Tradução de currículo para o inglês requer cuidados nos mínimos detalhes

Conteúdo deve respeitar hierarquia praticada nos países – FreeImages

RIO – Apesar de dominar o inglês, receber a missão de fazer um currículo no idioma foi um desafio e tanto para a engenheira de produção Jéssica Paiva. Quando aconteceu pela primeira vez, ela ainda era estagiária de uma multinacional, e a demanda partiu de seu próprio chefe. O objetivo era candidatá-la a uma vaga interna.

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— Meu gestor me orientou sobre como fazer, mas precisei fazer algumas pesquisas na internet. Levei uns três dias para concluir — relembra ela. — Foi mais difícil do que imaginava, porque não basta simplesmente traduzir. É preciso apresentar as informações específicas de cada área, de modo que faça sentido para um recrutador estrangeiro.

As dificuldades de Jéssica são comuns à rotina profissional de muitos brasileiros. Afinal, várias empresas já pedem o material em inglês (até mesmo para vagas no Brasil), e fazer apenas uma tradução literal da apresentação pode fechar portas. Um currículo bem produzido em outro idioma precisa obedecer a especificidades que vão do critério com o vocabulário à disposição das informações, como as dicas listadas pelo Aba English abaixo.

No caso de Jéssica, ela continuou a ajustar o conteúdo ao longo dos anos. Hoje aluna da pós-graduação em Gestão Empresarial da Universidade Veiga de Almeida, ela já chegou a um modelo ideal.

— Passei a comparar com as produções de colegas e ler mais sobre o tema. Fiz até um workshop sobre o assunto, num curso de business em Londres — diz ela.

Quem avisa é a gerente de treinamento da Cultura Inglesa, Valéria França: ao fazer a tradução de um currículo, um candidato precisa ter certeza de que a mensagem original será preservada com o mesmo grau de ênfase e clareza do português.

— Fazer uso de uma ferramenta de tradução, por exemplo, pode parecer uma opção fácil. Porém, além de correr o risco de conter erros nos termos técnicos, o maior perigo está na sintaxe da frase, isto é, na ordem das palavras. Vários tradutores automáticos ainda apresentam uma certa dificuldade com frases mais complexas. Então, quem ler o material identificará imediatamente que a tradução foi feita dessa forma. Numa primeira avaliação, isto já pode pôr em xeque o domínio a língua inglesa — alerta Valéria.

  • Tradução Foto: Pixabay

    Evite tradução literal

    Traduzir do português para o inglês de forma literal prova que o seu nível de conhecimento do idioma é mínimo, o que pode ser determinante na hora de selecionarem ou não o seu currículo. Tenha certeza de como cada informação é formalmente trabalhada no idioma

  • Sem foto Foto: FreeImages

    Sem fotografia

    A menos que a seleção exija expressamente a inclusão de uma fotografia do candidato no material de apresentação, os modelos utilizados no Reino Unido e nos Estados Unidos não costumam incluir este tipo de informação. Adicioná-la não vai impressionar o recrutador

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    Não acrescente dados pessoais

    Em determinados mercados, especialmente no americano e no britânico, os currículos não incluem nem a data de nascimento, nem o estado civil do candidato, para respeitar a legislação contra a discriminação. O que não pode faltar é um contato de celular e um endereço de e-mail

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    Utilize uma linguagem apropriada

    Recorra a verbos de ação ao redigir o texto, mostrando mais profissionalismo e rigor (analyzed, coordinated, led, organized, supervized), evitando a repetição do pronome pessoal (eu) e alternando o início dos parágrafos com o verbo no gerúndio ou no passado particípio

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    Comece com um resumo

    No início do currículo, acrescente um parágrafo de três a cinco linhas que descreva o seu perfil profissional e a experiência anterior. Este texto inicial será a sua carta de apresentação. Portanto, tenha muita atenção com a organização das frases e os termos escolhidos

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    Experiência e formação em ordem decrescente

