaria pública tal aberração do capitalismo selvagem.

Quem trabalha e se desgasta mais: o patrão ou o empregado? Óbvio que é o patrão! Além disso, é o primeiro a chegar e o último a sair, levando consigo todos os problemas e aborrecimentos, mais o risco do empreendimento.

E se você transformar todos os empregados em patrões? Imagine agora todos “comprometidos” com o resultado do empreendimento. É uma energia, um ritmo frenético, e ninguém conseguirá segurar sua empresa. Ela vai para o podium do sucesso na velocidade de um cometa. Observe bem que eu falei num processo de comprometimento e não de envolvimento.

Quando a vaca nos dá o leite, ela está envolvida com nossa alimentação, mas, quando dá a carne, ela está comprometida.

O primeiro passo na busca do comprometimento da sua equipe está em realmente conhecê-la. Conhecê-la com profundidade, saber acerca de seu passado, suas convicções, seus valores familiares e religiosos, seus receios, anseios, aspirações, metas, objetivos, etc.

Há pessoas que nasceram para desenvolver e fazer determinado papel. Nunca vão se interessar por nada fora daquilo. Em minha empolgação juvenil, eu acreditava que todas as pessoas queriam crescer na carreira, chegar ao topo da montanha. Mas, com o passar dos anos, tamanha foi minha decepção ao constatar que muitas, muitas mesmo, só queriam

ter um salário, um lugarzinho para se esconder da chuva, um dinheirinho para o ônibus e para a comida, uma garrafinha de pinga e nada mais. Nada de responsabilidade, de compromissos e de ter de se esforçar e estudar para crescer.

Não que elas estejam certas ou erradas em não quererem crescer; isso é uma questão pessoal, devemos respeitar. Mas acontece que, às vezes, ficamos carregando esse tipo de pessoa nas costas, tendo um custo e um desgaste fabuloso, enquanto poderíamos estar investindo em gente que queira e possa realizar. O empresário precisa agir como um técnico de futebol, buscando colocar a pessoa certa no lugar certo e promovendo mudanças e substituições que possam levar a equipe ao sucesso.

Mamãe, por exemplo, nasceu para ser educadora e funcionária pública: fez uma carreira brilhante, passando por regente de classe, orientadora educacional, supervisora de ensino, diretora de escola, e hoje, aos 65 anos, está aposentada, com oito filhos, quatro noras, quatro genros e dezenove netos. Faz cursos de idiomas, lê, pinta e curte a vida, viajando com o papai pelo Brasil e pelo mundo afora.

Mamãe é uma pessoa muita esforçada e corajosa. Fez seu curso superior aos quarenta e dois anos, grávida do oitavo filho. Trabalhava, estudava, cuidava e orientava os sete filhos estudantes, estando a mais nova com 7 e o mais velho com 14 anos.

Imagine você, se alguém tentasse motivá-la a ganhar dinheiro, a empreender, ia perder seu tempo. O dinheiro e suas conquistas jamais iriam motivá-la a fazer qualquer tipo de esforço extra. Cada pessoa é despertada e motivada de forma diferente.

Conheço uma historinha ótima que vai ilustrar melhor o que eu estou querendo dizer. Um paulista entusiasmado, ao passar por um mineiro pescando à beira de um rio, à sombra de uma árvore, pitando um cigarrinho de palha, na maior tranquilidade, disse-lhe:

– Oh, mineiro! Por que o senhor não compra mais uma vara de pesca?

– Pra quê? UAI!

– Para o senhor pescar muito mais e ganhar dinheiro.

– Pra quê? UAI!

– Para comprar um barco, uma rede, equipamentos de pesca. Pra quê? UAI

– Para o senhor pescar muito mais, vender e ganhar muito mais dinheiro, comprar um caminhão frigorífico!

– Pra quê? UAI!

– Para o senhor montar uma empresa grande, com mutos funcionários, com vários barcos, frota de caminhões.

– Pra quê? UAI!

– Para o senhor ficar rico e milionário.

– Pra quê? UAI!

– Porque, com o dinheiro, o senhor fica tranqüiiiiilo e

sossegaaaaado.

