Gás natural volta a ser protagonista nas discussões da Rio Oil & Gas 2018  

Segundo dia do evento foi marcado também pelo lançamento da universidade setorial corporativa da indústria

Rio de Janeiro, 25 de setembro de 2018 – O gás voltou a ser tema de debate na 19ª edição da Rio Oil & Gas nesta terça-feira (25/09) em painel que abordou o caminho para o futuro sustentável. Irene Rummelhoff, vice-presidente-executiva de Marketing, Midstream e Processamento da Equinor, disse que vê o combustível como foco na transição energética. “Nós acreditamos na expansão do mercado brasileiro de gás natural e no seu potencial como fonte de geração de energia”, afirmou a executiva. Christian Iturri, gerente-geral de venda da Shell Energy Americas, complementou “o gás terá um grande crescimento na oferta de energia, ajudando na descarbonização”.

De acordo com Luis Bertrán, secretário geral da International Gas Union (IGU), para uma expansão do setor em todo o mundo, é necessário que haja maior competitividade, reduzindo custos na cadeia produtiva e desenvolvendo a produção local de gás natural. “O gás natural tem potencial para ser o combustível fóssil com crescimento mais rápido: da ordem de 1,6% por ano até 2040, tornando-se assim a segunda principal fonte de energia no mundo”, afirmou.

Entre as medidas relacionadas à sustentabilidade propostas pela IGU, estão a adoção de políticas locais de combate à poluição e o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono para a produção de gás.

 O evento discutiu também a questão da eficiência energética e o controle de emissões no Fórum Downstream. A consultora da Petrobras, Glenda Rangel, destacou a importância das empresas se adaptarem em um cenário de maior foco em sustentabilidade. “Temos que desenvolver ferramentas de gestão integradas de energia e emissões”, disse.

Glenda comentou ainda sobre como a precificação de carbono vai afetar todas as indústrias, trazendo desafios para diversas empresas. “É possível que o carbono tenha custo, o que vai tornar a gestão da eficiência energética muito importante neste novo momento do setor”, afirmou.

Práticas de segurança

Os desafios dos fatores humanos no desenvolvimento da cultura de segurança foram debatidos na Arena de Sustentabilidade e SMS, evento paralelo ao congresso.

Segundo Alex de Almeida, assessor de auditoria e fiscalização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), fatores humanos, como erros de percepção ou decisão, estado mental ou emocional do profissional e até capacidade técnica do time, possuem interações complexas com aspectos tecnológicos e organizacionais da cadeia de produção. “É necessário adotar uma abordagem proativa, tanto dos órgãos do Estado quanto da indústria, para gerir esses fatores humanos no desenvolvimento da cultura de segurança”, afirma.

Atualmente, o principal instrumento de segurança operacional no Brasil é o Regulamento Técnico do Sistema de Gerenciamento da Segurança Operacional (SGSO), composto por práticas orientadas ao desempenho e à gestão de risco, que visa garantir a proteção da vida humana e do meio ambiente. A agência reguladora entende que, para consolidar a cultura de segurança, é preciso uma atualização do SGSO e uma otimização das práticas de gestão em um único regulamento. “Somente bons regulamentos não garantem a efetiva segurança operacional das atividades, assim como somente a fiscalização não garante uma boa gestão baseada em risco. É necessária uma forte integração com a indústria para garantir a rápida evolução da cultura de segurança e da sustentabilidade”, afirmou o superintendente de SSM da ANP, Marcelo de Macedo.

 Capacitação

De olho na capacitação dos profissionais que já atuam e aqueles que têm interesse em ingressar no setor de óleo e gás, o IBP lançou a UnIBP – a universidade setorial corporativa da indústria de petróleo, gás e biocombustíveis. Uma evolução das universidades corporativas, a UnIBP chega com o objetivo de atender pequenas e médias empresas, bem como as grandes companhias que não tenham unidades corporativas no Brasil.

“O momento é bastante oportuno para a chegada da UnIBP. Nosso setor passou por uma grave crise, em que perdemos um grande número de profissionais. No entanto, a indústria é feita por nós, pessoas, e os recursos humanos são fundamentais para a retomada”, afirmou Milton Costa Filho, secretário-geral do IBP.

Com um MBE de sucesso em conjunto com a PUC-Rio, cuja segunda turma terá início em março do próximo ano, o IBP firmou uma nova parceria com a Fundação Dom Cabral, que passará a oferecer um MBA Executivo, com foco em gestão na área de petróleo e gás. O curso, que terá início em abril de 2019, é baseado na mudança de perfil dos profissionais que estão entrando no setor e se pautará nas melhores práticas internacionais.

Tecnologia digital na integração da cadeia de produção

No painel que debateu os próximos passos da robótica e automação na indústria de óleo e gás offshore, durante a O&G TechWeek, o pesquisador da Repsol Sinopec Brasil, Marcelo Andreotti, falou sobre a integração, via Internet das Coisas (IoT), de toda a cadeia de exploração e produção. “No futuro, não teremos mais plataforma no mar; as operações serão remotas, com plataforma digital. A tecnologia vai integrar toda a cadeia de fato, exploração e produção com refinaria. Isso reduz o número de agentes no processo, melhora a eficiência, otimiza custos e processos. E já está acontecendo”, afirmou.

A O&G TechWeek acontece todos os dias do evento, a partir das 14h, no Pavilhão 2.

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