Para haver revolução da Sustentabilidade temos que ir além Inovação

Um Acordo de Cooperação Técnica para viabilizar a execução do Parque da Cidade, já considerado um dos mais importantes projetos arquitetônicos e urbanísticos para Belém, foi assinado na quarta-feira 11/11, em Brasília (DF), pelo governador do Pará, Helder Barbalho, e o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas. A secretária de Estado de Cultura, Ursula Vidal, e o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Nelson Chaves, participaram da audiência no Ministério da Infraestrutura.
Com o avanço da ciência da informação e das redes de comunicação através da internet, das redes colaborativas e projetos desenvolvidos dentro de institutos de pesquisa, universidades, organizações não governamentais e até mesmo de forma individual buscando alavancar produtividade, geração energia, emprego, renda e fomento da segurança nutricional dos alimentos são exemplos de tecnologias que vão muito além da inovação.

O Instituto de Estudos Sustentáveis e Tecnológicos da Amazônia – AmazôniaTEC é uma organização não governamental que atua desde 2016 propagando tecnologias sociais de forma online e offline visando gerar, disseminar e aplicar conhecimento científico e tecnológico e com isso promover a transformação da realidade social e econômica dos povos da Amazônia de modo sustentável e atento a isso o instituto acompanha as demandas das regiões mais remotas, como o alto custo de geração de energia, impactos ambientais e a questão logística que impactam diretamente a vida do produtor rural e segundo dados da Consultoria BCG (2021) na Índia entre os anos de 2014 e 2019 houve o investimento de US$ 1,7 bilhão em capital voltado a tecnologias agrícolas, já no Brasil estes dados ainda são difíceis de serem acessados pois existem uma seria de políticas públicas que funcionam de forma combinada, como bancos de fomento, incentivos para startups, entre outros.
Mas a proposta deste artigo não é falar sobre projetos indianos ou mesmo debater sobre a dificuldade ou facilidade de acesso a crédito pelo produtor rural e sim demonstrar como é possível realizar dentro da Amazônia ações de desenvolvimento social voltado a geração de energia e cuidados com o meio ambiente através da utilização de resíduos orgânicos que impactam diretamente na vida das pessoas que de forma eficiente vem gerando competitividade dentro de ambientes de preservação e até mesmo áreas remotas com baixo impacto ao meio ambiente e o cenário brasileiro de política agroambiental e as análises de impactos na produção dentro da Amazônia estão sendo construídos de forma independente por diversas instituições públicas e privadas, mas um fato importante é de que há necessidade de se apreciar os seguintes insights:
Especificidades
Mesmo vivendo no século XXI, o povo da Amazônia ainda tem hábitos e costumes de vida e trabalho que muitas vezes podem ser lembrados por historiadores como final do século XIX, início do XX, acesso precário a tecnologias, energia elétrica, técnicas modernas de cuidados agrícolas, saúde e educação básica, gerando com isso diferentes fases de maturidade em uma mesma região.
Utilização de Resíduos
Na Amazônia a questão dos resíduos é um grande problema, uma vez que as cidades não possuem um sistema de coleta seletiva eficiente, as indústrias têm uma logística reversa que deixa a desejar muitas vezes ao longo do processo e as propriedades rurais ainda não dominam as boas práticas e técnicas mais eficientes em seus processos produtivos.
Tecnologia Social
Quando o debate é sobre a questão agrícola na Amazônia brasileira o planejamento estratégico é necessário se levar em conta a questão do impacto social e ambiental que esta tecnologia de inovação vai trazer junto aos usuários, sejam eles quilombolas, indígenas, agricultores familiares etc. pois este modelo precisa ser necessariamente escalável, ou seja, de fácil replicação e com custo de instalação e utilização sustentável para o usuário.

