CARTA ABERTA

Querido Flávio,

Todo amor nasce de um olhar. O nosso também nasceu assim, aquecido pelos cálidos raios de sol de um Domingo de Ramos.

Poucos encontros e algum tempo foram o bastante para percebermos que poderíamos embarcar na aventura de uma vida a dois.

28 de julho de 1956!… Cercados de parentes e amigos, na poética capelinha de São Vicente de Paulo, juramos amor eterno.

Fundamos um lar!…

Dentro do 1o ano de casados veio dar-nos as primeiras alegrias de pais, o Fábio, numa noite fria de junho. Sua chegada foi o clímax de nossa vida.

Tantas alegrias como esta aconteceram durante seis anos consecutivos: Beatriz, Tarcísio, Lourdinha, você, Regina e Hortência.

Com que carinho e amor aguardamos a sua chegada. Seus olhinhos se abriram à luz deste mundo no Hospital Felício Rocho. Com que orgulho Papai segurava aquele “Tiquinho de Gente” nas suas mãos grandes para o banho dos primeiros dez dias de vida!

Logo foram batizados. Trabalhamos para que no segundo ano de casamento tivéssemos uma casa. A natureza lhes foi oferecida numa residência espaçosa do Bairro Serrano, onde puderam brincar com água, terra, areia, ver animais e cuidar deles. Ter horta e quintal, vivendo a vida de livres filhos das montanhas. Quatorze anos passamos esquecidos do mundo lá fora, vivendo no Reino Encantado da Branca de Neve, o Príncipe e os Sete Anõezinhos. Foram anos inesquecíveis de luta, de fé, de trabalho, de estudos, alegrias, sacrifícios, abnegações e renúncias, só nós o sabemos!…

Ao declinar o ano de 1971, quando o sol descia com a glória rubra de um monarca que tomba e com a tristeza de um poeta que morre, cedendo lugar à lua com seu séquito de estrelas, um astro de raro fulgor veio brilhar no nosso céu. Foi você, Silvino Márcio, o nosso canto do cisne. Você completou a nossa felicidade.

Filhos queridos, nós os vimos fazer a 1ª Eucaristia, no Grupo de Jovens, nos Encontros do Noviciado e Cenáculo, nos Círculos Bíblicos, no Revenso, no 1º grau, no 2º grau e na faculdade, numa ascensão de esforço próprio, no mundo maravilhoso do saber.

Como foi gratificante criá-los!…

Cada vez que amadurecemos na vida, as palavras vão adquirindo personalidade. Pronunciamo-las sentindo seu sabor, seu conteúdo, seu significado. Assim muitas palavras nos trazem sabor de eternidade, de divino, de imensurável, de indefinível, de fantástico, de apoteótico.

Filho é uma destas palavras. Por você sentimos em cada manhã a mesma disposição para o trabalho; para vocês não há cansaço, para vocês a saudade vem antes da partida, o perdão antes da ofensa. Vocês são as crianças que deram sentido à nossa vida, presença à nossa solidão, poesia ao nosso romance, fé às nossa dúvidas, força às nossas fraquezas, lenitivo às nossas lágrimas, coragem para crescermos.

Estamos felizes e gratificados em nossa Bodas de Prata, esta festa que é nossa e muito mais de vocês. Ela só acontece porque vocês existem para dar sentido a ela. Sentido de fé, esperança, amor, alegria e coragem. Cada casal tem os filhos que merece! Nós somos sujeitos à nossa própria felicidade.

A nossa se reflete em vocês. É como o espelho que recebe o foco de luz e o reflete para os outros. O amor é a felicidade na medida que vem de Deus, ungido pela Fé que crê, pela Fé que espera, pela Fé que ama. Somos pais, hoje e sempre, e vocês serão, eternamente, nossos filhos queridos.

Pela vida que nos resta estaremos felizes à medida que vocês forem autênticos, responsáveis, amigos, unidos, honestos, cultos, alegres e educados.

Deus o abençoe, querido Flávio, pela felicidade que nos deu. Abraçam-no, ternamente,

Mamãe e Papai.


Autor:

Professor Flávio de Almeida oferece, em especial, a todos os profissionais de áreas afins, satisfaz todas as condições estéticas exigíveis em um trabalho desta natureza, uma vez que nos leva a ter foco no mercado, sem perder a flexibilidade, ou seja, foco nas oportunidades e não nos problemas.


Capítulo 1

Capítulo 2

Capítulo 3

Capítulo 4

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