O lucro líquido da instituição foi de R$ 26,4 bilhões, um aumento de 20,5% em comparação a 2023. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (25), durante um evento na sede do banco, no Rio de Janeiro.
Desse total de impacto no crédito, R$ 212,6 bilhões referem-se a aprovações de financiamento, enquanto R$ 63,9 bilhões são provenientes do Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), que oferece garantias para que empresas menores possam obter empréstimos. As aprovações de crédito cresceram 22% em relação ao ano passado, e os desembolsos, ou seja, o valor efetivamente liberado, somaram R$ 133,7 bilhões, uma alta de 17% sobre 2023.
Projetos de desenvolvimento econômico, social e ambiental
A diferença entre os valores de aprovações e desembolsos ocorre porque os recursos são liberados ao longo de um período, em parcelas. A atuação do BNDES se concentra em apoiar projetos que promovem o desenvolvimento econômico, social e ambiental no Brasil, especialmente em setores estratégicos.
Alexandre Abreu, diretor financeiro e de mercado de capitais do BNDES, destacou que, pela primeira vez desde 2017, o setor industrial (R$ 52,4 bilhões) recebeu mais crédito que o setor agropecuário (R$ 52,3 bilhões), o que evidencia o sucesso das políticas de fortalecimento da indústria, como a Nova Indústria Brasil (NIB), a estratégia industrial do governo federal.
Presidente do BNDES
Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, considerou esse resultado um excelente indicador, ressaltando que a indústria gera maior valor agregado, empregos mais qualificados e inovação tecnológica.
O setor de infraestrutura foi o maior destinatário de aprovações de financiamento, com R$ 74,6 bilhões, seguido pelo comércio e serviços, que somaram R$ 33,4 bilhões. Mercadante observou também que houve uma mudança no perfil do crédito destinado à infraestrutura, com o crédito rodoviário superando o saneamento.
Apoio a micro e pequenas empresas
O apoio a micro e pequenas empresas foi um dos destaques de 2024, com um impacto de R$ 156,3 bilhões, englobando tanto desembolsos quanto garantias, um crescimento de 119,8% em relação a 2022 e de 44,7% em comparação com 2023. Esse aumento é superior ao crescimento total de crédito para todas as empresas (81% e 26%, respectivamente).
No que se refere ao lucro do banco, R$ 13,2 bilhões vieram de fontes recorrentes, enquanto o restante, R$ 13,2 bilhões, se deve a eventos não recorrentes, como recebimento de dividendos de empresas investidas e recuperação de dívidas. Em 2024, o BNDES recebeu R$ 10,4 bilhões em dividendos, principalmente de Petrobras e JBS.
O lucro do BNDES foi o terceiro maior entre os principais bancos do país, ficando atrás de Itaú (R$ 40,2 bilhões) e Banco do Brasil (R$ 37,9 bilhões). Porém, em relação ao número de funcionários, o BNDES obteve o maior lucro por empregado, com R$ 11,35 milhões.
A instituição fechou o ano com patrimônio líquido de R$ 158,4 bilhões e uma carteira de crédito de R$ 584,8 bilhões, o maior valor registrado nos últimos sete anos. A inadimplência superior a 90 dias foi de apenas 0,001%, um resultado expressivamente baixo em comparação com a média do mercado bancário brasileiro, que registra uma inadimplência de 2,95%.
Fortalecimento fiscal do Brasil
Em termos de contribuição às contas públicas, o BNDES repassou R$ 29,5 bilhões em dividendos ao governo em 2024, auxiliando diretamente no fortalecimento fiscal do país. O banco também manteve até o final do ano um portfólio de participações societárias de R$ 82 bilhões, com destaque para os investimentos em empresas como Petrobras, JBS, Eletrobras e Copel. O aumento de 30,8% em relação ao ano anterior foi impulsionado pela valorização dos ativos.
Para 2025, o presidente do BNDES projeta um papel importante da instituição na concessão de crédito, especialmente em investimentos em infraestrutura rodoviária, que devem somar R$ 30 bilhões. A expectativa do banco é aumentar sua participação no crédito para 2% do Produto Interno Bruto (PIB) até 2026, buscando continuar a apoiar o crescimento, a geração de empregos e o desenvolvimento do país.