Vale anuncia investimentos de R$ 6,4 bilhões no sudeste do PA

A mineradora Vale reuniu a imprensa na manhã de hoje, quinta-feira, 29, para divulgar o balanço de suas ações do terceiro trimestre de 2018 e também anunciar os projetos que estão previstos para Marabá e Parauapebas. Segundo a mineradora, serão feitos investimentos na ordem de US$ 1,7 bilhão, que somam 6,4 bilhões de reais em investimentos em novos projetos.

O balanço das ações do terceiro trimestre e anúncio dos novos projetos foram feitos por Carlos Miana, gerente executivo de Projetos da Vale, e João Coral, gerente executivo de Sustentabilidade da empresa. Miana destacou as ações realizadas no terceiro trimestre, pontuando os dados na área social, ambiental e econômica.

Na área econômica, João Coral detalhou que o município de Parauapebas arrecadou com a Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cefem) de janeiro até setembro deste ano R$ 284,5 milhões, valor que ultrapassa em R$ 27,8 milhões o montante arrecadado no ano de 2017, que foi de R$ 256,6 milhões.

Só de julho a setembro o município arrecadou com o tribuno R$ 112 milhões, valor que daria para construir 11 escolas com seis salas de aula cada. No mesmo período Parauapebas arrecadou com ISS R$ 8,5 milhões, montante que daria para pagar o piso salarial de 288 professores.

Em relação a empregos no Estado, os dados mostram que foram gerados até o terceiro trimestre 26 mil postos de trabalho pela empresa, sendo 16 mil apenas em Parauapebas. Esse total representa um aumento de 25% em relação ao mesmo período de 2017.

De acordo com a empresa, o total de mão de obra gera uma massa salarial de R$ 100 milhões por mês. Em compras nos mercados locais, foram realizados R$ 3,2 bilhões em negócios com fornecedores com matriz ou filial no Pará, sendo R$ 1,1 bilhão em compras só em Parauapebas.

Projetos para Parauapebas e Marabá

A empresa destacou que os novos projetos visam a maior eficiência e competitividade de suas operações no Estado. Segundo a Vale, as obras e a atividade mineral desses novos projetos deverão movimentar a economia local com a geração de trabalho e renda, arrecadação de impostos e tributos e com a aquisição de produtos e insumos na região.

Nos dados apresentados, o destaque são para os projetos Salobo III (que corresponde à segunda ampliação de beneficiamento de Salobo, empreendimento que já opera desde 2012), em Marabá, e o Projeto Gelado, em Parauapebas. Esses projetos devem gerar 6 mil postos de trabalho temporários no pico das obras em 2020.

Paralelo aos projetos para a manutenção da capacidade de produção, a empresa irá executar obras voltadas para a melhoria da mobilidade urbana em Parauapebas. Serão construídos dois viadutos no Bairro Nova Carajás e realizada a adequação do viaduto da PA 275, com a construção de duas alças viárias, para melhorar a entrada e saída da cidade.

As obras de mobilidade urbana fazem parte das condicionantes pela implantação do Ramal Ferroviário do Projeto S11D. Ainda na área de mobilidade, será executada obra de revitalização da estrada da Apinha, que deverá reduzir o fluxo de veículos no centro da cidade e na estrada Raimundo Mascarenhas, que dá acesso ao Núcleo Urbano de Carajás e às operações do Complexo de Carajás, em Parauapebas.

Projeto Gelado

Na Serra dos Carajás, o maior dos projetos previstos é o Gelado, recentemente aprovado pelo Conselho de Administração da empresa, mas que ainda aguarda a licença ambiental. Caso licenciado, as obras devem durar cerca de dois anos.

No momento de maior volume de atividades, em 2020, a previsão é de que 1.500 pessoas estejam trabalhando. O projeto está orçado em US$ 428 milhões e envolve a construção da estrada da Apinha, implantação de planta de concentração magnética e a recuperação do minério proveniente das barragens, reduzindo ao mesmo tempo a quantidade de rejeito nas estruturas e eliminando a necessidade de novas barragens.

Os dois outros projetos em Carajás, com investimentos previstos em US$ 184,5 milhões, demandarão cerca de mil trabalhadores e consistem na montagem de equipamentos e estruturas na linha de produção do minério nas áreas de britagem e implantação de correias transportadoras.

Projeto Salobo III   

O Conselho de Administração da Vale também aprovou o investimento de US$ 1,1 bilhão no projeto de cobre Salobo III, que compreende a segunda expansão da operação da maior operação de cobre da Vale no Brasil, desde que entrou em funcionamento em 2012, aumentando a capacidade de beneficiamento da unidade. O projeto engloba um terceiro concentrador e utilizará a infraestrutura existente.

Conforme o pedido de licença, as obras devem durar três anos, sendo que, em 2020, no pico da construção, 3.200 pessoas deverão estar trabalhando nas atividades. Segundo a empresa, o projeto deve movimentar a economia local.

Meio Ambiente

Questionados pelos jornalistas quando aos impactos ambientais desses projetos, Carlos Miana e João Coral observaram que serão aplicadas tecnologias de ponta, que reduzem ao máximo os impactos. No caso do Gelado, a extração do minério que está no fundo da barragem será feita com dragas elétricas, evitando a emissão de CO2 na atmosfera, caso usasse a diesel.

A extração desse material também traz outros benefícios ambientais, como a redução dos rejeitos na barragem, que se reduz a necessidade de expansão ou alteamento dessa barragem ou mesmo a construção de outra. Inclusive ele garante que é feito o monitoramento rigoroso das barragens de rejeitos da empresa em Carajás, para prevenir qualquer tipo de acidente, a exemplo do que ocorreu com a Samargo, em Mariana, Minas Gerais.

“Nossas barragens são absolutamente seguras. Contamos com um processo muito grande de monitoramento, são feitas auditorias internas e de entidades externas, para a segurança das nossas barragens. Todas contam que instrumentos que medem o fluxo de água dentro delas e detectam qualquer tipo de anomalias que por ventura venha a ocorrer”, assegura.

No caso do Salobo, ele explica que a tecnologia empregada já separa os minerais de baixo teor, o que acaba com os resíduos estéreos que são colocados em pilhas para futuro beneficiamento desse material. “Através de uma nova planta de beneficiamento, vai ser possível aproveitar esse tipo de minério, acabando com as pilhas de estéreos, o que vai ser um grande ganho ambiental”, explica Miana, frisando que com essa tecnologia serão preservados 60 hectares de florestas, que estavam previstas de serem suprimidas para implantação dessas novas pilhas.

Contratação de mão de obra

Segundo Carlos Miana, como todo projeto de construção civil, as obras terão começo, meio e fim. Com um período de maior efetivo de trabalhadores temporários no pico de obras, previsto para meados de 2020.

A mobilização será gradativa, ou seja, conforme o avanço das etapas dos projetos. A expectativa da empresa é de que os projetos movimentem a economia local.

Uma ação prevista que deve contribuir com a economia é a articulação das empresas contratadas com os órgãos representativos como o Sine e as associações comerciais e industriais da região. “Mais uma vez, em um cenário de poucos investimentos no Brasil, a Vale empreende, investe em novos projetos. A nossa expectativa é por uma forte articulação entre as empresas contratadas, Sine e associações comerciais e o envolvimento delas também com o desenvolvimento da região, a fim de priorizar a contração de mão de obra e de produtos e serviços”, frisa o gerente executivo de Projetos. (Tina Santos)

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