Petrópolis: “retirada de moradores de áreas de risco e restauração florestal impediriam catástrofe”, afirma climatologista

O “descaso habitacional” na região de Petrópolis já dura mais de 50 anos e é o maior responsável pelas 120 mortes registradas até aqui, em consequência das fortes chuvas de 15 de fevereiro. A população pobre que mora em encostas íngremes e planícies de inundação de rios continuará a sofrer com deslizamentos e enxurradas e alagamentos. Quem afirma é o climatologista Carlos Nobre, referência internacional em meio ambiente.

Em conversa com o Brasil 247, Nobre explicou que o ocorrido em Petrópolis – um volume enorme de chuva despencando durante um período de duas horas – foi um fenômeno meteorológico difícil de prever com antecedência suficiente para impedir a catástrofe. Mas aquelas pessoas não deveriam estar onde estavam.

“Uma região serrana próxima da costa pode, sim, ser acometida deste tipo de desastre quando um sistema meteorológico transporta muito vapor d’água dos oceanos para as faixas de montanhas e o ar úmido é transportado para cima, próximo das áreas de topografia acentuada, rapidamente produzindo nuvens intensas e muita chuva, exatamente o que ocorreu na terça-feira. Há várias ações a serem tomadas. Pessoas vivendo em áreas de altíssimo risco devem ser transferidas para locais seguros”, explica Nobre.

Segundo o climatologista, existem obras baseadas na natureza que resolveriam o problema, as quais nunca foram feitas pelo Poder Público. “Uma medida importante seria a restauração florestal de topos de morros. Nos desastres ocorridos em 2011 na mesma região, 85% dos deslizamentos de encostas tiveram origem em topos de morros desmatados”, recorda Nobre.

“Devido às mudanças climáticas, eventos de chuvas extremas já estão se tornando mais comuns e, sem uma ação contundente de retirar pessoas de áreas de alto risco, tais desastres só irão aumentar”, alerta Carlos Nobre.

O Brasil conta com um moderno sistema de alertas para eventos desse tipo – o Cemaden, Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturia -, aliás, criado por Carlos Nobre, há 10 anos, quando era titular da Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia e Inovação.

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