Paraense pesquisa sobre hanseníase e vence prêmio na Bélgica

O doutorando em Doenças Tropicais, pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Josafá Barreto, recebeu o Prêmio Jovem Cientista pela melhor apresentação oral no tema“Epidemiologia e Controle”. A cerimônia de entrega aconteceu durante o International Leprosy Congress (Congresso Internacional de Hanseníase), ocorrido no mês passado, em Bruxelas, na Bélgica, que teve como tema “Hidden challenges” (Desafios Ocultos)
FOTO :JOSÉ PANTOJA
DATA :04-10-2013
MARITUBA-PARÁ

O doutorando em doenças tropicais pela Universidade Federal do Pará (UFPA) Josafá Barreto recebeu o Prêmio Jovem Cientista pela melhor apresentação oral no tema “Epidemiologia e controle”, durante o International Leprosy Congress (Congresso Internacional de Hanseníase), ocorrido mês passado, em Bruxelas, na Bélgica, com o tema “Hidden challenges” (“Desafios ocultos”).

O trabalho foi feito pelo Laboratório de Dermato-Imunologia (LDI) da UFPA, em parceria com a Universidade Estadual do Pará (Uepa) e a Unidade de Referência Marcelo Candia (URE Marcelo Candia), da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). A pesquisa de campo teve a participação direta dos servidores do Estado.

O congresso teve 900 participantes, de 83 países, e mais de 500 trabalhos foram apresentados. Segundo Josafá Barreto, este é um dos maiores eventos da área. “Esta premiação é o reconhecimento de um trabalho feito com muita dedicação, que envolveu a participação maciça de todos os profissionais envolvidos. O prêmio coloca a pesquisa paraense como destaque, além de mostrar que no Pará existem grandes trabalhos sendo desenvolvidos na área da saúde”, afirmou.

Iniciada em 2009, a pesquisa foi feita em oito municípios do Estado: Castanhal, Marituba, Paragominas, Breves, Redenção, Parauapebas, Altamira e Oriximiná. O objetivo foi examinar pessoas que foram afetadas pela hanseníase, seus contatos próximos e estudantes da rede pública de ensino fundamental e médio.

O estudo, denominado “Análise espacial focando na transmissão de hanseníase entre crianças de uma área hiperendêmica da Amazônia Brasileira”, foi orientado pelo professor Claudio Salgado, coordenador do LDI. O projeto também teve a participação de várias profissionais da área da saúde, inclusive de agentes comunitários de saúde dos municípios visitados.

Foram feitos exames clínicos dermato-neurológicos, coleta de sangue para sorologia antiPGL-1 e mapeamento dos casos notificados em cada município. Segundo Josafá Barreto, foram examinadas cinco mil pessoas, e 4% delas foram diagnosticadas com hanseníase.

Representantes da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) de Ribeirão Preto, do Instituto Lauro de Souza Lima, Colorado State University e Emory University também colaboraram como o trabalho. A pesquisa recebeu suporte financeiro de diversas instituições, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Saúde, Fundação Amazônia Paraense e Order of Marta.

Segundo dados oficiais da Coordenação Estadual do Programa de Controle da Hanseníase, no Pará foram registrados 3.862 casos novos da doença em 2012, o equivalente ao coeficiente de detecção de 49,37 para cada 100 mil habitantes.

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