No oeste do Oceano Pacífico, a leste das Filipinas, encontra-se o lugar mais profundo do planeta a Fossa das Marianas. Esta longa, vala estreita no fundo do oceano, com 2,5 mil km de comprimento e 69 km de largura, a Fossa das Marianas, marca a fronteira entre duas placas tectônicas. Ela chega a uma profundidade de até 11 mil metros. Isso é maior do que a altura do Monte Everest, a montanha mais alta do mundo, que mede milhas 8.848 metros, acima do nível do mar.

A Fossa das Marianas é o lar de uma rica variedade de vida marinha –  os recifes de coral, as comunidades de esponja, e vulcões submarinos são encontrados lá. Mas porque muito poucos seres humanos têm sido capazes de ir tão longe, os cientistas ainda sabem muito pouco sobre ela.

A Fossa das Marianas é carregada de vida do mar estranha e maravilhosa
A Fossa das Marianas é carregada de vida do mar estranha e maravilhosa

A Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) e vários parceiros estão trabalhando para mudar isso. O navio da NOAA chamado o Okeanos Explorer fez recentemente uma expedição na Fossa das Marianas. Usando um potente sonar, os pesquisadores identificavam a presença de criaturas interessantes do fundo do oceano, e enviavam um veículo submarino operado remotamente (Robô) foram enviados para fora do navio tomando vídeos da vida nas suas áreas mais profundos e obscuros, para capturar imagens em alta resolução. Cientistas de todo o mundo, juntamente com o público em geral, podem agora, assistir os vídeos em tempo real. Estes vídeos estão revelando as partes mais misteriosas do oceano.

Grande parte da área que a Okeanos explorou é protegida desde 2009 como parte do Monumento Nacional Marinho Marianas Trench. Cobrindo mais de 95.000 milhas quadradas, que é uma das maiores áreas protegidas marinhas do mundo (tendo a ver com o oceano).

As condições de vida são duras na Fossa das Marianas. É muito escuro, de modo que os animais que vivem lá devem usar outras maneiras além da visão para entender o seu espaço, sentidos, encontrar comida, e iludir os predadores. A água também é muito fria, um pouco acima de zero e sua pressão é extremamente alta. Isso significa que apenas certos animais podem viver lá, como camarão, caranguejos e estrelas do mar.

 

As câmeras da expedição filmaram e fotografaram uma grande variedade de criaturas do mar profundo, raramente vistos. Eles incluem tubarões fantasmas, lagostas gigantes e porcos mar. Talvez a mais surpreendente visão foi uma bela água-viva brilhante que os cientistas nunca tinham visto antes. Ela foi encontrada em 24 de abril, a uma profundidade de 3,7 mil metros abaixo da superfície, o espécime se parecia mais com uma criatura de sonhos e fantasia de ficção científica do que um animal do nosso planeta – e esse misto de estranhamento e fascinação fez com que essa e outras fotos e vídeos da mesma expedição virilizassem.

Impacto mundial

Os cientistas esperam que esta expedição, que terminou em 10 de julho, vai ajudá-los a desvendar os mistérios da Fossa das Marianas. Eles vão usar as informações coletadas pela expedição para mapear o Monumento Nacional Marinho das Marianas e aprender sobre os animais do fundo do mar e plantas encontradas lá. Eles também vão estudar suas características únicas, incluindo montanhas submarinas, vulcões de lama, e as fontes hidrotermais (águas termais produzidas por vulcões submarinos).

Getting a picture of everyone involved in an Okeanos Explorer telepresence-enabled cruise is nearly impossible. More than 50 scientists and students participated in Leg 1 of the Deepwater Exploration of the Marianas Expedition from around the world! Many more crew, shore-side technicians, educators, outreach specialists, and others provide critical support to enable the expedition to happen. Here, the shipboard mission team poses for a picture on the bow of the ship before pulling into port in Saipan to bring Leg 1 of the expedition to a close.
A equipe da missão a bordo posa para uma foto na proa do navio antes de entrar no porto de Saipan para o fim da expedição

 

Especialistas dizem que este conhecimento também irá ajudar os cientistas a entender melhor como a parte mais profunda do oceano afeta o resto do mundo. “O oceano desempenha um papel no ar que respiramos, o alimento que comemos, e o transporte das mercadorias que compramos, para não mencionar o tempo e as alterações climáticas”, afirma a NOAA. “O mar também pode realizar curas para doenças. Como vamos saber o que está lá fora, se não estamos procurando por ele?”

Pouco se conhecia sobre a ecologia desta fenda de cerca de 11 km – na verdade, muitas vezes é dito que sabemos mais sobre a superfície de Marte. Confira:

FOTOS: NOAA, Exploração na Fossa das Marianas 2016

(*) Publicado originalmente na edição 57 da Revista Amazônia.

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