Minério paraense é negociado em cerca de 100 dólares a tonelada

A mineradora multinacional Vale é só felicidade com o minério de ferro extraído das serras Norte (Parauapebas), Sul (Canaã dos Carajás) e Leste (Curionópolis) de Carajás. É que o produto dessas minas é considerado “premium”, em razão de ostentar teor superior a 65% de pureza, bem acima do produto de referência do mercado, que é 62% e, no mais das vezes, precisa passar por misturas para alcançar padrão mediano.

Embora, para os municípios produtores, seja 62%, seja 65%, tudo é a mesma coisa, para a Vale, cada 1% acima do padrão é sinal de muito lucro. Nesta quarta-feira (7), enquanto o minério de referência (62% de teor) é comercializado em torno de 75 dólares a tonelada, o produto de Carajás (65% de teor) com o mesmo peso é negociado em torno de 100 dólares. A mineradora fatura um prêmio, a cada trimestre mais suculento, pela excepcional qualidade do produto de Carajás.

Teor que chega a 66%

Para se ter ideia da importância dos três municípios paraenses nas transações comerciais da multinacional, eles estão 20% acima do teor do minério apurado em Minas Gerais. Em Parauapebas, o teor chega a 66%; em Canaã, 65,5%; e em Curionópolis, 65,4%. As minas do chamado Sistema Norte da Vale, que é sua concepção territorial de Carajás, têm juntas teor médio de 65,5%.

Em Minas Gerais, por outro lado, nenhum dos dois sistemas de lá (Sul e Sudeste) é páreo. Em Itabira, o teor atinge apenas 45,6%, enquanto em Mariana é ainda mais baixo: 44,3. Em Itabirito, o teor é de 45%, mas é a mina de Paraopeba a de melhor teor: 60,4%. Na média, o Sistema Sudeste tem teor de 45,9% e o Sistema Sul, 46,7%.

Aqui no Pará, especificamente em Parauapebas, a recuperação do minério por tonelagem de reserva em Serra Norte chega a incríveis 96,1%, enquanto em Curionópolis o produto de Serra Leste atinge 99,2% de recuperação. Mas em Canaã dos Carajás a recuperação da commodity da Serra Sul é ímpar: 100%. Nada em Minas Gerais chega próximo. As informações constam do Relatório Anual da Vale encaminhado em abril deste ano à Bolsa de Valores de Nova Iorque para prestação de contas.

Bons ventos em 2019

De olho no filão de Carajás, a China, que sustenta a forte demanda da Vale, quer minério “premium” para atender a políticas ambientais internas, já que o produto paraense dispensa muitos esforços na transformação em aço e, por isso, seu processo emite menos gases poluentes na atmosfera. Em declarações publicadas pela Reuters, o diretor-executivo de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Luciano Siani, destacou que os preços do minério de ferro de alta qualidade vendido pela empresa deverão continuar robustos em 2019, acima dos 90 dólares por tonelada, com a mineradora tirando proveito de grandes prêmios que Carajás proporciona.

“O que vai definir a demanda por minério de ferro é a continuidade da urbanização, dos investimentos em infraestrutura da China, da produção de automóveis, maquinário”, esclareceu Siani, acrescentando que o governo do país asiático tende a estimular a demanda interna para dar impulso à economia. A campanha da China em busca de reduzir a poluição, cortando produção de siderúrgicas mais poluentes, aumentou a procura pelo produto de Carajás e, assim, beneficiou Vale.

Apesar das boas perspectivas, as prefeituras dos municípios mineradores não saboreiam dos prêmios conquistados pelo teor excepcional do minério de Carajás. A prioridade da multinacional são seus acionistas, que recebem bonificações colossais. Se o efeito dos prêmios chegasse às prefeituras, estas faturariam 11% a mais em royalties, por exemplo.

O consolo está no aumento da demanda, que promete ser firme e crescente, com os municípios de Carajás sendo protagonistas pelo que produzem e coadjuvantes pelo que recebem.

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