Você já parou para pensar no que uma xícara de café por dia pode causar no seu corpo? Para muita gente, o café é mais do que um hábito: é um ritual. Mas por trás desse aroma inconfundível e do sabor marcante, essa bebida poderosa age como um verdadeiro “ajustador” bioquímico — mexendo com energia, humor, foco e até digestão. E não, nem tudo é positivo.
A palavra-chave aqui é cafeína, o composto bioativo mais conhecido do café. Em doses moderadas, ela age como um estimulante do sistema nervoso central, promovendo maior estado de alerta e redução do cansaço. É por isso que tanta gente não consegue começar o dia sem uma boa dose.
Mas o efeito começa rápido: cerca de 15 a 45 minutos após o consumo, a cafeína já está agindo no cérebro. E dependendo do metabolismo de cada pessoa, os efeitos podem durar até 6 horas. Isso explica por que tomar café no fim da tarde pode interferir no sono.
A ingestão diária de café tem efeitos profundos no cérebro. A curto prazo, ele bloqueia a adenosina — substância responsável por gerar a sensação de sono — e por isso aumenta a disposição. Além disso, há indícios de que a cafeína melhora a memória de curto prazo e a concentração.
Porém, com o uso contínuo, o corpo se adapta, e a tolerância à cafeína aumenta. Isso significa que os efeitos estimulantes tendem a diminuir com o tempo, e é comum a pessoa sentir dor de cabeça ou irritação ao passar algumas horas sem a bebida. Esse ciclo pode configurar um quadro leve de dependência.
Para o sistema gastrointestinal, o café atua de forma complexa. Ele pode aumentar a produção de ácido gástrico, o que é benéfico para a digestão, mas pode agravar quadros de gastrite e refluxo em quem já é sensível. Em algumas pessoas, o café também tem efeito laxante, estimulando os movimentos intestinais.
Além disso, há indícios de que o café estimula a liberação de bile, ajudando na digestão de gorduras. Mas a quantidade ideal para colher esses benefícios sem causar irritações depende do organismo e dos hábitos alimentares.
O café já foi acusado de ser vilão do coração por aumentar a pressão arterial. Mas pesquisas recentes mostram que, para a maioria das pessoas, o consumo moderado (de 3 a 5 xícaras por dia) não traz riscos cardiovasculares — ao contrário, pode até ser benéfico por conter antioxidantes.
Contudo, pessoas com predisposição genética ou hipertensão devem ter cuidado. Em alguns casos, o café pode causar picos de pressão, palpitações e sensação de ansiedade. O ideal é testar o próprio limite e, se necessário, optar por versões descafeinadas.
Um dos efeitos mais comentados do café é o estímulo do metabolismo. A cafeína aumenta ligeiramente a termogênese — ou seja, o gasto calórico em repouso. Em dietas de emagrecimento, ela pode ajudar a dar um empurrãozinho.
Mas o café também pode influenciar o apetite. Para alguns, ele reduz a vontade de comer, enquanto para outros, estimula o consumo de doces ou alimentos gordurosos, especialmente quando combinado com açúcar ou leite.
Mesmo sendo consumido pela manhã, o café pode afetar a qualidade do sono noturno. Pessoas mais sensíveis demoram mais para metabolizar a cafeína, e isso interfere no início ou na profundidade do sono, resultando em noites mal dormidas.
Por isso, especialistas recomendam evitar a bebida a partir das 14h, especialmente para quem tem dificuldades para dormir. Trocar por chás naturais sem cafeína pode ser uma boa estratégia.
Estudos epidemiológicos indicam que o consumo regular de café está associado a menor risco de doenças neurodegenerativas como Alzheimer e Parkinson, além de diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer. Isso se deve ao alto teor de antioxidantes da bebida.
No entanto, o tipo de preparo influencia. Café coado tende a ser mais saudável que versões com leite condensado, chantilly ou muitos açúcares — que anulam os benefícios naturais.
A resposta depende de quem pergunta. Para a maioria das pessoas saudáveis, o consumo diário de café — dentro do limite de 3 a 4 xícaras — é seguro e pode até trazer benefícios. Mas é essencial ouvir os sinais do próprio corpo: se o café está atrapalhando seu sono, causando ansiedade ou irritação gástrica, talvez seja hora de repensar a dose ou o horário de consumo.
Assim como acontece com tudo na vida, a chave está no equilíbrio. E talvez, mais do que acordar, o café sirva para nos lembrar disso todos os dias.
Leia mais artigos aqui
O campo que resiste dentro da cidade Localizado na Estrada da Ceasa, no bairro Curió-Utinga,…
Quando a ciência começa dentro da favela As mudanças climáticas já não são uma abstração…
Quando a noite não apaga mais o cuidado com a vida Até pouco tempo atrás,…
Cientistas brasileiras no centro das decisões climáticas globais A ciência do clima é, hoje, um…
A margem equatorial como nova fronteira energética do Brasil A extensa faixa do litoral brasileiro…
This website uses cookies.