Estudantes aprendem no Inpa sobre diversidade e grupos botânicos de plantas aquáticas

Para demonstrar na prática como a matemática está presente nas pesquisas ecológicas, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC) realizou visita guiada ao Lago Amazônico e visita a casa de Vegetação, ambos no Bosque da Ciência. As atividades fazem parte da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do Inpa, que começou na segunda-feira e segue até o domingo (29).

 

Este ano o tema da SNCT é A matemática está em tudo! Além de Manaus, Manacapuru, Rio Preto da Eva, Novo Airão, Presidente Figueiredo e Careiro Castanho recebem as mais de 100 atividades. São exposições (Ilustração e Fotografia botânicas, Cogumelos Comestíveis, Fungos Patogênicos, Estação da Aquicultura), oficinas, cursos, palestras no Inpa e em escolas e visitas a laboratórios. Até o domingo o Inpa espera receber aproximadamente 15 mil pessoas. Todas as atividades são gratuitas.

 

No Inpa, a matemática está presente em todas as pesquisas, como nos estudos dos fenômenos biológicos e ecológicos, nas dinâmicas de populações de animais e plantas, nas biotecnologias aplicadas aos fitoterápicos e dermocosméticos, na engenharia de pesca, na genética, em inúmeras oportunidades.

 

“A matemática é parte integrante e intrinsecamente ligada aos estudos de ecologia, mas provavelmente deve ser em todas as áreas”, conta a pesquisadora do Inpa, Maria Teresa Fernandez Piedade, que estuda as áreas alagáveis, aquelas que ocorrem ao longo dos rios e na Amazônia Central ocorrem principalmente nas várzeas e igapós, sendo ambientes cheios de espécies vegetais altamente adaptadas às inundações.

 

Na visita guiada ao Lago Amazônico, os participantes recebem em um estande informações sobre macrófitas (plantas aquáticas) que ocorrem nesse ambiente como Lemna, conhecida como lentilha d’água, e Ricciocarpus e como as plantas aquáticas podem funcionar como abrigo para fauna, caramujos, insetos e pequenos peixes. Na oportunidade, as crianças aprendem como as plantas podem ser diferentes em formas, tamanhos e grupos botânicos.

 

Segundo o bolsista de iniciação científica ligado ao o Grupo de Pesquisa  Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua), Gabriel Caldas, as crianças demonstram interesse e conhecimento a respeito das macrófitas, inclusive algumas sabem como as plantas aquáticas flutuam. A maioria do público na atividade é crianças de até dez anos. Neste sábado pela manhã acontecerá a última visita guiada ao lago para conhecer as macrófitas, dentro da programação da SNCT.

 

“As crianças perguntam por que as plantas aquáticas são diferentes das terrestres e ficam impressionados com os aerênquimas, que são tecidos que permitem a flutuação das plantas”, explica o estudante de doutorado de Botânica do Inpa, o ecólogo Layon Demarchi.

 

Segundo Demarchi, as plantas aquáticas utilizam várias estratégias para flutuar. “O mureru, por exemplo, possui tecidos aerênquimatosos e assim ele bóia; outras plantas têm o caule oco, como o capim membeca, planta que também serve de alimento para o peixe-boi”, completou o ecólogo.

 

Já na Visita a Casa de Vegetação do Bosque da Ciência a atividade mostrou um laboratório a céu aberto utilizado para germinar e avaliar a taxa de germinação de sementes coletadas diretamente de plantas, solos e até de trato digestório de peixes.

 

Áreas Alagáveis

 

Boa parte dessa vegetação das áreas alagáveis é extraída sistematicamente para abastecer o mercado madeireiro na região, a exemplo do assacu, ucuuba, cedro, louro, jacareúba e mulateiro. Em Manaus, mais de 60% da madeira que abastece o mercado provém da área de várzea, segundo Piedade, que coordena a Pesquisa Ecológica de Longa Duração/ Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Peld/Mua).

 

“Então é importante saber como essas árvores crescem, como podem ser reproduzidas também (germinação, reprodução de plântulas/plantas jovens) e estamos avaliando tudo isso”, conta a pesquisadora.

 

Um dos nossos objetivos do Peld/ Maua é fornecer subsídios para uma recolonização de áreas perturbadas e também um manejo mais adequado e compatível com a vocação desses ambientes tomando como base as informações numéricas que transformaram os dados de campo em “coisas palatáveis do ponto de vista numérico”. “Isso é muito importante, porque no fim a avaliação de impacto é um cálculo”, afirma a pesquisadora.

 

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