Startup de BH tem solução premiada para gestão de resíduos

Ninguém duvida que um dos grandes desafios do século 21 é a questão do lixo, ou melhor, dos resíduos. Eles são os grandes vilões da contaminação dos lençóis freáticos, rios e oceanos; causam muitas doenças, que impactam os serviços de saúde pública; e são responsáveis pela sujeira das cidades em todo o mundo.

A startup VG Resíduos de Belo Horizonte (MG), criada em 2016, se debruçou sobre o problema e construiu uma plataforma chamada Mercado de Resíduos, que vem ganhando mercado rapidamente e já se tornou conhecida como ‘a uber dos resíduos’. No momento, mais de 3,5 mil empresas de todo o país estão cadastradas na ferramenta, sendo 300 delas do setor industrial.  A clientela paga mensalidade para vender e comprar resíduos, encontrar geradores e tratadores, entre outros, na plataforma (www.vgresiduos.com.br ).

Segundo dados da Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), o Brasil gerou 78,4 milhões de toneladas de resíduos sólidos em 2017, das quais 40,9% foram descartadas incorretamente (29 milhões ton) e apenas 3% recicladas. Sabe-se que o reaproveitamento, a reciclagem e a logística reversa são benéficos tanto em termos ambientais como econômicos, pois reduzem o impacto sobre a natureza, transformando os resíduos descartados em matéria-prima para novos ciclos produtivos e outros fins. Este é o foco da startup mineira.

Demanda e solução

“Percebemos que as empresas não sabiam o que fazer, para quem mandar e até mesmo como descartar corretamente. Havia muita preocupação com a legislação que os responsabiliza até se ocorrer algum incidente, após a destinação por empresa terceirizada contratada”, conta Guilherme Arruda, CEO da startup.

Engenheiro de controle e automação, com background em tecnologia, ele já havia criado, em 2015, uma startup bem-sucedida, que desenvolveu aplicativo com conteudos interativos para crianças. Guilherme diz que conheceu Deivison Pedroza, CEO do Grupo Verde Ghaia Consultoria Ambiental e Gestão de Resíduos Legais, quem demandou uma solução para os resíduos industriais.

O Verde Ghaia está no mercado há mais de 20 anos e atende médias e grandes empresas do Brasil e dos países da América Latina. Mais de 2 mil empresas e 30 mil usuários estão cadastrados nas ferramentas da empresa, que vão desde monitoramento legal, implementação de sistemas de gestão, gestão da legislação, certificações, entre outros. Pedroza é o principal investidor da VG Resíduos, que aportou R$ 700 mil no empreendimento. Guilherme Gusman é o diretor de tecnologia da startup.

No início a ferramenta on line ajudava as empresas e indústrias na gestão de resíduos no dia a dia, depois foi ampliada e se tornou uma plataforma para solucionar diversos gargalos, como a dificuldade de encontrar geradores, tratadores e cooperativas.

“Nosso propósito é conscientizar as pessoas para acelerar o processo de reaproveitamento e a gestão dos resíduos. Não somos contra o desenvolvimento, queremos deixar o meio ambiente habitável, ajudar os geradores a fazerem uma produção mais limpa. Estamos fazendo a nossa parte”, enfatiza Guilherme.

Prêmio

Em outubro passado, a startup mineira venceu o prêmio Best Innovation, como uma das mais inovadoras do Brasil. Esta premiação foi concedida pelo programa StartOut Brasil em Miami, realizado pela Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores), Sebrae, Apex Brasil, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Este programa apoia a inserção de startups brasileiras em um dos mais promissores ecossistemas de inovação do mundo. A entrega do prêmio foi realizada na sede do 500 Startups Miami, fundo de investimentos em venture capital e aceleradora. No momento, a VG está em negociação com investidores norte-americanos para implantar filial nos EUA.

A startup também foi uma das selecionadas, entre mais de cinco mil empresas participantes, do programa de aceleração “Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development” (SEED) do Governo do Estado de Minas Gerais (http://seed.mg.gov.br/), que contou com empreendedores de várias partes do mundo.

O objetivo era fazer network no SEED, mas o retorno foi muito além. A equipe da VG formada por 15 pessoas – programadores, engenheiros ambientais, marketing e vendas, user experience – acabou também dando mentorias para startups iniciantes. Ao participar do SEED, a VG melhorou seus processos, as vendas, acesso e sucesso dos clientes, segundo Guilherme.

Indústrias

A solução Mercado de Resíduos é um software que faz a gestão diária das sobras de produção, permite comprar ou vender resíduos, encontrando tratadores e compradores dos materiais descartados.

A plataforma atende qualquer tipo de resíduo, sendo os mais comuns os que têm maior valor agregado: sucata de metal, papel, papelão e plásticos. A maioria da clientela da VG é dos segmentos industriais (automobilístico, de alimentos, combustíveis, construtoras e mineradoras).

Segundo o CEO da startup mineira, a questão dos resíduos é uma pauta cada vez mais em alta e a sustentabilidade está se tornando a estratégia principal de muitas empresas. Ele cita uma pesquisa que aponta que 20% das empresas brasileiras já têm a sustentabilidade como estratégia principal.

Cooperativas e créditos de reciclagem

Há dois meses, a VG está implementando o projeto Logística Reversa Garantida em parceria com a ong Oxigênio Desenvolvimento de Políticas Públicas e Sociais, para aquisição de créditos de reciclagem de cooperativas de recicladores.

Esses créditos são transferidos para clientes que precisam comprovar que têm descartado corretamente embalagens, etc “Fazemos esta ponte com as cooperativas, também oferecemos de graça a  elas a possibilidade de  venderem os materiais coletados na plataforma”, explica. O projeto é recente e já conta com 14 cooperativas cadastradas da região metropolitana de BH.

Meta

A meta da startup mineira é ambiciosa: dominar o mercado brasileiro e internacional. O empreendimento já possui fortes contatos nos EUA e Colômbia. Para o CEO, a questão dos resíduos é muito semelhante em outros países, especialmente na América Latina (poucos aterros sanitários, dificuldades na coleta seletiva, tratamento, reciclagem, etc).

A VG se tornou escalável em apenas dois anos. O crescimento do empreendimento foi muito mais rápido do que investidor e diretores da VG imaginavam. (www.vgresiduos.com.br )