A manhã desta quarta-feira trouxe mais do que uma nova identidade visual para o Banco da Amazônia, trouxe o início de uma virada estratégica.
Em um anúncio marcado por entusiasmo e simbolismo, a instituição revelou seu novo posicionamento de marca, uma maquininha própria de pagamento e uma série de novidades que mostram: o banco está pronto para disputar espaço como player competitivo no sistema financeiro nacional, sem abrir mão de sua essência regional.
Durante décadas, o Banco da Amazônia carregou a missão de fomentar o desenvolvimento da região amazônica com foco em sustentabilidade e inclusão. Agora, ele amplia essa missão com ferramentas mais modernas e acessíveis, alinhadas à nova realidade digital da população brasileira, especialmente a que vive nos nove estados da Amazônia Legal.
O rebranding, construído com a participação de mais de 1.600 colaboradores e clientes em um processo que envolveu grupos focais, estudos e entrevistas, vai além da estética. A mudança visual carrega consigo uma proposta de transformação real, com produtos que dialogam com os desafios de uma economia em mutação e com as demandas de quem vive, empreende e sonha em meio à floresta.
O lançamento da nova marca veio acompanhado de um movimento ousado: a entrada oficial do banco no setor de adquirência. A partir de agosto, micro e pequenos empreendedores da Amazônia (e de outras regiões também) poderão contar com a maquininha do Banco da Amazônia. O equipamento, que opera com sistema Android e visor touchscreen, aceita transações por Pix, cartões de crédito e débito, com liquidação em até um dia útil, dependendo do plano escolhido. E os planos, segundo a instituição, serão acessíveis com isenção de aluguel nos dois primeiros meses.
Para quem depende do comércio informal, de vendas de rua ou mesmo de pequenos pontos fixos, essa é uma notícia que pode mudar a rotina. A proposta é clara: digitalizar a economia local sem excluir ninguém. A inclusão digital, nesse caso, vem acompanhada de uma ferramenta financeira tangível, palpável, com suporte regional e adaptada à realidade de quem nem sempre encontra portas abertas nos grandes bancos.
Mas a aposta na digitalização não para por aí. Ainda para este semestre, o banco promete o lançamento de um novo aplicativo e de um site renovado, mais intuitivo e integrado. Também está prevista a modernização das agências físicas, uma medida que busca garantir que a experiência digital e presencial estejam em sintonia.
Outra novidade anunciada é o lançamento de novos cartões de crédito, com destaque para o Cartão Pólen, uma homenagem direta à COP30, conferência sobre o clima que acontecerá em Belém em 2025. A escolha do nome e do momento não é acidental: o banco quer reforçar sua vocação para financiar projetos que combinam impacto ambiental positivo com retorno econômico.
Desde 2024, o Banco da Amazônia já vinha se reposicionando de forma silenciosa. A operação de consórcios, por exemplo, entrou no ar e rapidamente ganhou fôlego. A nova marca vem para dar visibilidade a esse processo. Ela não significa ruptura, mas sim ampliação: o banco quer ser moderno sem deixar de ser amazônida; quer alcançar mais clientes sem perder a profundidade das relações locais.
Os números mostram que a instituição chega a esse momento fortalecida. No primeiro trimestre de 2025, o banco registrou lucro líquido de R$ 307,5 milhões. Em volume de crédito, foram R$ 4,3 bilhões contratados, grande parte desse montante direcionado a pequenos produtores rurais, microempreendedores individuais (MEIs) e iniciativas sustentáveis. O crescimento de 79% nas operações com MEIs, por exemplo, é uma evidência de que a estratégia de capilaridade e inclusão está funcionando.
Luiz Lessa, presidente do banco, resume essa nova fase com uma frase que carrega ambição e humildade na medida certa: “Mais que a mudança de símbolo, a nova marca é o símbolo de uma mudança”. Ele quer o banco mais competitivo, mais digital, mas sem abrir mão da missão original. “Queremos disputar a principalidade dos clientes neste segmento”, completa.
E quando se fala em disputar a principalidade, o recado é claro: o Banco da Amazônia não quer ser o banco alternativo, o segundo cartão na carteira ou o financiamento eventual. Ele quer ser o banco do dia a dia, da folha de pagamento, da maquininha de passar o cartão e do app instalado no celular.
O slogan da nova marca “Sonhar. Mover. Impactar.” – sintetiza bem essa intenção. É uma chamada para a ação, mas também uma homenagem ao papel que o banco historicamente desempenha como ponte entre projetos e realidade. Desde grandes obras de infraestrutura até pequenos empréstimos para pesca artesanal, sua presença molda histórias na região.
Ao modernizar-se, o banco precisa lidar com o desafio de manter esse vínculo emocional e simbólico com a Amazônia profunda. O novo design da marca, mais leve, mais digital, tenta conciliar esses dois mundos. O tradicional verde ganha novas interpretações, mais vivas. As formas evocam movimento, sem abandonar a solidez. É um convite ao futuro, mas com raízes fincadas no território.
Nos bastidores, a reformulação também exigiu mudanças operacionais. Investimentos em tecnologia, segurança digital, ampliação de canais remotos e treinamento de equipes fazem parte do pacote. A cultura organizacional está sendo ajustada para que o discurso de inovação não seja apenas marketing, mas prática cotidiana.
O ambiente para essa transição é, no mínimo, desafiador. O setor bancário vive uma fase de intensa competição com fintechs e bancos digitais que conquistaram espaço com tarifas mais baixas e serviços rápidos. Ao mesmo tempo, o contexto social da Amazônia impõe barreiras estruturais à inclusão financeira, conectividade precária, distância física dos centros urbanos, baixa educação digital em algumas comunidades.
Por isso, a nova fase do Banco da Amazônia exige mais do que estratégia. Exige sensibilidade. É preciso levar tecnologia onde ainda falta infraestrutura. É necessário formar, explicar, aproximar. Não basta oferecer uma maquininha com bom custo-benefício. É preciso garantir que o cliente saiba usá-la, confie nela, veja nela uma aliada.
Esse é talvez o ponto mais interessante da reestruturação em curso. O banco não está apenas tentando entrar na lógica digital que move o mundo. Está tentando fazer isso a partir das necessidades locais. Em vez de importar soluções, quer criar as próprias. Em vez de padronizar, quer personalizar.
Ao lançar uma maquininha, um app novo, cartões alinhados a agendas globais e modernizar suas agências, o Banco da Amazônia não está apenas atualizando seus serviços. Está reafirmando uma escolha: a de ser um banco da região, mas não apenas para a região. Ser digital, mas não genérico. Ser comercial, sem perder a alma pública.
Essa virada, que ainda está só começando, pode reposicionar o banco como um dos atores mais relevantes na construção de um modelo de desenvolvimento que concilie economia, sustentabilidade e justiça social.
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