Uma cena emblemática marcou a manhã desta segunda-feira (30) em frente ao Palácio do Planalto, em Brasília: o Açaibot, primeiro robô colhedor de açaí desenvolvido com tecnologia totalmente paraense, foi apresentado como símbolo da inovação amazônica durante o lançamento do novo Plano Safra da Agricultura Familiar. Em meio a uma feira com tecnologias voltadas ao pequeno agricultor, o equipamento atraiu olhares, celulares e, sobretudo, esperanças.
Desenvolvido pelo Grupo Kaa, com sede em Belém, o Açaibot foi escolhido para representar o Pará na solenidade que anunciou a liberação de R$ 89 bilhões em recursos para o setor. O pacote federal contempla crédito rural, seguro agrícola, assistência técnica e outras políticas voltadas ao fortalecimento da agricultura familiar, segmento no qual o açaí é protagonista absoluto na Amazônia.
“O Ministério do Desenvolvimento Agrário e outros órgãos fizeram questão de ter o Açaibot aqui, como exemplo do que é possível fazer com tecnologia regional. É uma honra imensa mostrar para o Brasil uma solução que nasceu e foi desenvolvida aqui, no Pará”, celebrou Reinaldo Santos, CEO do Grupo Kaa, visivelmente emocionado com a repercussão.
E não foi para menos. O robô, que opera por controle remoto, é capaz de realizar até 100 subidas e descidas em palmeiras por carga de bateria. Um feito que multiplica por até dez a produtividade de um único trabalhador, reduzindo drasticamente o esforço físico e os riscos envolvidos na colheita, que hoje ainda expõe muitos jovens ao trabalho infantil e adultos a quedas perigosas nas florestas.
Além da eficiência, o Açaibot tem outro trunfo: consegue colher o açaí que muitas vezes é deixado para trás por estar em áreas de difícil acesso. Isso tudo sem causar impacto ambiental, respeitando o ciclo natural da floresta.
“É fácil de operar e pode transformar a vida de milhares de famílias. O nosso sonho é que ele chegue aos pequenos produtores da floresta e os ajude a aumentar renda com dignidade e segurança”, reforça o executivo da Kaatech, empresa de tecnologia do Grupo Kaa responsável pela invenção.
O equipamento já está em fase de pré-venda, com mil unidades disponíveis no site oficial (www.kaatech.com.br), e entrada de apenas 20%. A expectativa é de que o apoio técnico e financeiro do governo federal facilite sua adoção em larga escala, especialmente no Pará, que concentra a maior parte da produção nacional de açaí.
Mas o Açaibot é só o começo de uma revolução planejada. O Grupo Kaa também desenvolveu um sistema de cabovias elétricas para transportar o fruto no interior da floresta e está prestes a lançar um açaí em pó de altíssima qualidade, que mantém 99% das propriedades nutricionais do fruto fresco. Esses produtos compõem um plano integrado de modernização da cadeia produtiva amazônica.
O polo dessa transformação está em Icoaraci, distrito de Belém, onde o grupo mantém um complexo industrial completo. Lá são fabricadas as basquetas biodegradáveis usadas no transporte do fruto, o açaí em pó e os próprios equipamentos. A energia do local é gerada a partir do caroço do açaí, transformando resíduo em fonte limpa e renovável. A previsão é que mais de 4 mil empregos, diretos e indiretos, sejam criados com essas iniciativas.
Com o Açaibot, o Pará não apenas leva uma inovação tecnológica a Brasília, mas planta uma semente poderosa: a de um futuro onde a floresta é valorizada, a tecnologia é acessível, e o desenvolvimento caminha lado a lado com quem vive e sustenta a Amazônia todos os dias.
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