Enel vê potencial em offshore e hidrogênio, mas custos ainda são altos

Apesar de ver o Brasil com grande potencial nas eólicas offshore e no hidrogênio verde, o Country Manager da Enel no Brasil, Nicola Cotugno, avalia que o fator financeiro ainda é preponderante. Em conversa com jornalistas após o lançamento do estudo “Caminhos para a Transição Energética no Brasil”, o executivo revelou que a empresa tem obrigação de buscar os recursos mais econômicos e a eólica offshore tem custos e manutenção mais caros. “Hoje temos alternativas mais baratas e nossa missão é fornecer energia a um preço o mais baixo possível”, explica.

O executivo acredita que no futuro o Brasil poderá produzir e exportar H2 ou amônia verdes para a Europa ou Japão, caso em alguma região a equação financeira de uma eólica offshore chegue a um valor competitivo. Ele conta que hoje o custo da tecnologia para produção do hidrogênio é alto, o que o inviabiliza. O energético verde é definido por Cotugno como um vetor e não uma fonte de energia, já que se usa uma fonte de energia para criar hidrogênio. O executivo elogiou as movimentações do governo em direção a novas tecnologias como eólicas offshore e o próprio H2 verde.

Na transição energética, tema que a empresa desenvolve estudo com a Deloitte, o Brasil é classificado pelo Country manager como privilegiado, já que os pontos de partida para a descarbonização são os recursos eólicos e solares, que há em excesso por aqui. “Temos em abundância, por quantidade e eficiência”, comenta. Para ele, a transição aparece como uma oportunidade de mudar a sociedade e trazer um resultado que alia mais digitalização, oportunidades e empresas mais fortes. O Brasil aparece como o país da região com mais capacidade de desenvolver indústrias. “Ser ativo nessa transição energética é importante para desenhar o futuro industrial e econômico do país”, ressalta.

Cotugno avalia que hoje todos entendem mais o que deve ser feito sobre a transição e as empresas estão internalizando a sustentabilidade nas suas estratégias como linha fundamental de desenvolvimento. “O Brasil é sensível a isso”, aponta. Mas salienta que os esforços devem ser coordenados, já que a solução não passa por apenas uma empresa, devendo ser dividida com os vários atores. O líder da Enel dá como exemplo a mobilidade elétrica, em que deve haver o engajamento não só da fabricante do veículo, mas da operadora e do governo local no tema, de modo que uma solução seja construída. “Temos que buscar com quem fazer. É fundamental a ideia do trabalho conjunto, trabalhar de forma aberta é fundamental para acelerar”, avisa.

Em Santiago, no Chile, a Enel X fornece infraestrutura para uma frota de ônibus elétricos da operadora Metbus. O movimento vem se expandindo para outros países da América Latina, como a Colômbia e o Brasil. Em 2020. o país anunciou a meta de ter todo seu transporte público eletrificado até 2040.

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