TJLP é taxa de juros fora do lugar, diz presidente do BNDES

Paulo Rabello de Castro, presidente do BNDES – Jorge William / Agência O Globo

SÃO PAULO – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Paulo Rabello de Castro, disse nesta terça-feira que veio em “boa hora” a discussão sobre a substituição da Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) pela Taxa de Longo Prazo (TLP).

— A TJLP é uma taxa de juros estruturalmente fora do lugar. O banco atua compensando essas distorções da economia brasileira — disse Rabello de Castro, que participou de um seminário de crédito a micro, pequenas e médias empresas na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

A TLP, se aprovada, deverá seguir a variação média dos últimos três meses do título de dívida pública NTN-B. A medida provisória (MP) que trata da troca da TJLP pela TLP ainda precisa ser aprovada em comissão especial e passar pelos plenários da Câmara e do Senado até 6 de setembro para não perder a validade.

Durante o evento, o presidente do BNDES disse que a atuação do banco é responsável por mais de 30% de todo o superavit primário (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida pública) desde 2006 e que essa é a conta a ser feita quando se alega que o banco empresta em TJLP.

— Sim, o dinheiro vai com TJLP, mas ele não volta TJLP, ele volta em TJLP mais o filho e o neto, mais o dividendo e mais o tributo decorrente das taxas de administração cobradas pelo banco. A conta correta do fomento acaba sendo a taxa ativa do banco e não a taxa passiva pela qual ele toma emprestado — finalizou.

No mesmo evento, o presidente da Federação da Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, considerou inoportuna a discussão sobre a adoção da TLP no lugar da TJLP, segundo ele, porque os 7% (via TJLP) cobrados hoje, na verdade, se transformam em 20% do valor que uma empresa toma do BNDES.

INCENTIVO AO CRÉDITO

Na reunião sobre crédito, o presidente do BNDES disse que os desembolsos da instituição devem atingir R$ 100 bilhões por ano e que espera contar com a concessão de financiamento, principalmente às micro, pequenas e médias empresas, um “segmento abandonado”, segundo ele.

— E esses R$ 100 bilhões tem que crescer em cima desse grande universo abandonado de micro, pequenas e médias empresas. Abandonado pela macroeconomia madrasta que nós temos, por conta daquela tesoura de juros e tributos, e abandonado pelas condições difíceis de competição que nós mesmos nos impomos por uma burocracia extraordinária — defendeu.

Newsletter

As principais notícias do dia no seu e-mail.

TROCAR IMAGEM

Quase pronto…

Acesse sua caixa de e-mail e confirme sua inscrição para começar a receber nossa newsletter.

Ocorreu um erro.
Tente novamente mais tarde.
Email inválido. {{mensagemErro}}

OGlobo