Fiocruz colabora com teste inovador canadense para zika

Artigo publicado na Nature Biomedical Engineering, na última segunda-feira (7/3), revela o potencial do uso de biossensores sintéticos em testes rápidos, descentralizados e de baixo custo para diagnóstico de pacientes infectados com o vírus zika. O estudo foi liderado por cientistas da Universidade de Toronto (CA), que desenvolveram os sensores e a plataforma digital portátil onde as amostras são processadas e contaram com a parceria de pesquisadores da Fiocruz Pernambuco na validação dessa técnica, usando amostras de pacientes do Recife (PE). Trata-se de um dos primeiros ensaios de campo a aplicar biologia sintética no diagnóstico viral em amostras de pacientes.

Equipe da Fiocruz Pernambuco foi escolhida para representar o Brasil nessa parceria por sua expertise demonstrada durante a epidemia de zika ocorrida em 2015/2016 (foto: Livia Guo, LSK Technologies)

A sensibilidade e a especificidade do novo teste foram equivalentes à PCR em tempo real, que hoje é o padrão ouro para a detecção desse e de outros vírus. A acurácia dos resultados ficou em 98,5%, com um total de 268 amostras de pacientes analisadas. Um importante avanço tecnológico do estudo foi o desenvolvimento do equipamento PLUM, que é o leitor de placas com temperatura controlada, portátil e de baixo custo (aproximadamente US$ 500), que funciona praticamente como um “laboratório em uma caixa” e pode ser utilizado inclusive em regiões remotas e com poucos recursos.

O pesquisador da Fiocruz Pernambuco Lindomar Pena, coordenador da etapa brasileira da pesquisa, destaca a abordagem inovadora da técnica utilizada, com redes de genes sintéticos, que não dependem de cultivo em células. “Trata-se de uma tecnologia revolucionária, que por meio dessa iniciativa pudemos incorporar ao conhecimento científico disponível no Brasil”, declarou. Como a plataforma é programável, poderá ser aplicada no reconhecimento de outros patógenos, inclusive o novo coronavírus, o que já é objeto de um novo estudo coordenado por Pena.

A sensibilidade e a especificidade do novo teste foram equivalentes à PCR em tempo real, que hoje é o padrão ouro para a detecção desse e de outros vírus (foto: Livia Guo, LSK Technologies)

“Mostrar que a plataforma pode ser transportada e detectar de forma precisa o vírus zika em amostras de pacientes é um significativo passo à frente para a criação de testes mais acessíveis e descentralizados”, diz o professor da Universidade de Toronto Keith Pardee, líder do projeto, que reúne cientistas de nove laboratórios, em cinco países (Canadá, Estados Unidos, Brasil, Colômbia e Equador).

A equipe da Fiocruz Pernambuco foi escolhida para representar o Brasil nessa parceria por sua expertise demonstrada durante a epidemia de zika ocorrida em 2015/2016, que se abateu de forma muito intensa sobre Pernambuco. A contribuição da instituição nos ensaios de campo dessa pesquisa interinstitucional envolveu os departamentos de Virologia e Terapia Experimental – onde Lindomar Pena atua e foram testadas as amostras de sangue, saliva e urina coletadas em humanos – e de Entomologia – onde a equipe liderada pela pesquisadora Constância Ayres realizou testes com amostras de mosquitos.

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