Pesquisadores transformam óleo extraído de bactérias em biodiesel

Pesquisas realizadas no Laboratório de Óleos da Amazônia (LOA), situado no Parque de Ciência e Tecnologia (PCT) do Guamá, e em parceria com laboratórios da Universidade Federal do Pará (UFPA), avaliaram o potencial de produção de biodiesel a partir de microrganismos de origem amazônica. Visando a redução de custos dos atuais combustíveis no mercado e a diminuição das consequências ambientais da utilização destes, o projeto teve como objetivo caracterizar os lipídeos (principal constituinte de óleos e gorduras) presente em cianobactérias coletadas no estado do Pará.

O trabalho liderado pelo o professor Dr. Luís Adriano Santos do Nascimento e a Doutoranda Deborah Terra de Oliveira foi publicado este ano em uma revista internacional, Fuel, com os resultados obtidos das suas pesquisas. Os organismos utilizados, as cianobactérias, são grandes alvos para pesquisas, pois possuem grande potencial biotecnológico. Esses organismos são um dos mais antigos da natureza e possuem metabolismo semelhante aos das plantas, tornando-o uma matéria-prima renovável, de baixo custo e que não compete com os alimentos, de maneira oposta a cana-de-açúcar e a soja, que também são utilizados para os mesmos objetivos.

Necessitando de poucos nutrientes para seu crescimento e luz solar como fonte de energia, a qual é bastante abundante na região amazônica, as cianobactérias geram biomassa, onde de 7 a 30% destas podem ser convertida em biodiesel de qualidade semelhante ou superior as de origem fósseis. Este combustível renovável, também chamado de cianodiesel, tem capacidade de diminuir os custos atuais do diesel e os problemas ambientais gerados a partir de sua utilização.

Logo, os pesquisadores concluíram que as cianobactérias amazônicas analisadas possuem lipídeos com propriedades favoráveis a produção de biodiesel de alta qualidade, podendo converter até 10% da biomassa coletada em combustível renovável. “Os resultados apresentados confirmam o grande potencial que as cianobactérias possuem para produtos biotecnológicos e as vantagens destes frente aos combustíveis atualmente no mercado. É também possível visualizar como a região amazônica e o Pará tem uma grande biodiversidade ainda a ser explorada” afirma Patrick Romano Monteiro, aluno de pós-graduação em Biotecnologia da UFPA.

O uso e a produção de biocombustíveis vem sendo incentivadas por diversos governos devido suas inúmeras vantagens. Porém, atualmente, a maioria destes combustíveis renováveis são provenientes de derivados agrícolas, o que preocupa especialistas devido a competição com o setor alimentício com possibilidade de escassez de alimentos. A substituição dos vegetais pelas cianobactérias amazônicas na produção do biodiesel será uma grande revolução para o setor de energia e para a região amazônica.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Texto: Patrick Romano Monteiro e Samuel Cavalcante do Amaral

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