    No Reino Unido e nos Estados Unidos , tanto a experiência como a formação devem ser enumeradas de forma decrescente. Ou seja, deve começar pelas experiências ou funções mais recentes até chegar às mais antigas. Isso também é praxe no Brasil, mas muita gente ainda deixa passar

  • Currículo Foto: FreeImages

    Mantenha uma estrutura

    Divida o currículo em seis partes: dados pessoais (personal details); resumo (summary); experiência profissional (work experience); formação acadêmica (education); idiomas e outras competências (language & professional skills); e outras informações e interesses (other information & interests)

  • Mentir Foto: Pixabay

    Nunca invente competência

    É comum candidatos incluírem experiências, títulos ou níveis de conhecimento de idiomas elevados. Mentir quanto ao grau de domínio do inglês, dizendo que é fluente, por exemplo, é uma má estratégia, pois isso pode ser descoberto com apenas uma chamada telefônica<EP>

  • papéis Foto: Pixabay

    Limite-se a no máximo duas páginas

    A extensão máxima de um currículo em inglês deve ser de duas páginas. Uma boa estratégia para sintetizar o conteúdo é incluir apenas as experiências e os cursos que valorizem a candidatura a que se propõe. Apresentações exageradas podem diminuir o interesse pelo candidato

  • Lupa Foto: Pixabay

    Sempre revise antes de enviar

    Antes de enviar o material, verifique-o uma última vez, lendo tudo com muito cuidado, mesmo que já tenha feito isso algumas vezes. Caso tenha dúvidas com alguma tradução, peça a um especialista da língua para rever o texto. Não se esqueça de que pequenas falhas fazem toda a diferença

Segundo ela, também é comum os brasileiros não levarem em consideração algumas particularidades, como o formato de datas (mês/dia em inglês) e o uso de vírgula no lugar do ponto ao escrever numerais, como 1.000,00 (português) e 1,000.00 (inglês).

E embora o mundo executivo tenha um padrão genérico de currículo, a redação acaba seguindo padrões locais, destaca Valéria. Por isso, ela sugere ao candidato que faça uma busca na internet por modelos na língua inglesa dentro da área de atuação. Isso já ajuda a compreender quais palavras-chaves devem ser usadas, como fazer referência às qualificações obtidas e, o mais importante de tudo, como estruturar o currículo.

— Sabemos que algumas expressões são usadas no mercado mas, muitas vezes, estas foram utilizadas com tanta intensidade que não chamam mais a atenção. É o caso de se classificar como um “team player” (trabalha bem em equipe) ou “self-driven” (auto-motivado). Todos escrevem isso. O ideal é demostrar estas habilidades de forma mais contextualizada e criativa — enfatiza ela.

Já a coordenadora acadêmica do curso de Analista em Recursos Humanos da Fundação Getulio Vargas, Anna Cherubina Scofano, lembra que não se utiliza sexo, estado civil, filhos e outros dados de ordem pessoal nas versões em inglês.

— Bastam nome, contato, e-mail e endereço — resume ela. — É bom que sejam citados hobbies, experiências fora do país, períodos sabáticos, intercâmbios e cursos extracurriculares na área de interesse. As participações voluntárias são bem-vindas. E atenção: replique na sua página no LinkedIn.

Outro ponto sensível é nome de instituições, que jamais devem ser traduzidos, como acrescenta o gerente da consultoria de contratação Page Personnel, Lucas Oggiam. Além disso, a nomenclatura dos cursos merece cuidado redobrado.

— Às vezes, os nomes são diferentes. Administração pode não ser compreendido como “administration”, mas “business”, por exemplo — diz ele.

Com os nomes dos cargos acontece o mesmo. Segundo Oggiam, a categoria “pleno” é uma particularidade do Brasil, enquanto os demais países se restringem a “junior” e “senior”. Então, o candidato precisa encontrar um termo que defina exatamente a sua posição em cada experiência.

— Quando não há, vale a aproximação e aproveitar para mostrar bem o que fez ao descrever as atividades — finaliza ele.

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