Nas densas matas do norte do Mato Grosso, pesquisadores identificaram a Annulata kaminskii, uma espécie inédita de borboleta encontrada nas Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) Cristalino, em Alta Floresta, a 790 km de Cuiabá. Mais do que um simples registro, a descoberta revela uma relação ecológica inédita, que segundo cientistas, jamais havia sido documentada entre borboletas no mundo.
Durante a fase de lagarta, a Annulata kaminskii interage com três outros organismos: o bambu, a cochonilha e as formigas. Em vez de se alimentar de folhas, como é comum em outras espécies, suas lagartas mantêm uma dieta líquida, consumindo néctar e cera produzidos por cochonilhas que vivem no bambu.
Em troca, elas liberam uma secreção adocicada que serve de alimento para duas espécies distintas de formigas. Esse comportamento cria um elo de cooperação e sobrevivência raríssimo na natureza.
O estudo, publicado na revista científica Neotropical Entomology, revelou outro fato surpreendente: duas espécies diferentes de formigas convivem pacificamente para cuidar das mesmas lagartas. Uma delas, conhecida pelo comportamento altamente agressivo, oferece proteção efetiva contra predadores, funcionando como uma verdadeira guarda-costas.
A Annulata kaminskii pertence ao gênero Annulata, da família Riodinidae. Descrita oficialmente em 2025, sua presença foi confirmada na Amazônia meridional, com registros especialmente no norte do Mato Grosso.
O habitat da espécie está intimamente ligado aos bosques de bambu, onde cochonilhas sugam a seiva e produzem substâncias que alimentam as lagartas. Este arranjo forma uma cadeia ecológica única, que envolve planta, insetos e formigas, oferecendo aos cientistas um exemplo raro de interação multiespécie.
Segundo pesquisadores apoiados por Capes, CNPq e Fapesp, a descoberta reforça a importância das áreas de preservação e abre novas perspectivas para o estudo da biodiversidade amazônica.
O “acordo ecológico” entre borboleta, formigas, cochonilhas e bambu desafia conceitos tradicionais sobre relações entre espécies. Ele mostra que a natureza pode criar alianças complexas e funcionais, capazes de beneficiar diferentes organismos de forma mútua.
Para os cientistas, a Annulata kaminskii se torna um símbolo da riqueza e da complexidade ecológica da Amazônia, reforçando o papel da pesquisa científica na compreensão e preservação dos ecossistemas.
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