Desde o último domingo (10), indígenas da Terra Indígena (TI) Mãe Maria, no sudeste do Pará, bloqueiam um trecho da Estrada de Ferro Carajás, via que liga o Pará ao Maranhão. O protesto ocorre devido a um suposto avanço da mineradora Vale sobre 500 metros do território indígena, impactando a área de subsistência das comunidades locais.
A paralisação da ferrovia, que tem 892 km de extensão, suspendeu o tráfego de passageiros e cargas. Segundo a Vale, cerca de 1.300 pessoas são afetadas diariamente, além de 60 trens que transportam minério de ferro e combustível que deixaram de circular na região.
A ferrovia, construída nos anos 1980, já era alvo de disputas desde sua implantação, quando a TI Mãe Maria foi homologada para abrigar quatro povos indígenas. Os indígenas afirmam que aguardam há mais de um ano um posicionamento da empresa sobre a ocupação da área e cobram uma alteração do trajeto ou compensação territorial, com a aquisição de terras equivalentes nos arredores.
De acordo com Kate Parkatejê, cacique da aldeia Parkatejê, “Nós estamos nos posicionando como donos da terra. Só sairemos daqui quando tudo for resolvido.” Outro líder indígena, Tutaxi Parkatejê, reforçou: “Nós não estamos aqui à toa, muito menos brincando. Somos os verdadeiros donos dessa terra.”
Os manifestantes instalaram tendas e iniciaram a construção de estruturas de madeira na área de bloqueio, localizada entre os municípios de Bom Jesus do Tocantins e Marabá. Com a interdição, passageiros podem remarcar bilhetes ou solicitar reembolso das passagens dentro de 30 dias.
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) enviou um representante ao local para dialogar com os manifestantes e acompanhar a situação.
Por outro lado, a Vale emitiu uma nota oficial alegando que cumpre integralmente todas as obrigações assumidas com as associações indígenas, incluindo repasses financeiros mensais para as aldeias. Além disso, afirmou que adotará medidas cabíveis para a liberação segura da ferrovia.
A mobilização indígena continua enquanto não houver uma solução definitiva. O MPF segue com as investigações para avaliar se houve irregularidades no licenciamento ambiental e na ocupação da área pela Vale.
O protesto reforça a crescente tensão entre comunidades indígenas e grandes projetos de mineração na Amazônia, evidenciando a luta dos povos originários pelo reconhecimento e respeito a seus territórios. O desenrolar dessa disputa poderá definir novos precedentes para conflitos envolvendo megaprojetos e direitos indígenas no Brasil.
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