Avanço do desmatamento está secando fronteira agrícola na Amazônia e no Cerrado

Pesquisadores do Cemaden usaram uma combinação de dados meteorológicos e de satélites para analisar mudanças nas variáveis hidrológicas e climáticas na fatia tropical da América do Sul entre 1981 e 2020. Descobriram que as maiores tendências de aquecimento e seca observadas nesse período ocorreram na região de transição entre o leste da Amazônia e o Cerrado, onde fica a nova fronteira agrícola brasileira, responsável por 12% da soja produzida no país.

Nas últimas quatro décadas, a região de transição Amazônia-Cerrado passou por uma significativa tendência de aquecimento entre os meses de julho e outubro. Isso fez com que a estação chuvosa atrasasse, e agravou as condições de seca severa na última década. Motivo: a combinação do desmatamento com a crise climática.

“As condições atuais já mostram que essa região de transição entre a Amazônia e o Cerrado está sofrendo os impactos do uso da terra para expansão do agronegócio e também das mudanças climáticas”, explicou José Marengo, coordenador-geral de pesquisa do Cemaden e primeiro autor do estudo à Agência FAPESP. “No futuro, eventos como o El Niño de 2015-2016 podem ser mais intensos. Por isso, é preciso começar a implementar medidas de adaptação para mitigar os impactos das mudanças climáticas naquela região, como redução do desmatamento da Amazônia e de mudanças do uso no MATOPIBA”, aponta Marengo. “Se nada for feito, a produção agrícola vai cair porque é fortemente dependente do clima”, afirmou o pesquisador.

O estudo, que contou com a participação de pesquisadores do INPE e das universidades de Valência, na Espanha, e de Grenoble, na França, foi publicado na revista científica Nature.

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