Calor extremo matou 120 mil pessoas no Brasil — sem dados raciais claros sobre quem mais sofre

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Calor extremo matou 120 mil pessoas no Brasil — sem dados raciais claros sobre…

Estudo com 20 milhões de óbitos entre 2000 e 2019 revela que a falta de dados raciais esconde…

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Enquanto a crise climática avança, uma pergunta continua sem resposta completa: quando o calor extremo chega, quem morre primeiro?

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O resultado é revelador: a ausência de dados raciais confiáveis não significa que a desigualdade não existe — ela apenas fica mais difícil de enxergar.

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Lido de forma apressada, esse dado poderia sugerir que o calor extremo não tem cor.

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Ao fazer um segundo recorte, focado apenas nas regiões metropolitanas — onde o preenchimento do campo raça/cor nos atestados de óbito costuma ser mais completo —, o quadro muda completamente.

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Nessas áreas, o risco entre pessoas pretas se iguala ou supera o de pessoas brancas em várias partes do país, chegando a um aumento de até 30% no semiárido nordestino, o maior valor de todo o levantamento.

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O próprio relatório do MCTI recomenda cautela com o resultado nacional, porque ele provavelmente subestima uma desigualdade racial que, onde o dado é mais sólido, aparece com toda força.

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Outras pesquisas confirmam o padrão Djacinto Monteiro dos Santos, pesquisador da UFRJ, chegou a um retrato semelhante em estudo publicado em 2024 com Fiocruz, UnB e Universidade de Lisboa.

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Ele analisou as 14 maiores regiões metropolitanas do país, onde o dado racial tende a ser mais confiável.

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Ali, o excesso de mortes por calor entre pretos e pardos, comparado a brancos, foi de 10% no Rio de Janeiro, passou de 40% no Recife e em Belém, e ultrapassou 90% em Curitiba.

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No recorte mais extremo do levantamento, em Cuiabá, uma mulher idosa preta ou parda tem 203% mais chance de morrer de calor do que uma mulher branca da mesma idade.

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Dois estudos, dois bancos de dados, dois períodos quase coincidentes, e um sinal na mesma direção: quanto mais sólido o dado racial, mais visível fica a desigualdade.

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A ausência de dados nunca significou ausência de problemas Quando o número não aparece com clareza, é tentador concluir que a desigualdade é menor do que parece.

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O que a ciência internacional já mostrou sobre calor e raça Essa relação entre calor e raça já havia sido documentada fora do Brasil.

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Pesquisas americanas, conduzidas há mais de uma década por epidemiologistas como Carina Gronlund, da Universidade de Michigan, mostraram que pessoas negras enfrentam risco maior de morte em ondas de calor urbano.

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