“Gisele Bündchen passa dia de ação de graças em família”, “Gisele Bündchen é clicada toda estilosa em dia chuvoso”, “Gisele Bündchen nega que marido tenha votado em Trump”. Modelo mais famosa do mundo, a gaúcha de 36 anos vive nas manchetes, mas quer ganhar ainda mais atenção com outros assuntos. Notória ativista ambiental, ela é uma das apresentadoras de “O planeta em perigo”, segunda temporada da premiada série documental, que estreia neste domingo, dia 27 (com a própria), às 23h45m, no National Geographic. Vencedor do Emmy em 2014, “O planeta…” traz ainda nomes como Sigourney Weaver, Arnold Schwarzenegger, Jack Black e Joshua Jackson, mostrando de que maneira ações do homem estão levando à destruição do meio ambiente.

Como foi seu envolvimento com “O planeta em perigo”?

Este foi um projeto completamente diferente de qualquer outro de que já participei e demandou muito envolvimento. O primeiro desafio foi fechar a agenda para poder viajar e gravar as cenas na Amazônia e em outros lugares do Brasil.

E as gravações?

Foram bastante intensas, pois, como eu não tinha tantas diárias disponíveis, tínhamos que otimizar nosso tempo ao máximo. Foram oito dias longos em locação, fora a gravação em Boston (onde Gisele mora) e as diárias para gravação de voz, além de muitos dias de edição.

Qual foi o maior desafio?

Numa das diárias, acordamos muito cedo, e por volta das 5h já estávamos dentro da mata, numa completa escuridão, só com lanternas e caneleiras para proteger de picadas de cobra. Foi uma experiência inesquecível. Queríamos chegar a uma torre para filmar o nascer do sol. Para isso tivemos que subir mais de 50 metros. A torre balançava muito, e fiquei com bastante medo, tenho medo de altura. Mas valeu a pena, a vista por cima das árvores era deslumbrante, foi realmente mágico.

Você começou a se engajar em causas ambientais depois de conhecer a Amazônia, e agora voltou para cobrir a destruição da floresta. Como foi esse retorno?

Se as pessoas pudessem ter esse contato com a floresta, estou certa de que muita coisa mudaria. É impossível estar lá e não se sentir tocado. Desta vez, vi muito mais destruição, pois estava lá para registar isso, então, fomos a áreas específicas da Amazônia, no chamado “arco de desmatamento”. E foi realmente chocante ver tantas áreas desmatadas e cortes geométricos no meio da imensidão verde. Em certos momentos, você se sente impotente diante de tudo isso… tantos interesses envolvidos, é como nadar contra a corrente.

O que aprendeu com a experiência?

Aprendi que você sempre tem que ouvir os dois lados da história. No passado, o desbravamento da Amazônia era incentivado pelo governo e, hoje, é algo repudiado pela sociedade. Muitas famílias que lá habitam estão na região há quase 40 anos, quando não havia tanto conhecimento sobre o impacto do desmatamento no aquecimento global, por exemplo. É preciso avaliar muito bem antes de tomar partido, defender uma bandeira.

Você já se engajou em várias atividades de proteção ambiental pelo mundo, tendo ajudado inclusive a recuperar nascentes de rios na região onde nasceu. E agora? O que a mobiliza neste momento?

Na verdade, a causa é uma só: a natureza, e tudo está interligado. Para proteger as águas, por exemplo, precisamos das árvores, não só nos arredores das nascentes e margens dos rios, precisamos da floresta, pois ela exerce um papel fundamental no equilíbrio do clima. É um ciclo, e nós estamos todos conectados. Nossos recursos naturais são finitos e, infelizmente, demoramos para perceber o mau uso que estávamos fazendo deles. Agora, precisamos correr atrás.

Quais são as ações sustentáveis que você promove na sua vida pessoal?

Foco em não desperdiçar alimento ou água, utilizar menos produtos industrializados para não gerar tanto lixo, e reciclar, claro! Também utilizamos um filtro para reduzir o consumo de garrafas plásticas e usamos sacolas de tecido para as compras. Nossa família também consome produtos orgânicos de fazendeiros locais, evitando as implicações do deslocamento e apoiando os pequenos fazendeiros. E temos uma horta em casa, um sistema de coleta de água da chuva, painéis solares, um sistema geotérmico e lâmpadas mais eficientes para minimizar o uso de energia. Outra mudança foi a redução do consumo de carne vermelha. Depois deste documentário, com certeza vamos rever ainda mais nossos hábitos.

Sua vida pessoal costuma aparecer mais do que as causas que você defende. Isso incomoda?

Sim, acho triste ver que algumas pessoas se preocupam mais com a roupa que você usa do que com assuntos de tamanha relevância que afetam todos nós.

Você diz que salvar a Amazônia é dever de todos. Como acha que o cidadão comum pode ajudar?

A melhor maneira de conscientizar qualquer um é através do exemplo. Se você for exemplo dentro da sua casa, escola, comunidade, você já estará fazendo sua parte. As pessoas ainda são muito reativas a mudanças e extremamente críticas e ferozes com quem está num caminho diferente. Mas, aos poucos, quando mais pessoas tomarem consciência sobre a importância da natureza em suas vidas e no futuro de seus filhos, mais e mais se engajarão. A mudança sempre começa com a gente.

OGlobo

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