The 29th UN Climate Conference, COP29, takes place in Baku, Azerbaijan, from 11 to 22 November 2024. Greenpeace is at the COP to hold governments to account to make fossil fuel polluters pay for the climate crisis they have created, and put fossil fuel phase out plans at the heart of national climate action.
Com a aproximação da COP30 em Belém, marcada para novembro, a reunião da Cúpula do Brics nos dias 6 e 7 de setembro, no Rio de Janeiro, ganha um peso estratégico que vai muito além das questões econômicas e comerciais. Após avanços tímidos na Conferência de Bonn e um resultado desastroso para os países em desenvolvimento na COP29, em Baku, cresce a pressão para que o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul finalmente assuma a dianteira na agenda climática internacional.
O atual contexto geopolítico é de retração da liderança dos Estados Unidos e de instabilidade global, um cenário que deixa o multilateralismo enfraquecido. Diante disso, os Brics surgem como atores capazes de preencher o vácuo e oferecer respostas práticas para a crise climática. A especialista em política internacional do Greenpeace Brasil, Camila Jardim, ressalta que a posição do Brasil é particularmente estratégica, já que o país preside simultaneamente o Brics e a COP30, além de ter comandado o G20 no ano anterior.
Um dos pontos mais aguardados desta cúpula é a possível aprovação de um documento sobre financiamento climático, elaborado recentemente por representantes de alto nível do fórum. Se endossado, será a primeira manifestação conjunta dos Brics no contexto das negociações do clima, sinalizando um avanço importante.
A expectativa é que o grupo não apenas assine esse compromisso, mas também inaugure uma nova postura diante da emergência climática. Segundo Jardim, o mundo precisa de muito mais liderança por parte do Brics, sobretudo após o impasse sobre financiamento que marcou Bonn e o fracasso das negociações em Baku. Esse tema, central para os países em desenvolvimento, deverá retornar com força na COP30.
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Para o Greenpeace, a crise climática não pode ser tratada como pauta paralela, mas como eixo integrador das negociações multilaterais. Questões como combate à fome, desenvolvimento econômico e pacificação de conflitos, que figuram entre as prioridades históricas do Brics, simplesmente não são viáveis em um planeta que se aproxima do colapso climático.
Jardim reforça que a agenda climática deve ser vista como a liga que sustenta o multilateralismo. Sem um planeta habitável, não há comércio internacional estável, nem justiça social ou crescimento econômico possível. Essa perspectiva insere o debate climático não como obstáculo, mas como condição para qualquer outro avanço global.
Outro tema que pode emergir nas discussões da cúpula é a proteção dos oceanos, especialmente frente à ameaça da mineração em alto-mar e à poluição plástica. Os países do Brics estão no centro desses debates, e suas decisões têm peso no futuro da governança oceânica.
Mariana Andrade, coordenadora de Oceanos do Greenpeace Brasil, lembra que o oceano deve ser tratado como pilar da diplomacia climática e da cooperação internacional, principalmente por seu papel na subsistência das populações mais vulneráveis do Sul Global. Permitir a exploração predatória das profundezas marinhas, segundo ela, seria trair os princípios do multilateralismo que os Brics dizem defender.
Andrade defende que o Brasil, anfitrião da cúpula, precisa dar exemplo ratificando o Tratado Global dos Oceanos e impulsionando um acordo global sobre plásticos mais ambicioso. A pressão também deve recair sobre os demais membros do Brics para que sigam esse caminho.
A reunião do Rio de Janeiro se desenha como um teste decisivo. De um lado, há a oportunidade histórica de se colocar como força global de liderança climática. De outro, existe o risco de repetir encontros anteriores, em que a pauta ambiental foi relegada a segundo plano.
Se o Brics quiser mostrar relevância no cenário internacional, precisará ir além da retórica e assumir compromissos concretos, especialmente no financiamento climático e na proteção dos oceanos. O momento exige coragem política para enxergar a crise climática não como ameaça isolada, mas como eixo que atravessa todas as dimensões do desenvolvimento e da justiça global.
A COP30 em Belém será a próxima grande arena de negociações, mas o tom pode ser definido já no Rio de Janeiro. O mundo observa os Brics e espera mais do que declarações de intenção: aguarda sinais de liderança capazes de reposicionar o multilateralismo em torno da questão mais urgente do nosso tempo — a sobrevivência climática.
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