Consumo
O mercado tem consumidor sofre impacto direto com a questão logística e em determinados territórios este impacto pode muitas vezes inviabilizar determinadas produções, desta forma existe a necessidade de cada vez mais propor de dentro para fora, ou seja, compreender a necessidade de consumo da região e adequar as boas práticas para esta demanda seja atendida pelos próprios produtores da região.
Quando os governos, entidades do setor privado e as organizações sociais conseguirem alinhar em suas estratégias de atuam as especificidades da das regiões amazônicas, focando na utilização de resíduos através da aplicação de tecnologias sociais e investindo em melhores formas de consumo a promoção dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU estão mais próximos de serem executados tanto no Brasil como no mundo.
PRODUTIVIDADE
NA AMAZÔNIA
Mas nem só os pequenos agricultores enfrentam vários problemas que limitam severamente sua produtividade e potencial de renda, ainda existe uma difusão limitada sobre boas práticas de seleção de resíduos, coleta de resíduos deficiente, acesso precário a crédito e insumos para investimento, logística e planejamento inadequados dentro das próprias cidades e centros urbanos. Então como trazer as boas práticas tecnológicas para dentro da casa das pessoas e das organizações públicas e privadas? A inovação e a transformação devem estar andando lado a lado visando está expansão.
O sistema de biodigestores apresentado pelo Instituto AmazôniaTEC é fruto de uma parceria internacional, que em sua menor escala proporciona a retirada uma tonelada de lixo orgânico do meio ambiente, gerando diariamente cerca de 3 horas de gás para cozinha, além de 10 litros de fertilizante líquido através de gotejamento, dando a destinação correta aos resíduos orgânicos através de uma forma de compostagem acelerada com um baixo impacto ao meio ambiente.

A Universidade Federal Rural da Amazônia – UFRA em seus três campis, Belém, Castanhal e Igarapé Açu, instalou 6 biodigestores para atender seus restaurantes universitários criando assim um modelo inédito de sustentabilidade na Amazônia, que inclusive pode acoplar a questão de pesquisa e extensão acadêmica dando oportunidade aos professores e acadêmicos da universidade realizar análises dos biofertilizantes e demais estudos que podem surgir a partir desta iniciativa.
Agora o setor privado também participa de ações de sustentabilidade e boas práticas de desenvolvimento como a Saudosa Maloca, localizada na ilha do Combú na região metropolitana de Belém, onde instalou quatro biodigestores gerando uma autonomia de mais de quarenta porcento de gás além de uma diminuição expressiva do gasto com transporte de resíduo orgânico para o continente, uma vez que hoje boa parte do material ao invés de ir para o lixo vai para os biodigestores que retroalimentam o processo, inclusive gerando o fertilizante para a pequena produção de hortaliças por parte do restaurante.
Agricultura cabana
para desenvolvimento
da Amazônia
Com o projeto “Agricultura Cabana” se propaga ações de sustentabilidade ambiental e financeira através da implantação de biodigestores em mais de cinquenta comunidades de Belém, Ananindeua, Marituba, Castanhal, Paragominas, Redenção, Altamira no Estado do Pará, comunidades estas vivendo em regiões remotas
Este projeto surgiu com o alinhamento de treze dos dezessete ODS da ONU para gerar trabalho e renda na comunidade, em paralelo à educação ambiental, com o gerenciamento do projeto e o manejo consciente de composto orgânico, realizando a capacitação de pessoas da própria comunidade realizando o trabalho de sensibilização e com isso diminuir a incidência de roedores na comunidade e, consequentemente, as doenças e mortes causadas por estes vetores, a promoção de ações com os moradores que participam do processo de uma gestão agricultura a partir da transformação dos resíduos em biofertilizantes, conhecido como adubo orgânico liquido, produzindo assim a possibilidade de alimentos com baixa ingestão de componentes químicos e garantindo a segurança alimentar e nutricional das famílias envolvidas realizando assim a promoção e a conscientização ambiental da comunidade quanto aos resíduos e sua valorização servindo como modelo de gestão comunitária e descentralizada de resíduos.
A produção agrícola é um dos fatores preponderantes na maioria dos países sul-americanos e no Brasil ela tem uma elevada participação na balança comercial, mas a produção agrícola é estudada na Amazônia ainda há muito a se considerar devido a produtividade de determinadas culturas, recuperação ambiental, impacto junto ao meio ambiente e a sociedade então levanta-se o questionamento muitas vezes se vale a pena se investir em sistemas agrícolas para pequenos agricultores.