Modelo de produção sustentável ganha força no Pará com apoio a empreendedores da floresta e investimentos em inovação. Estado mira 4,5% do PIB com a bioeconomia até 2030.
A bioeconomia — modelo de produção baseado no uso sustentável da biodiversidade — está no centro da estratégia do Brasil para transição a uma economia de baixo carbono. Na Amazônia, o tema ganha impulso com projetos que aliam conservação florestal, geração de renda e inovação tecnológica.
Segundo o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável (WBCSD), o potencial global da bioeconomia pode atingir US$ 7,7 trilhões até 2030. No Brasil, o estado do Pará é uma das vitrines dessa transformação.
Sede da próxima COP30, que ocorrerá em novembro de 2025 em Belém, o Pará quer mostrar ao mundo como é possível manter a floresta em pé e gerar desenvolvimento. Um estudo realizado em 2021 estimou que a bioeconomia da sociobiodiversidade pode agregar até R$ 170 bilhões à economia paraense até 2040.
Para apoiar essa visão, o estado lançou o PlanBio Pará, plano estratégico de valorização do patrimônio genético e fortalecimento de cadeias produtivas com base em ciência e inovação. A proposta é ambiciosa: tornar a bioeconomia responsável por 4,5% do PIB estadual até 2030.
Entre as obras preparatórias para a COP30 está o Centro de Inovação e Bioeconomia de Belém (CIBB), que será instalado em um casarão histórico revitalizado com investimento de R$ 20 milhões, em parceria entre governos federal, municipal e Itaipu Binacional.
O espaço abrigará 20 novas iniciativas de negócios sustentáveis, servindo de incubadora e vitrine para empreendimentos locais, como o da empresária Izete Costa, a dona Nena, produtora de chocolates artesanais a partir do cacau nativo da Ilha do Combu.
Filha de agricultores, dona Nena cresceu no Rio Guamá, transportando cacau em canoas até Belém. Com a queda da produção e os efeitos da mudança climática, decidiu agregar valor ao que cultivava e passou a produzir chocolate de forma artesanal. Hoje, sua pequena fábrica sustenta 16 famílias da comunidade.
Além do manejo sustentável da floresta, o projeto também promove infraestrutura, acesso à água e turismo na ilha. “As pessoas precisam de floresta em pé, mas também de água tratada, saúde, educação, para permanecer aqui e não ceder ao desmatamento”, afirma a empresária.
Para impulsionar esse ecossistema, o governo do Pará iniciou a construção do Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, às margens da Baía do Guajará. O projeto, parte do programa Porto Futuro 2, recebe R$ 300 milhões em investimentos para restaurar antigos armazéns portuários.
O local sediará o Observatório da Bioeconomia, o Centro de Cultura Alimentar, o Centro de Sociobioeconomia e o Centro de Turismo de Base Local, integrando ciência, empreendedorismo e tradição.
Segundo Camille Bemerguy, secretária adjunta de Bioeconomia do Pará, o estado saltou de cerca de 70 para 300 startups na área nos últimos anos. Com o parque e novas políticas públicas, a meta é chegar a 500.
“O PlanBio é uma política de Estado, não de governo. Ele oferece segurança jurídica para quem quer investir. Estamos destravando a infraestrutura e dando visibilidade a quem sempre esteve aqui, contribuindo para o desenvolvimento”, explica Camille.
Operação Tamoiotatá 2025 expõe o avanço da fiscalização ambiental no sul do Amazonas O balanço…
Integração lavoura-pecuária redesenha a pecuária de baixo carbono no Cerrado Em um momento em que…
Hospital do Baixo Amazonas encerra 2025 como referência nacional em sustentabilidade Ao completar 19 anos…
Defesa Civil de SP alerta para chuvas intensas e riscos nos primeiros dias de 2026…
O campo que resiste dentro da cidade Localizado na Estrada da Ceasa, no bairro Curió-Utinga,…
This website uses cookies.