As lianas são trepadeiras lenhosas muito comuns em florestas tropicais. Os primeiros estudos sobre a espécie são antigos, Darwin já escrevia sobre elas em 1865, mas após longo período sem despertar atenção de pesquisadores, o interesse pela espécie retornou recentemente, quando cientistas de todo mundo voltaram os olhos para as lianas a fim de entender seu real papel na dinâmica das florestas.

Importância da inclusão de lianas nos planos de manejo florestalA pesquisadora brasileira Márcia Cléia Vilela dos Santos, bióloga orientada pelo Professor Drº Domingos de Jesus Rodrigues, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) campus Sinop, realiza pesquisa de doutorado em Ecologia e Conservação da Biodiversidade sobre a dinâmica dos cipós na Amazônia mato-grossense. “Temos notado que a densidade na Amazônia Meridional está próxima à de outras florestas com menor pluviosidade e a hipótese é que a ocorrência é maior em regiões de floresta com longos períodos de estiagem”, explica a pesquisadora.

Parte da pesquisa é realizada na Fazenda São Nicolau, em parcelas que, juntas, somam 12 hectares. “Queremos conhecer os fatores ambientais que afetam a distribuição de lianas na Amazônia mato-grossense e entender a dinâmica da comunidade em termos de composição de espécies, espécies dominantes, biomassa e diversidade de espécies, em longo prazo”, diz a pesquisadora.

O estudo leva em conta não só a densidade de lianas, mas também a diversidade, ou seja, não só o quantos caules tem em 1ha mas também a identidades dessas plantas para entender como elas se comportam diante do manejo. Essa identificação é feita através da coleta de folhas e ramos que são encaminhados para a coleção e posteriormente montado um banco de dados com essas informações.

Importância da inclusão de lianas nos planos de manejo florestalAlém disso, a pesquisa ainda tem como objetivo averiguar como as lianas se comportam em relação ao sequestro de carbono. “Estudamos áreas com diferentes intensidades e tempo de manejo, e analisamos a contribuição das lianas na liberação de CO2”. Este estudo servirá como base para uma proposta maior de plano de manejo integrado “A ideia é que os cipós também sejam manejados em projetos de manejo florestal e também considerados como componentes florestais em inventários de Poços de Carbono”, explica Márcia. O estudo já rendeu um capítulo no livro Ecology of Lianas, um compilado de artigos de diversos países sobre lianas. A pesquisa de Márcia é realizada com parceria a pesquisadora do INPA, Professora Drª Flávia Costa e da pesquisadora da Universidade de Michigan, Professora Drª Robyn J. Burnhman.

Ela vive sobre outras espécies vegetais, em geral arbóreas. Devido à presença de uma mecha de garras, a espécie pode “escalar” qualquer superfície, subindo a altura de 9-10 metros, sendo observada em árvores, a mais de 15 metros de altura. Dependendo da região pode ser considerada uma espécie de folhagem sempreverde. Mas, observa-se que a espécie perde as folhas na época da seca, conferindo um tom ainda mais cinza à paisagem.
Durante a fase de crescimento e ascensão dos ramos, que pode corresponder a vários anos, não há florescimento, o que só vai acontecer com a ramagem madura e pendente, na primavera, quando forma uma vistosa cascata de flores amarelas com a ramagem sem folhas. A produção de flores pode variar entre os anos, em um ano a florada pode ser bastante intensa, mas no ano seguinte o número de flores pode se reduzir drasticamente. Talvez esta variação, esteja relacionada com o regime hídrico do ano ou com o estado nutricional da planta.

Adapta-se bem a diversos tipos de ambientes e não exige grande quantidade de água para o seu desenvolvimento. Pode ser cultivada em condição de pleno sol ou sombreamento parcial. O solo dever ser bem drenado, leve e com alguma quantidade de matéria orgânica. Entre a primavera e o final do verão, pode ser incorporado um pouco de esterco curtido próximo à base da planta.

Quanto utilizada como planta ornamental, é necessário efetuar poda para controlar o crescimento, que pode ser realizada no verão, após o período de florescimento. Por ser uma espécie nativa da flora do Brasil, é bastante adaptada à condições adversas e também à pragas e doenças.

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