Representantes industriais acreditam que redução do IPI será repassada para os consumidores de forma rápida e quase integral

Carros novos em pátio de fábrica da General Motors em São José dos Campos (SP) 19/03/2020 REUTERS/Roosevelt Cassio

A redução em 25% da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) deve ser repassada aos consumidores de forma imediata e integral. É o que acredita José Ricardo Roriz, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast). A declaração foi dada em evento que reuniu representantes de entidades do setor industrial nesta segunda-feira (7).

No fim de fevereiro, o Governo Federal publicou decreto que diminuiu o imposto. O IPI incide sobre os produtos industrializados, como carro, geladeira, fogão, televisão, celular e computador. A redução da alíquota foi possível porque a União vem arrecadando acima das expectativas desde o ano passado. A projeção é que esses produtos fiquem mais baratos.

“Nos segmentos onde existe mais concorrência, é lógico que a redução do IPI vai ser repassada quase que imediatamente, e as [empresas] que não repassarem isso vão perder parte no mercado. A própria concorrência vai pressionar para que esse repasse venha o mais rápido possível para o consumidor final”, avaliou Roriz.

Reindustrialização
O ministro Paulo Guedes trata a redução do IPI como uma das iniciativas para promover a “reindustrialização brasileira”, ou seja, para que o setor volte a ter papel de destaque na economia do país em resposta à diminuição da importância nas últimas décadas.

Para as entidades que compõem o setor industrial, a reindustrialização só é possível com a diminuição do Custo Brasil e isso passa, entre outras coisas, pela redução de impostos sobre a indústria, que reduzem a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.

“É um imposto que não deveria ter existido. Incide somente sobre a indústria e onera toda produção industrial e, também, os mais pobres, porque é um imposto regressivo. Essa decisão parcial de cortar para todos os segmentos industriais vai na direção do começo da reindustrialização brasileira, mas ainda precisamos de muito mais para que o Brasil se torne competitivo contra produtos estrangeiros e temos um caminho grande para restabelecer essa produtividade”, afirmou Roriz.

Amortecedor
Segundo empresários do setor industrial, a redução do IPI vem em momento oportuno, também, porque a guerra entre a Rússia e a Ucrânia já tem impacto sobre as cadeias globais de produção. Dessa forma, a disparada no preço das commodities, como o petróleo, e de matérias-primas, e suas consequências sobre as empresas e os consumidores, podem ser minimizadas, no nível local. “Essa redução contrabalança esse aumento de preços que vem por aí”, disse Roriz.

“Apesar do contexto, nós da Coalizão Indústria não compartilhamos com as previsões negativas que vêm sendo apresentadas para 2022”, ressaltou Marco Polo de Mello, coordenador da entidade e presidente-executivo do Instituto Aço Brasil.

Arrecadação
Embora seja arrecadado pela União, o IPI é partilhado com estados e municípios. Por isso, desde o anúncio da redução do imposto, há reclamação desses entes, que alegam que a medida vai causar queda de arrecadação sem ter uma compensação. No entanto, há quem discorde que a iniciativa do Governo Federal vá causar prejuízo aos cofres estaduais e municipais. Pelo contrário, projeta Fernando Pimentel, presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção.

“Há uma expectativa que o PIB nos próximos 15 anos com base nessa redução possa ganhar R$ 467 bilhões, ou seja, mais de R$ 30 bi por ano, para uma redução da ordem de R$ 20 bi de arrecadação do IPI. Portanto, está muito claro, materializando-se essas expectativas e perspectivas que a indústria vai se beneficiar aumentando competitividade e isso, também, vai acabar chegando em emprego e salário”, estima.

 

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