Meio Ambiente

Águas que Transformam: tecnologias sociais levam dignidade à Amazônia

Nas profundezas da Amazônia brasileira, onde o acesso à água potável ainda é um privilégio para muitos, tecnologias sociais estão transformando realidades. Em tempos de mudanças climáticas extremas, garantir segurança hídrica é também garantir vida, saúde e futuro para milhares de brasileiros.Por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Programa Cisternas tem atuado diretamente na implementação de sistemas de abastecimento hídrico em comunidades rurais vulneráveis.

Como funciona a escolha das comunidades atendidas

Tudo começa com a escuta ativa da população. Cada município forma uma comissão com representantes do poder público e da sociedade civil, que identifica as comunidades com maior urgência no acesso à água.

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A seleção das famílias segue critérios técnicos e sociais, priorizando aquelas chefiadas por mulheres, com crianças, pessoas com deficiência ou pertencentes a povos tradicionais.

Modelos de tecnologia adaptados à realidade local

As soluções são desenvolvidas conforme a geografia e cultura de cada região:

Mixirituba: captação de chuva e autonomia

Na aldeia indígena de Mixirituba, foi implantado o Sistema Pluvial Multiuso Autônomo, que armazena água da chuva e inclui banheiro sanitário e fossa simplificada.

Pau da Letra: solução coletiva e comunitária

Na comunidade ribeirinha de Pau da Letra, adotou-se o Sistema Pluvial Multiuso Comunitário, que capta água de rios ou poços, tratando e distribuindo para os lares. Cada casa também recebe uma estrutura própria de captação, banheiro e fossa.

Parcerias, execução e capacitação

O modelo de execução é descentralizado: o MDS firma acordos com órgãos públicos e organizações da sociedade civil. Empresas locais habilitadas são contratadas para capacitar famílias, mobilizar comunidades e instalar os sistemas.

Em média, o processo leva um mês, podendo variar conforme a logística de acesso às comunidades. A Secretaria-Executiva do Consea acompanha de perto para garantir transparência e participação.

Impactos transformadores na rotina das famílias

Segundo Camile Sahb, diretora do MDS, o acesso à água potável impacta diretamente:

  • A saúde pública, reduzindo doenças de veiculação hídrica;
  • A segurança alimentar, promovendo a produção local de alimentos;
  • O tempo das mulheres e crianças, que deixam de buscar água em longas distâncias.

Ela destaca ainda que garantir água em meio às mudanças climáticas ajuda as famílias a se adaptarem a eventos extremos de seca.

Números que inspiram, desafios que permanecem

Os resultados são promissores:

  • 18 famílias beneficiadas em Pau da Letra;
  • 22 famílias atendidas em Mixirituba;
  • Mais de 1,3 milhão de famílias já contempladas pelo Programa Cisternas.

No entanto, cerca de 300 mil famílias rurais ainda vivem sem acesso adequado à água potável. Em todo o país, o número chega a 1 milhão, segundo estimativas do MDS.

Desafios logísticos e necessidade de financiamento

Camile Sahb ressalta que as regiões mais afetadas — como o semiárido e a Amazônia — demandam ações específicas por conta de sua logística difícil e alta vulnerabilidade social.

“Universalizar o acesso à água exige mais recursos e maior articulação entre governo, sociedade civil e setor privado”, pontua.

Água é dignidade, saúde e futuro. A ampliação de programas como o Cisternas é essencial para construir uma Amazônia resiliente, onde cada família tenha o direito ao básico: água limpa. Para apoiar iniciativas como essa, acesse gov.br/mds.

 

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