– Óia, moço! Eu já tô aqui, tranquilo, pitano meu cigar-rim de paia, dano um bainzim nas minhoca, na maiô tranqüilida-de, sem isquentá minha cabeça com nada desta trabaieira aí que o sinhô tá falano. – respondeu o mineiro, irritado.

Esta metáfora fala, exatamente, da importância de sabermos quais as metas e objetivos das pessoas.

O que elas querem da vida?

Quais seus objetivos e metas?

Quais são seus objetivos profissionais?

Conhecendo metas e objetivos de sua equipe, torna-se mais fácil

colocar a pessoa certa no lugar certo: motivada, produtiva, sorridente e feliz.

“Não faça com as pessoas o que não gostaria que fizessem com você”. Certo? Não, errado! Faça com as pessoas o que elas gostariam que fizessem com elas.

Compartilhar é a arte de ajudar a quem merece e não a quem precisa. Cuidado com esmolas. Você pode estar destruindo e aniquilando a vida humana.

A ESMOLA DA FRANÇA QUASE ACABOU COM A ETIÓPIA

A Etiópia teve sérios problemas com a colheita agrícola por causa das pragas e intempéries da natureza. Sensibilizada, a França resolveu ajudá-la, doando-lhe, solidariamente, toneladas de alimentos.

No ano seguinte, a tragédia vitimou a Etiópia. Novamente, a França ajudou-a. Causou um prejuízo enorme para os empresários etiopes do setor agrícola, que não conseguiram justo preço para suas colheitas.

No terceiro ano consecutivo, a França doou toneladas e mais toneladas de alimentos à Etiópia. Desta vez, causou prejuízo ainda maior à economia agrícola da Etiópia, pelos mesmos motivos.

Os agricultores etiopes, reunidos, decidiram não mais investir na próxima safra, com medo de novos prejuízos. No quarto ano, a França, por motivos alheios à sua vontade, não pôde mais doar alimentos à Etiópia. Moral da história: o povo etiope não teve o alimento francês e tampouco o alimento do seu próprio país. Viu a fome e a miséria assolarem, ainda mais, seu povo sofrido.

Certa ocasião, contaram-me uma metáfora sobre o verdadeiro sentido de compartilhar. Deixo-a agora para o seu deleite:

O VELHINHO e O CÉU

Era uma vez… Um velhinho próspero, generoso, cumpridor dos seus deveres que veio a falecer. Chegando ao céu, foi acolhido por Deus, a quem manifestou seu último desejo antes de entrar, definitivamente, no paraíso: conhecer o inferno. – Perfeitamente. Eu o acompanho.

Chegando lá, estava posta uma grande e farta mesa de jantar, diante da qual, pessoas tristes, magras, rancorosas brigavam e discutiam na maior desarmonia. Quando ele olhou os talheres, não entendeu nada, pois eram colheres enormes, maiores do que os braços das pessoas. Daí a pouco, soou o gongo. As pessoas, violentamente, pegavam as colheres gigantes e tentavam pegar a comida em seus pratos e levar à própria boca. Não conseguiam alcançá-la. Desesperadas, elas atiravam as colheres nos outros, começando aquela briga infernal, derrubando pratos, colheres, pessoas, e por fim, até a mesa.

– Deus, por favor, leve-me embora. Isto aqui é um inferno. Agora eu gostaria de conhecer o céu.

Ah… que surpresa! Ao chegar ao céu, lá estava uma mesa grande e farta com os mesmos alimentos do inferno. Para sua surpresa os talheres eram iguais.

– Mas, Deus, aqui tudo é igual ao inferno?

– Calma, espere um pouquinho que o gongo já vai soar.

De repente, o gongo soou. Ele pôde ver pessoas dóceis, bonitas,

coradas, saudáveis e felizes que, de forma gentil e amável, retiravam o alimento do prato do vizinho sentado à sua frente, servindo-lhe de comer, na boca. Enquanto isto, o que recebia o alimento, compartilhava, servindo de comer a quem o servia.

 


Autor:

Professor Flávio de Almeida oferece, em especial, a todos os profissionais de áreas afins, satisfaz todas as condições estéticas exigíveis em um trabalho desta natureza, uma vez que nos leva a ter foco no mercado, sem perder a flexibilidade, ou seja, foco nas oportunidades e não nos problemas.


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