Incerteza política faz dólar fechar a R$ 3,255, alta de 0,21%

  – Chris Ratcliffe / Bloomberg

SÃO PAULO – Incertezas políticas fizeram o dólar comercial ganhar força no final dos negócios, revertendo a queda registrada durante quase todo o pregão. A moeda americana fechou em alta de 0,21%, a R$ 3,255. Já o Ibovespa, principal índice de ações da B3 (ex-BM&FBovespa e Cetip), teve alta de 0,35%, aos 62.510 pontos.

Cleber Alessie, operador de câmbio da corretora H.Commcor, afirmou que essa alta é justificada por uma busca por proteção por parte do investidor. Há o temor de que as notícias políticas no final de semana possam agravar a crise política. Além disso, na próxima semana, ocorre a votação do pedido de cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

— Estamos caminhando para um final de semana de risco muito alto. Há muita incerteza no ar e por isso o investidor adota uma postura mais defensiva — afirmou.

A desvalorização no período da manhã foi estimulada pelo cenário externo. Segundo dados do Departamento de Trabalho, a economia americana criou 138 mil postos de trabalho em maio, abaixo dos 185 mil previstos. Na avaliação de analistas, esse dado sinaliza uma menor probabilidade do Federal Reserve (Fed, o bc americano) elevar os juros mais de três vezes nesse ano – uma alta já foi realizada e a próxima deve ocorrer neste mês. A taxa está entre 0,75% e 1% ao ano. Para economias emergentes, isso significa menor risco de saída de recursos de estrangeiros. “O número pode gerar uma maior incerteza para o Fed tomar suas decisões de política monetária”, afirmaram os analistas da Yield Capital.

A moeda americana perde força em escala global. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede o comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, recua 0,53%.

BOLSA EM ALTA

Na avaliação de Eduardo Velho, economista-chefe da INVX Global Capital, apesar da incerteza política, os mercados ainda esperam a aprovação das reformas e por isso a volatilidade diminuiu.

— A pressão continua forte sobre o governo, mas a avaliação é que a situação vai se resolver no curto prazo e que as reformas em algum momento serão aprovadas, mesmo que demore um pouco mais — avaliou.

Na B3, o pregão também foi de influência externa. O petróleo opera em queda – o Brent cai 1,13%, a US$ 50,06 o barril – com o temor de que saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris leve a um aumento da produção de petróleo em território americano. Com perspectiva de maior produção, os preços caem e pressionam as ações de petrolíferas. Ainda assim, os papéis da Petrobras conseguiram resistir a esse movimento. Os preferenciais (PNs, sem direito a voto) fecharam em alta de 1,75%, cotados a R$ 13,05, e os ordinários (ONs, com direito a voto) tiveram variação positiva de 1,47%, a R$ 13,74.

No caso da Vale, os papéís conseguiram recuperar parcialmente as fortes quedas dos últimos dois pregões. Os PNs tiveram leve alta de 0,19% e os ONs subiram 0,41%.

Também fecharam em alta os papéis da Cemig, com valorização de 2,68%. Ontem, a empresa anunciou um plano de venda de ativos para reduzir a sua dívida.

Fora do Ibovespa, as ações da OGX subiram 34,69% e as da OGX Participações 55,73%. Agora elas estão cotadas a, respectivamente, R$ 1,32 e R$ 4,75. A razão para a forte alta é que as empresas pediram o encerramento do processo de recuperação judicial, condição em que estão desde outubro de 2013.

Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail.

TROCAR IMAGEM

Quase pronto…

Acesse sua caixa de e-mail e confirme sua inscrição para começar a receber nossa newsletter.

Ocorreu um erro.
Tente novamente mais tarde.
Email inválido. {{mensagemErro}}

OGlobo