Círio de CARAPARÚ

A Vila de Caraparú, localizada no município de Santa Izabel do Pará, , a cerca de 43 km da capital Belém, é conhecida por abrigar uma das mais bonitas festas religiosas do estado, o Círio Fluvial em homenagem a Nossa Senhora da Conceição, que acontece no próximo dia 8 de dezembro. Os moradores, estão se preparando, há dois anos, para uma grande festa. Este ano, o Círio completará 100 anos de realização de devoção e fé da comunidade.
O percurso da procissão, dura em torno de duas horas, saindo da vila para uma pequena capela, localizada na Vila do Cacau, onde é celebrada uma missa, que, em seguida, retorna à Igreja no Caraparú. No trajeto, várias canoas, com promesseiros, acompanham a Imagem, que são transportadas em uma barca, levada por cerca de quinze marinheiros, e, ao chegar na orla da vila, é feita uma romaria pelas pequenas ruas da comunidade, finalizando na igrejinha central.
Mais não é só das comemorações do Círio, que vive a comunidade. O turismo, é um dos meios comerciais do vilarejo, que, nos finais de semana, atrai gente de todos os lugares, para conhecer as maravilhas da Vila de Caraparú.
No entanto, muitos destes encantos, podem perder sua beleza, porque, onde antes, um grande rio navegável passava, hoje se resume praticamente em um igarapé. Mesmo assim, conhecido como rio Caraparú, encanta com sua beleza. Cercado pelo que ainda resta de mata, com suas águas escuras, cheio de curvas, e, uma correnteza suave, deixa maravilhado, quem visita o lugar.
Sengundo alguns moradores mais antigos, no passado, o rio servia de rota para comerciantes que vinham de outras localidades e da capital, trazendo mercadorias para serem comercializadas na cidade e vilarejos próximos.
Ainda de acordo com eles, a nascente do rio, que fica na Vila de Americano, desce cortando o município de Santa Isabel, até desembocar no Rio Guamá. Bonito, por ficar no meio do que ainda existe de floresta, e, cheio de beleza, hoje, sofre com as mudanças climáticas, e principalmente, pela depredação do homem, que vem destruindo grandes áreas com desmatamentos e queimadas, que, aos poucos, tem afastado o que ainda resta de vida animal na mata.
Atualmente, em boa parte da extensão do rio já se tornou apenas em uma lâmina d’água, podendo, em alguns trechos, se caminhar no meio dele com a água cobrindo apenas os pés. Tal cenário causa dor aos moradores e visitantes do local, tradicionalmente conhecido por suas belezas naturais, onde um dia, foi considerado um dos balneários mais procurados da região, e, com a seca, poucas pessoas ainda visitam o lugar, causando prejuízos aos comerciantes locais.
Quanto à realização da procissão fluvial do círio, a coordenação diz que, mesmo que o rio esteja seco ou baixo, a procissão se realizará, nem que tenham que puxar a barca que carrega a berlinda da santa, mais a procissão se realizará. “Não importa do jeito que estiver, nossa devoção a Nossa senhora da Conceição é muito maior, vamos realizar nossas homenagens a ela com o rio cheio ou seco”, disse uma das coordenadoras da festa.
Wilson José Soares da Silva, 49, comerciante da vila, e um dos defensores das tradições de Caraparú, disse que é triste ver o rio daquele jeito, mais que acredita na natureza para recuperá-lo. “Nasci e me criei aqui, já vi o rio baixar e subir várias vezes. Dizia esperançoso.
É também Wilson que conta que antigamente os moradores viviam da produção de farinha e de carvão, além da pesca, mas, com o passar do tempo, foram vendendo suas terras para grandes fazendeiros, e perdendo a identidade comercial do lugar, hoje, praticamente, se vive do pequeno turismo que se faz na vila, principalmente nos finais de semana e feriados, quando muitas pessoas procuram a vila para fazerem piqueniques, e passeios de barcos pelo rio.
Ao longo do rio, encontramos várias pessoas descendo ou subindo o rio, para ir em busca de um local onde ainda se possa pescar ou caçar alguma coisa. “Um dia, esse lugar já foi mais bonito, o rio era muito fundo, a gente pescava, caçava, tinha muito peixe, pássaros, caça, hoje…”, se emociona ao falar e ver a situação em que está ficando o lugar onde nasceu e vive hoje com sua família.

Texto: Cezar Magalhães.
Fotos: Cezar Magalhães e Flávio Contente-Imagem e Movimento.

Por: engenhariae.com.br

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