COP24 termina sem propostas consistentes para ação climática

Conferência do Clima acorda “livro de regras” para implementação do Acordo de Paris, porém sem claro comprometimento coletivo

Cerca de dois meses após o relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) alertar que temos apenas 12 anos para frear o aquecimento global, a COP 24, realizada neste ano na Polônia, terminou sem nenhuma proposta ambiciosa e robusta de ação às mudanças climáticas. Com um dia de atraso, quase 200 países acordaram um “livro de regras” para implementar o Acordo de Paris, firmado em 2015, porém sem um claro comprometimento coletivo para ações de combate ao aquecimento global.

“Um ano de desastres climáticos e um alerta terrível dos principais cientistas do mundo deveriam ter levado a muito mais. Em vez disso, os governos decepcionaram as pessoas ao ignorarem a ciência e o sofrimento dos vulneráveis. Reconhecer a urgência da ambição e adotar um conjunto de regras para a ação climática não é suficiente quando nações inteiras enfrentam a extinção”, afirma Jennifer Morgan, Diretora Executiva do Greenpeace Internacional. “Sem ação imediata, mesmo as regras mais fortes não nos levarão a lugar nenhum. As pessoas esperavam ação e isso é o que os governos não cumpriram. Isso é moralmente inaceitável e eles devem levar consigo a indignação das pessoas e chegar à cúpula do Secretário Geral da ONU em 2019 com metas de ação climática mais elevadas”, complementa.

O Greenpeace pede aos governos que reforcem a medidas de combate às mudanças climáticas imediatamente e que provem que ouviram as demandas das pessoas. O relatório do IPCC deve ser o apelo à ação – ação que corresponde ao ritmo e à escala da ameaça.

“Textos de compromisso são pagos em vidas humanas e os mais pobres e vulneráveis são os que mais têm necessidades. O IPCC já afirmou que a humanidade não existirá como tal se ultrapassar um aquecimento de 1.5ºC até o fim do século e este livro de regras reconhece que as NDCs (Contribuições Nacionais Determinadas) precisam ser atualizadas até 2020, mas não compromete os países aqui e agora a aumentar a ação contra as mudanças climáticas. Esperávamos um sinal mais claro de ambição”, afirma Fabiana Alves, da campanha de Clima e Energia do Greenpeace Brasil.