A FAPESP lançou ontem (14/10) a segunda chamada de propostas para a criação de Centros de Pesquisa Aplicada em Inteligência Artificial (CPAs-IA), em colaboração com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), o Ministério das Comunicações e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

Propostas serão recebidas até 1º de fevereiro de 2022. A iniciativa integra o Programa FAPESP de Centros de Pesquisa em Engenharia/Centros de Pesquisa Aplicada, que oferece apoio para a criação em universidades ou institutos de pesquisa de centros de pesquisa em parceria com empresas.

Na nova chamada, serão selecionados até dois centros para o desenvolvimento de pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação orientadas à resolução de problemas com o uso de inteligência artificial. Um dos centros terá como foco a segurança de informação e segurança cibernética e o outro, com uma agenda mais ampla, desenvolverá pesquisa sobre aprendizado de máquina, redes neurais e robótica, entre outras tecnologias. Um dos centros será sediado no Estado de São Paulo e o outro deverá ter sede em outro Estado.

A composição de cada CPA-IA inclui os pesquisadores de sua instituição-sede e, obrigatoriamente, de ao menos mais três Instituições de Pesquisa em Ciência e Tecnologia (ICTs) de outras unidades da Federação. Também deve apresentar ao menos uma parceria bem estabelecida com uma ICT internacional com relevante atuação no tema de inteligência artificial.

A FAPESP reservará um total de até R$ 20 milhões para a implementação da chamada. Por sua vez, cada CPA-IA pode pleitear junto à Fundação um orçamento de no máximo R$ 1 milhão por ano, sendo que a empresa parceira deverá realizar aportes equivalentes.

Os recursos para o financiamento dos projetos têm origem na arrecadação de recursos remanescentes do período em que a FAPESP geriu as atividades de registro de domínio de endereços IP no país, entre 1998 e dezembro de 2005, quando então essa tarefa foi assumida pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br).

O edital, entretanto, não limita à FAPESP e à empresa parceira a composição do orçamento dos centros – serão valorizadas no processo de avaliação de propostas aquelas que apontarem a existência de financiamento de outras fontes, como outras empresas, Fundações de Amparo à Pesquisa estaduais e entidades do terceiro setor.

A chamada de propostas está publicada em: www.fapesp.br/15116.

Agenda nacional de tecnologia

O lançamento da segunda chamada de propostas foi realizado em evento do MCTI, com a participação do ministro Marcos Pontes, do secretário de Empreendedorismo e Inovação, Paulo Alvim, e do secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão. Participaram on-line o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo, Carlos Américo Pacheco, e o diretor científico da Fundação, Luiz Eugênio Mello, além de três representantes do CGI.br: Márcio Migon, coordenador; Demi Getschko, conselheiro; e Hartmut Glaser, secretário-executivo.

“Em todo o mundo os países estão fazendo agendas nacionais de tecnologias de inteligência artificial. Estamos provendo o país com recursos para essa retomada”, afirmou Zago.

Mello lembrou que na primeira chamada foram submetidas 19 propostas, avaliadas entre outubro de 2020 e março de 2021.

“Foram 80 pareceres, incluindo os de consultores internacionais. A expectativa era selecionar quatro projetos, mas, ante a qualidade das propostas, a FAPESP, o MCTI e o CGI.br decidiram selecionar seis, em São Paulo e em outros Estados, nas áreas de saúde, indústria, agropecuária e cidades inteligentes”, contou o diretor científico da FAPESP.

Pacheco sublinhou que os centros de pesquisa em inteligência artificial também estarão voltados à formação de recursos humanos qualificados em vários níveis. “A deficiência de quadros é gigantesca. Espero que os proponentes sejam desafiados a fazer alianças regionais capazes de apresentar um plano de dimensão nacional na formação de recursos humanos”, disse.

“Ressalto a importância da parceria com a FAPESP e com o CGI.br para dar continuidade a programas estratégicos”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações.