Nos últimos anos, as discussões sobre sustentabilidade e preservação ambiental têm se intensificado, gerando soluções financeiras inovadoras que aliam preservação dos recursos naturais e desenvolvimento econômico. Duas dessas iniciativas, o Crédito de Produtor Rural Verde (CPR Verde) e o REDD+ (Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal), destacam-se como importantes ferramentas no cenário nacional e internacional. Ambos buscam financiar ações de conservação ambiental e mitigação de mudanças climáticas, mas diferem em suas origens, focos e modos de atuação.
O CPR Verde foi lançado no Brasil em 2021, no contexto de uma crescente demanda por sustentabilidade no setor agropecuário. Trata-se de um título financeiro emitido por produtores rurais que se comprometem a adotar práticas ambientais sustentáveis, como a recuperação de áreas degradadas, reflorestamento, manejo florestal sustentável, entre outros. Este título pode ser negociado no mercado financeiro, permitindo que o produtor capte recursos que serão revertidos para ações de preservação e sustentabilidade em suas propriedades.
Um exemplo claro é um produtor de soja que, ao emitir um CPR Verde, se compromete a reflorestar áreas marginais ao cultivo e preservar matas ciliares em sua fazenda. Esse compromisso ambiental é então transformado em um ativo financeiro, que pode ser comprado por investidores interessados em apoiar práticas sustentáveis. Em contrapartida, o produtor recebe os recursos necessários para financiar suas atividades de preservação.
Já o REDD+ é uma iniciativa global, promovida no âmbito da ONU e de acordos climáticos internacionais, como o Acordo de Paris. Seu principal objetivo é reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) causadas pelo desmatamento e pela degradação das florestas. Governos, comunidades e organizações que conseguem diminuir ou evitar o desmatamento podem receber incentivos financeiros por meio de créditos de carbono, que são negociados no mercado internacional.
Um exemplo típico ocorre em países como o Brasil ou a Indonésia, que possuem vastas áreas de floresta tropical. Se um estado brasileiro consegue, por meio de políticas de preservação, evitar a destruição de grandes áreas da Amazônia, ele pode gerar créditos de carbono. Esses créditos, que representam uma quantidade de emissões de CO₂ que deixou de ser liberada na atmosfera, podem ser vendidos para empresas ou países que precisam compensar suas emissões.
Embora ambos, CPR Verde e REDD+, estejam alinhados com a promoção de práticas ambientais positivas, as diferenças entre eles são significativas.
CPR Verde: O foco está no produtor rural individual ou grupos de produtores que adotam práticas sustentáveis no manejo de suas terras. Seu objetivo principal é promover a sustentabilidade na agropecuária brasileira.
REDD+: Abrange uma escala maior, envolvendo estados, países e até comunidades inteiras que trabalham na preservação de grandes áreas florestais. O REDD+ busca especificamente reduzir as emissões de carbono por meio da conservação e restauração florestal.
CPR Verde: É um título de dívida emitido por produtores rurais que se comprometem a realizar ações sustentáveis. O financiamento é direto, com os investidores comprando o CPR Verde, gerando recursos para o produtor.
REDD+: Baseia-se na venda de créditos de carbono gerados pela redução de emissões de CO₂ por meio da preservação florestal. Esses créditos são negociados principalmente no mercado internacional de carbono, envolvendo empresas e países que buscam compensar suas emissões.
CPR Verde: Imagine um pecuarista que decide adotar sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) para reduzir o impacto ambiental de sua atividade. Ele pode emitir um CPR Verde atrelado ao seu compromisso de reflorestar parte de suas terras e melhorar a gestão dos recursos hídricos. Com a venda do título, ele capta recursos para investir na melhoria de sua propriedade e cumprir suas obrigações ambientais.
REDD+: Um governo estadual, ao reduzir as taxas de desmatamento em uma região da Amazônia por meio de ações de fiscalização e programas de incentivo à preservação, pode gerar créditos de carbono. Esses créditos são vendidos para empresas internacionais que precisam cumprir metas de redução de emissões. O valor arrecadado pode ser reinvestido em mais projetos de conservação florestal.
Tanto o CPR Verde quanto o REDD+ oferecem soluções concretas para o financiamento de práticas ambientais sustentáveis. O CPR Verde é um mecanismo inovador que fomenta a adoção de práticas agrícolas e pecuárias mais amigáveis ao meio ambiente, enquanto o REDD+ tem o poder de mobilizar grandes recursos internacionais para a preservação das florestas tropicais, que são essenciais para o combate às mudanças climáticas.
Saiba mais:
Em última análise, a escolha entre um e outro depende do contexto e do tipo de ação ambiental que se deseja promover. Enquanto o CPR Verde é ideal para produtores rurais que buscam adotar práticas sustentáveis em suas propriedades, o REDD+ se destaca em iniciativas de larga escala voltadas à proteção de ecossistemas florestais. Ambos, no entanto, caminham na mesma direção: um futuro mais verde e sustentável para as próximas gerações.
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