COP 30

Lula garante que produtores da Amazônia não serão prejudicados por tarifa dos EUA e reforça agenda da COP30

Em entrevista concedida à Rede Amazônica e exibida na manhã desta terça-feira, 9 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que nenhum produtor da Região Norte será afetado pela tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A medida, anunciada recentemente por Washington, acendeu alertas no setor exportador, mas Lula buscou acalmar o mercado e sinalizar proteção aos pequenos empreendedores da Amazônia.

“Nem o pequeno produtor de açaí, nem o de mel ou de castanha será prejudicado. O governo não vai permitir que pequenos e médios produtores sofram com isso. Já criamos um fundo para financiar quem eventualmente tiver algum problema”, disse o presidente, reforçando o discurso de que a região não será sacrificada por disputas comerciais internacionais.

A fala ocorre em um momento em que a Amazônia ganha ainda mais visibilidade internacional, às vésperas da COP30 em Belém, quando a floresta e os povos da região estarão no centro do debate climático global. Ao destacar os produtos amazônicos, Lula associou diretamente política econômica e agenda ambiental, tentando construir a imagem do governo como defensor tanto da floresta quanto de sua população.

A entrevista também trouxe outros recados. Lula voltou a falar sobre o avanço do crime organizado no Brasil, destacando que a atuação do narcotráfico já alcança setores de elite, como o mercado financeiro da Faria Lima, fintechs e empresas de apostas online. “O crime organizado hoje está em tudo quanto é lugar. Fizemos a maior operação da história contra o narcotráfico e fomos chegar onde? Na Faria Lima”, afirmou.

Questionado sobre críticas de delegações internacionais à rede hoteleira de Belém, que estaria aquém das expectativas para a COP30, Lula rebateu dizendo que o governo está investindo em habitação e que a cúpula terá como objetivo central mostrar a Amazônia ao mundo. A fala indica uma tentativa de reposicionar a conferência, priorizando o simbolismo da floresta como cenário político, mesmo diante de carências de infraestrutura urbana.

Reprodução – Agência Pará

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Nesta terça, Lula cumpre agenda em Manaus, onde inaugura o Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, voltado à integração entre forças de segurança da região. À tarde, acompanha o lançamento de um cabo de fibra óptica em uma balsa no Rio Negro, parte do programa Norte Conectado, que promete expandir a inclusão digital.

O presidente também anunciou que pretende visitar, nas próximas semanas, o território Yanomami, em Roraima, para acompanhar a situação da população indígena, que, segundo ele, precisa “viver com dignidade” e receber respeito efetivo do Estado brasileiro.

A entrevista evidencia uma narrativa que mistura defesa econômica, combate ao crime e fortalecimento da imagem internacional da Amazônia. No pano de fundo, está a tentativa de Lula de transformar a COP30 em palco de afirmação política: uma vitrine onde a floresta amazônica, ao mesmo tempo patrimônio ambiental e território de conflitos sociais, poderá ser apresentada ao mundo como símbolo de soberania, desafio e oportunidade.

 

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