Pesquisas do IPCC e do INPE indicam que, no cenário mais pessimista (RCP8.5), a temperatura média anual na Amazônia pode subir até 7ºC até o fim do século. Mesmo em cenários intermediários, o aumento ultrapassaria 3ºC, alterando drasticamente os ciclos hidrológicos, aumentando a frequência de secas extremas e afetando diretamente a biodiversidade e os povos da floresta.
A Amazônia abriga mais de 10% das espécies conhecidas no planeta. O aumento da temperatura e a redução das chuvas podem provocar a extinção de 30 a 50% das espécies endêmicas. Mamíferos, aves e anfíbios são os mais vulneráveis. Espécies que dependem de microclimas úmidos estão especialmente ameaçadas.
Modelos ecológicos apontam que a substituição da floresta por savanas reduziria a diversidade vegetal em até 40%. Esse processo, conhecido como savanização, ameaça colapsar cadeias alimentares e comprometer serviços ecossistêmicos como a regulação do clima global.
Nas últimas décadas, a ocupação humana na Amazônia avançou por meio de estradas, garimpos ilegais e expansão agropecuária. Cidades como Altamira (PA) e Porto Velho (RO) triplicaram de tamanho em 30 anos. O arco do desmatamento avança em direção ao norte, pressionando áreas antes intactas.
Dados do MapBiomas revelam que o desmatamento acumulado já ultrapassa os 800 mil km², e a cada minuto uma área equivalente a três campos de futebol é desmatada. Esse uso do solo emite grandes volumes de CO₂, agravando as mudanças climáticas.
Para reverter os cenários críticos, especialistas propõem:
O Acordo de Paris, o Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm) e a criação do Fundo Amazônia são exemplos de medidas estratégicas em curso.
Se as emissões globais continuarem elevadas, a Amazônia poderá perder sua função de sumidouro de carbono e passar a emitir mais gases do que absorve. Esse efeito de retroalimentação agravaria ainda mais o aquecimento global.
Por outro lado, se houver esforço coletivo internacional, com metas climáticas ambiciosas e conservação eficaz, é possível estabilizar o clima e recuperar áreas degradadas. Modelos climáticos mostram que, com mitigação intensa, a floresta pode se manter resiliente até o final do século.
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