Capítulo 12: CAPITAL INTELECTUAL NA ERA DO SERVIÇO

O ser humano é a única máquina que vem sem manual de instruções.

Ao longo do tempo, a máquina evolui, fica adulta e começa a ser descoberta pelo seu dono. Passamos a conhecer o nosso número de sapato, nossa altura, nosso peso, nosso tipo de pele, nosso tipo de cabelo e mais uma série de outras informações importantes para nossa vida.

Mas os tempos mudaram; estamos em plena era do conhecimento, às vésperas do terceiro milênio. O avanço da cibernética trouxe uma verdadeira revolução aos nossos hábitos e costumes.

A globalização econômica provocou uma mudança antes nunca vista no mundo do trabalho, obrigando-nos a ser cada vez mais eficazes, produtivos e competitivos. Excelência deixa de ser diferencial competitivo para tornar-se pré-requisito. A partir de agora, mais do que nunca, precisamos de muitas outras informações importantíssimas para nossa sobrevivência, muitas delas nós nem percebemos que sabemos.

Isso mesmo: elas pertencem ao nosso mundo inconsciente. Imaginem um copo de vidro. Para que serve um copo? Para tomar água! Imagine uma cadeira, para que serve? Para se sentar! Acompanhe esta metáfora: Imagine, agora, você bebendo água na cadeira e sentado no copo… Pare por um momento, pense em quantos de nós têm “características de cadeira” e estão permitindo serem “utilizados como copo”.

Este tipo de postura leva a uma série de consequências desastrosas. Nesse clima de insatisfação e desrespeito às vocações, surgem várias doenças profissionais: ler, descontrole emocional, insônia, estresse, doenças cardiovasculares e tantas outras que invadem quarenta anos. Doença é um alerta de algum tipo de desarmonia. Algo não está correto; está havendo alguma agressão à natureza. As doenças são “fugas” que, consciente ou inconscientemente, usamos para ficar longe daquilo que estamos fazendo apenas por obrigação e não por prazer e satisfação. Um dos maiores desafios dos profissionais de RH será, sem dúvida alguma, colocar o profissional em seu habitat.

Nosso inconsciente guarda segredos que nem nós sabemos. Precisamos, de forma intuitiva, buscar nossa missão e, a partir de então, fazer do trabalho e da profissão uma fonte de prazer, satisfação e de auto realização. É preciso desvendar estes mistérios da nossa intimidade inconsciente: dominância cerebral, tipos de inteligência predominantes, quociente emocional, pontos fracos, habilidades a serem desenvolvidas, pontos fortes, habilidades profissionais de excelência, vocação, dons, talentos, missão. Enfim, é preciso fazer e escrever o nosso manual de instruções. Aí sim, poderemos traçar nosso projeto de vida. Sem essa orientação, sem esse foco na missão, acabaremos, amadoristicamente, utilizando o método do empirismo, erro e acerto, agindo segundo a experiência, sem considerar os aspectos psicológicos conscientes e/ou inconscientes.

Ao ignorarmos tudo isso, nós, empreendedores, estaremos castrando o ser humano, aumentando o custo das empresas e a taxa de absenteísmo, e diminuindo a produtividade e a qualidade. Assim, estas empresas se tornam menos competitivas, sendo levadas ao fracasso, ao insucesso e até à falência.

A genialidade nada mais é do que estarmos em harmonia com nossa missão e com nossa natureza. Você conhece algum bando,manada, enxame falido ou quebrado? Não existe. Existem tragédias ecológicas provocadas pela estupidez do ser humano. Por que não existe fracasso no meio dos animais irracionais, se é que podemos considerá-los irracionais? Simplesmente porque eles não

agridem a natureza. Eles não saem do seu habitat; a missão de cada um é respeitada com a maior disciplina.

A FORÇA DO CAPITAL HUMANO

“A força de uma corrente é medida pela resistência do seu elo mais fraco”. Os profissionais de RH são contratados para fortalecer estes elos de forma a termos uma corrente forte, uma equipe preparada para enfrentar o desafio de conduzir a empresa com sucesso para o terceiro milênio. Aumento de lucratividade, rentabilidade, produtividade, competitividade só se faz com aumento de motivação, entusiasmo e qualidade de vida da equipe. Ao desvendarmos nosso manual de instruções, imediatamente aumentaremos nossa autoestima e nossa coragem; nossa energia transbordará e conquistaremos a excelência e, por consequência, a trabalhabilidade. Para os excelentes, aqueles que estão em harmonia vocacional, nunca faltará lugar ao sol. Dessa maneira estaremos protagonizando uma grande revolução, na qual transformaremos mãos-de-obra em “cérebros-de-obra”, que seguirão felizes, saudáveis e prósperos como empreendedores sem capital financeiro, mas com um grande capital humano.

Para empreender precisamos de trabalho, organização e capital, certo? Não, errado! Se estivéssemos na era da indústria, que reinou até por volta de 1980, estaria corretíssimo. Felizmente, as coisas mudaram. O segmento dos “serviços” tornou-se a vedete, sendo que no Brasil ele já é responsável por cerca de 55% do PIB, devendo atingir logo a marca dos 80%. E o que precisamos para empreender no mundo dos serviços? Um telefone, um computador, que você já tem, uma ideia transformada em “projeto de negócio”, o know-how adquirido em experiência anterior, organização e “trabalho”.

Bill Gates é apenas um dos milhares de exemplos de empreendedores sem capital do segmento de serviços. Ele contrariou os papas da cibernética que apostavam nos computadores de grande porte e desenvolveu softwares para os computadores pessoais. Na década de 70, dentro de uma garagem, com seu know-how, seu autoconhecimento e em harmonia com sua missão, ele se tornou, para perplexidade dos capitalistas tradicionais incrédulos, o empresário mais rico do mundo que empreendeu sem capital.

 


Autor:

Professor Flávio de Almeida oferece, em especial, a todos os profissionais de áreas afins, satisfaz todas as condições estéticas exigíveis em um trabalho desta natureza, uma vez que nos leva a ter foco no mercado, sem perder a flexibilidade, ou seja, foco nas oportunidades e não nos problemas.


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