Mulheres podem ter papel fundamental no desafio de restaurar quase 2 milhões de hectares de florestas no Pará

Experiências vividas em outros países e projetos envolvendo mulheres e restauração de florestas em outros biomas foram discutidos nesta terça-feira (08) por acadêmicos, gestores de instituições ambientais, estudantes, representantes de ONGs ligadas ao meio ambiente e pesquisadores durante Seminário Internacional Clima, Gênero e Restauração Florestal, promovido pelo WRI Brasil, com apoio da Aliança pela Restauração na Amazônia.

“Já estamos vivendo alterações climáticas e situações críticas. As mulheres do campo em particular são as populações mais vulneráveis”, lembrou Rachel Biderman, diretora-executiva do WRI Brasil, na abertura do seminário, realizado na Embrapa Amazônia Oriental, em Belém.

Uma em cada quatro famílias rurais é chefiada por mulheres, que já têm presença na coleta de sementes e produção de mudas na Amazônia. De acordo com o Secretário de Municípios Verdes do Pará, Justiniano Netto, o potencial de restauração florestal no estado é grande: cerca 1 milhão de hectares de Reserva Legal (vegetação nativa obrigatória em propriedades privadas)  e 800 mil hectares de Áreas de Preservação Permanente (margens de rios e lagos, topos de morros, etc), que não têm a opção de compensação em outras áreas.

Se o papel das florestas no equilíbrio climático é bem conhecido do ponto de vista das emissões causadas pelo desmatamento, “o outro lado da moeda, a agenda positiva que é a absorção, sequestro de carbono e o plantio florestal é uma atividade que o Brasil não se deu conta,” afirmou Biderman. E além de ajudar no orçamento familiar, o negócio da restauração pode abrir portas para reduzir a desigualdade histórica das mulheres rurais.

Os estudos sobre o papel feminino na cadeia da restauração ainda são poucos e é preciso aprofundamento no mapeamento. O assunto foi tema de uma das oficinas realizadas durante o seminário, no qual Kathleen Buckingham, especialista de Florestas do WRI, ensinou como identificar redes e atores para a restauração florestal.

O Senior Fellow do WRI e Coordenador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia e Mudanças Climáticas, Carlos Nobre, ressaltou que no Brasil, hoje, as mulheres ultrapassam os homens em todas as faixas no quesito educação, mas que no Pará, ainda ganham 70% da renda média dos homens, mesmo sendo mais educadas. Nobre defende uma terceira via, além da conservação e da ocupação desornada da Amazônia: “Juntar inovações da quarta revolução industrial com ativos biológicos”. Ele cita, por exemplo, a biodiversidade amazônica. Com 16 mil espécies de árvores, até pouco tempo não tinha uma espécie comercial de valor. E acredita que a restauração possa ser agregada aos Sistemas Agroflorestais. “Acabar com desmatamento não é suficiente. É preciso plantar também”, defendeu Birderman”, para quem a situação climática do planeta exige a aplicação de todas as alternativas conhecidas.

A ferramenta GHG Protocolo Agropecuário, criada pelo WRI Brasil para as condições tropicais do Brasil e que permite a produtores calcularem as emissões de carbono de suas propriedades, também foi apresentada. Um treinamento para pecuaristas e agricultores será realizado no dia 14/08, na 51ª Agropec (uma das maiores feiras agropecuárias do Pará), em Paragominas. As inscrições e a ferramenta são gratuitas.

As inscrições são limitadas e podem ser feitas no http://bitly.com/SeminarioWRI.

 

COMPARTILHAR