Borra de café nas plantas
Pouca gente sabe, mas aquela borra de café que sobra no coador pode ser uma aliada e tanto no cuidado das plantas. Ainda assim, não é todo vegetal que responde da mesma forma a esse tipo de adubação natural. Duas plantas de interior muito populares — a zamioculca e o lírio-da-paz — têm reações distintas à borra. O segredo está em como aplicar e, principalmente, na frequência. Neste artigo, vamos detalhar os efeitos da borra de café nessas duas espécies e como usar sem causar danos.
A borra de café é rica em nitrogênio, elemento essencial para o desenvolvimento de folhas saudáveis e crescimento vegetativo. Também contém pequenas quantidades de fósforo, potássio e magnésio. Além disso, seu pH levemente ácido favorece plantas que preferem solos não muito alcalinos.
Outro ponto positivo: a borra ajuda a melhorar a estrutura do solo, deixando-o mais solto e aerado. Isso facilita a absorção de água e nutrientes pelas raízes. Porém, o uso excessivo pode compactar o substrato e até atrair fungos indesejados.
A zamioculca (Zamioculcas zamiifolia) é conhecida por sua resistência e facilidade de cultivo. Originária de regiões tropicais da África, essa planta armazena água nos rizomas, o que permite que sobreviva por longos períodos sem rega. Quando o assunto é adubação, ela é discreta: prefere fórmulas suaves, ricas em nitrogênio, e não tolera solos muito encharcados.
Por isso, a borra de café, quando bem usada, pode ser benéfica. O nitrogênio ajuda a manter o verde brilhante das folhas, e o solo levemente ácido favorece o metabolismo da planta. A recomendação é misturar a borra seca ao substrato a cada 30 dias, em pequenas quantidades — cerca de uma colher de sopa para vasos médios. A versão úmida deve ser evitada para não comprometer a drenagem.
O lírio-da-paz (Spathiphyllum wallisii), por sua vez, também aprecia solos ricos em matéria orgânica e levemente ácidos, o que já o torna um candidato natural para a adubação com borra de café. Mas há um detalhe: ele é sensível ao acúmulo de sais minerais e à compactação do solo, o que pode acontecer se a borra for aplicada com frequência ou em grande volume.
Por isso, o ideal é usá-la de forma bem pontual: a cada dois meses, intercalando com outros tipos de adubo orgânico, como casca de banana seca ou húmus de minhoca. Uma dica eficiente é secar bem a borra ao sol e triturá-la antes de misturar com o substrato. Isso evita o aparecimento de mofo e mantém o solo leve.
Seque a borra por completo: espalhe sobre um jornal e deixe ao sol por dois a três dias. Isso evita a proliferação de fungos.
Use pouca quantidade: uma colher de sopa para vasos médios é suficiente. Excesso pode acidificar demais o solo e prejudicar as raízes.
Misture bem ao substrato: nunca coloque a borra diretamente sobre a superfície do vaso. Isso pode formar crostas e dificultar a oxigenação.
Evite aplicar junto com rega: o solo já estará mais úmido e a borra pode compactar, impedindo a drenagem adequada.
Intercale com outros adubos: especialmente no caso do lírio-da-paz, variar os nutrientes é essencial para um crescimento equilibrado.
Tanto a zamioculca quanto o lírio-da-paz dão sinais claros quando estão saudáveis. Folhas firmes, de coloração intensa e crescimento constante são indicativos positivos. No entanto, se as folhas começarem a amarelar, murchar ou apresentar manchas escuras após a aplicação da borra, é sinal de que algo não caiu bem.
Outro alerta importante é o surgimento de mofo branco sobre o solo — isso indica excesso de umidade e matéria orgânica em decomposição, o que pode ser prejudicial às raízes.
A primavera e o verão são as estações ideais para esse tipo de adubação, já que é o período em que as plantas estão em crescimento ativo. No outono e no inverno, a frequência deve ser reduzida drasticamente, pois ambas as espécies tendem a entrar em dormência ou desacelerar seu metabolismo.
Sim, mas com moderação. A borra de café é um adubo acessível, sustentável e funcional, especialmente para quem cultiva em apartamentos ou tem poucas plantas. Quando usada corretamente, ajuda a manter a zamioculca vibrante e o lírio-da-paz florido. O segredo está na observação e no equilíbrio.
E se sobrar borra, não jogue fora: ela pode ser usada também na composteira ou como repelente natural de formigas em pequenas hortas caseiras. A natureza agradece — e suas plantas também.
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