Divulgação - Sany
A transição energética está avançando nas estradas de terra vermelha da Amazônia. No coração do Pará, a Norsk Hydro — uma das maiores produtoras integradas de alumínio do mundo — está eletrificando o transporte em sua mina de bauxita em Paragominas. A meta é ousada: até o fim de 2026, 20% da frota de caminhões será elétrica ou híbrida. O plano faz parte da estratégia global da empresa para reduzir em 30% suas emissões de carbono até 2030.
Segundo Edil Pimentel, gerente da mina, já circulam pelo complexo quatro caminhões movidos por energia elétrica — dois híbridos e dois totalmente elétricos. Outros 11 veículos devem chegar ao longo de 2026, consolidando o projeto de descarbonização da operação. Cada caminhão elétrico substitui um modelo a diesel padrão e evita a emissão de 190 toneladas de CO₂ por ano.
A mina de Paragominas é uma das maiores operações de bauxita do planeta, com produção anual de 11 milhões de toneladas. Espalhada por 18 mil hectares, a unidade opera 24 horas por dia, todos os dias do ano. Nesse ambiente intenso, cada avanço tecnológico representa ganhos não apenas econômicos, mas também ambientais.
A iniciativa da Hydro não se restringe aos caminhões de carga. Ônibus e carros que transportam funcionários dentro da mina também estão sendo eletrificados. O objetivo é reduzir, no total, 239 mil toneladas anuais de CO₂, segundo dados do site oficial da Hydro.
“Usar caminhões elétricos é uma forma de equilibrar sustentabilidade, eficiência e retorno econômico”, afirma Pimentel. “Além de reduzir emissões, eles se adaptam melhor às condições operacionais específicas da mineração.”
De fato, minas oferecem um ambiente favorável para a eletrificação: as rotas são curtas, o tráfego é controlado e há infraestrutura privada de recarga. Isso elimina uma das principais barreiras para veículos elétricos em rodovias públicas — a falta de pontos de energia.
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Um dos diferenciais do projeto é o uso de energia renovável. A mina conta com sua própria rede elétrica, alimentada em mais de 90% por um parque eólico de 456 MW construído pela própria Hydro. De acordo com Carlos Neves, diretor de operações de bauxita e alumina da Hydro Brasil, essa estrutura permite custos de energia significativamente menores do que a média estadual.
Enquanto o preço médio do quilowatt-hora no Pará é mais alto, a Hydro paga entre US$ 0,04 e US$ 0,05 por kWh, o que torna a operação dos caminhões elétricos mais barata do que a dos modelos a diesel. Um caminhão totalmente elétrico consome cerca de 35 mil kWh por mês, com custo mensal entre US$ 1.400 e US$ 1.750 (aproximadamente R$ 7.600 a R$ 9.500).
Os caminhões convencionais da mina — modelos semirreboque 8×4 — transportam até 70 toneladas por viagem e consomem até 19 litros de diesel por hora. Rodando 21 horas por dia, um único caminhão pode queimar mais de 13 mil litros de combustível por mês. A substituição gradual por veículos elétricos e híbridos representa uma economia de combustível e emissões que se multiplica conforme a frota cresce.
Os primeiros caminhões totalmente elétricos foram adquiridos da Sany, fabricante chinesa especializada em maquinário pesado. Cada veículo é equipado com uma bateria LFP de 350 kWh, capaz de ser recarregada completamente em 60 a 80 minutos e operar por até cinco horas com uma carga. Já os modelos híbridos utilizam motor a diesel combinado a uma bateria de 600 volts, oferecendo flexibilidade e maior capacidade de carga — até 90 toneladas, dependendo da configuração.
A experiência de Paragominas mostra que a descarbonização da mineração não é apenas uma meta ambiental, mas também uma estratégia de competitividade. Ao investir em eletrificação e energia limpa, a Hydro reduz custos operacionais, melhora sua imagem corporativa e antecipa exigências regulatórias e de mercado.
Mais do que um avanço técnico, trata-se de um símbolo: no coração da Amazônia, uma gigante do alumínio aposta em tecnologia limpa para reinventar a mineração. É um movimento que reforça a mensagem de que a sustentabilidade não é um custo, mas um investimento inteligente no futuro.
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