Enriquecimento ambiental: o que é e como aplicá-lo a cães

Já na década de 1920, pesquisadores começaram a perceber e indicar a importância do enriquecimento ambiental para os animais cativos, ou seja, criados fora do ambiente selvagem. No entanto, só a partir dos anos 70 a ideia se tornou mais difundida e passou a ser colocada em prática em zoológicos pelo mundo.

Hoje, diante do aumento expressivo de animais de estimação nas grandes cidades cada vez mais verticalizadas, com espaços domésticos menores, têm se tornado bastante comuns os casos de pets com sinais de stress por falta de atividades. No caso dos cães, alguns dos sintomas mais recorrentes são automutilação (retirada de pelos, por exemplo), lambedura excessiva, latidos/uivos, agressividade e destruição de móveis.

“Meu cão é terrível!”

Na prática, o enriquecimento ambiental são formas de equipar o espaço onde o cachorro vive com oportunidades para que ele expresse seu comportamento natural de maneira mais organizada, canalizando sua energia positivamente.

Ficou difícil de entender? Calma, que eu já explico melhor. Veja só: cães conhecem o mundo muito mais pelo olfato do que pela visão, por exemplo; então por que não suprir essa necessidade deles? O mesmo pode ser dito sobre o costume de roer, uma reclamação frequente de muitos donos. Claro que ninguém quer o bichinho destruindo o sofá, certo? Para evitar isso, o caminho é oferecer alternativas para que ele transfira a atenção.

Quando usar?

O enriquecimento ambiental é indicado em todos os casos, tanto na prevenção quanto na reeducação do animal, independentemente da idade. Afinal, quando o cão tem à disposição atividades físicas e cognitivas, a tendência é de que ele fique mais equilibrado, menos destrutivo e, por consequência, em maior harmonia com seus donos/tutores — ou seja, bem-estar para todos os envolvidos!

Tem dúvidas sobre como fazer isso? Confira algumas ideias:

1 – Esconda petiscos

Esconda petiscos em vários pontos e estimule a busca. No início, é bom facilitar para que o cão se sinta motivado a continuar. Depois, aumente gradativamente o nível de dificuldade. 

“Petisquíneo, cadê você?”

2 – Varie as formas de alimentação

Existem diferentes modelos de brinquedos nos quais é possível esconder petiscos e até mesmo servir como um comedouro mais lento e desafiador, como as petballs e o Kong.

Uma alternativa mais econômica é usar garrafas PET: basta fazer alguns furos laterais em uma garrafa vazia, de modo que o cão possa, ao brincar com ela, fazer os petiscos e/ou a ração sair por eles. O ideal é sempre começar com furos mais fáceis e depois substituir por garrafas com furos mais desafiadores. Os cães amam!

Outro formato bem interessante é uma espécie de labirinto, que pode ficar ainda melhor se você colocar bolas de brinquedo por cima. Uma alternativa mais em conta (e tão eficiente quanto) para adotar esse método é usando caixas de ovo.

Há também modelos com gavetas e peças que devem ser movidas para que o alimento apareça. 

3 – Ofereça alimentos saudáveis diferentes

Quem já apresentou a um cachorro uma pedra de gelo ou uma cenoura geladinha, por exemplo, sabe bem que esses são itens valorizados e capazes de mantê-lo entretido. No entanto, por via das dúvidas, verifique com um veterinário de confiança os alimentos liberados para o seu cãozinho.

4 – Sacie a vontade deles de roer e destruir

Uma dica valiosa: invista em brinquedos que não soltem pedaços, pois assim você garante que não haverá sustos. Afinal, vários cães não apenas destroem, mas também engolem pedaços (muitas vezes grandes) de objetos.

Existem produtos em formatos de variados — e alguns até com sabor — que estimulam o animal e canalizam o instinto destrutivo para atividades controladas e saudáveis.

Graveto de mentirinha <3

Além dos brinquedos que você encontra em lojas, é possível oferecer coco verde — a bagunça que fica com os fios é fácil de arrumar e é um excelente passatempo para os cães.

Outra ideia legal, caso você tenha um espacinho sobrando no quintal/na garagem, por exemplo, é pendurar em um ponto fixo uma corda resistente e na ponta uma câmara de pneu, para o pet puxar. Se não tiver como pendurar, vale deixar acessível no chão também. 

Entretenimento para os grandões também!

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Vale lembrar que reunimos aqui apenas algumas das várias ideias possíveis. E você, já usou alguma dessas técnicas? Conhece outra que funciona bem? Então conte para nós no campo dos comentários.


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