Gambá apareceu no quintal Veja por que afastá-lo com barulho pode ser um erro grave
Você está varrendo o quintal quando, de repente, algo se move perto de você. O susto é inevitável: um gambá, com seu rabo ereto e andar cauteloso, vasculha seu espaço. O instinto de muitos é espantar o bicho com gritos, batidas ou até objetos. Mas esse tipo de reação, embora compreensível, pode transformar uma visita inofensiva em uma situação bem mais delicada. E talvez o maior erro seja justamente o barulho.
Os gambás são animais silvestres onívoros que se adaptaram com relativa facilidade à presença humana. Eles buscam alimento fácil, abrigo e segurança — e quintais oferecem tudo isso. Lixo mal vedado, restos de comida de pets, composteiras abertas ou galinheiros desprotegidos são convites irresistíveis.
Mesmo morando em áreas urbanas densas, é comum que gambás vivam escondidos em terrenos baldios, matagais próximos ou até no forro de casas abandonadas. São silenciosos, noturnos e preferem fugir do confronto. A maioria das pessoas só os percebe quando a presença deles se torna visível demais.
Bater panelas, ligar o rádio alto ou gritar são táticas comuns usadas por quem tenta afastar gambás — mas isso pode ser um erro grave. Esses sons podem ser interpretados como ameaças intensas, levando o animal a reagir de forma imprevisível. E não, o maior problema não é o “spray fedorento” do gambá, como se pensa no senso comum.
Apesar da fama, o odor característico só é liberado em casos extremos, como último recurso de defesa. Antes disso, o gambá pode travar, emitir sons guturais, e até simular estar morto — uma estratégia natural para evitar predadores. Interromper esse processo com barulho intenso pode gerar estresse profundo, risco de ataque ou até acidentes com o animal tentando fugir.
Muita gente associa a presença de gambás a doenças como raiva ou leptospirose. Embora possíveis, essas transmissões são raras. O gambá é um dos poucos animais naturalmente resistentes ao vírus da raiva. Além disso, ele é um aliado involuntário do controle de pragas: alimenta-se de insetos, caramujos, roedores e até cobras.
Ou seja: embora não seja o visitante mais desejado, o gambá pode ser mais benéfico do que perigoso. O problema real está em manipular ou tentar capturá-lo por conta própria — isso sim pode gerar riscos tanto para o humano quanto para o animal.
A melhor abordagem é não confrontar. Se possível, mantenha distância e observe. Se o animal estiver apenas de passagem, ele logo irá embora. Caso note que está retornando com frequência, tome algumas medidas:
Recolha restos de comida e lacre bem o lixo;
Mantenha ralos e vãos fechados à noite;
Não deixe ração de pets ao relento;
Ilumine bem os cantos escuros do quintal;
Se o gambá estiver abrigado no local, chame um centro de controle de zoonoses ou órgão ambiental da sua cidade.
Evite manobras caseiras para capturá-lo. Além de proibido por lei (trata-se de um animal silvestre protegido), é perigoso e estressante para o bicho. Profissionais treinados podem fazer a remoção sem causar traumas.
A presença constante de gambás em áreas urbanas é, em si, um alerta. Significa que a fauna nativa está sendo empurrada para espaços humanos por conta do desmatamento, queimadas e expansão urbana descontrolada. Ou seja, ver um gambá não é necessariamente um problema do seu quintal — é reflexo de um problema muito maior.
Respeitar a presença desses animais, buscar informação e agir com responsabilidade é parte do cuidado com o ambiente em que vivemos. O convívio pode ser raro, mas quando acontece, nossa reação faz toda a diferença.
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