COP 30

Sedap destaca Indicações Geográficas e agricultura de baixo carbono na COP30

A Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap) levará à COP30 uma pauta que combina tradição e inovação: as Indicações Geográficas (IGs) como instrumentos de valorização cultural e as políticas públicas voltadas à agricultura de baixo carbono e à bioeconomia amazônica. Com uma programação distribuída entre a Green Zone e o Museu Paraense Emílio Goeldi, a Sedap busca mostrar como o campo amazônico pode ser protagonista da transição ecológica global, conectando o saber tradicional à ciência e à inovação.

A participação da Sedap começa em 11 de novembro, no evento “Amazônia Sempre Station at COP30 in Belém”, no Museu Goeldi, e segue com painéis temáticos entre os dias 19 e 20, no Parque da Cidade, onde estará instalada a Green Zone. Um dos destaques será o painel “Indicações Geográficas: Proteção de Saberes Tradicionais e Desenvolvimento Sustentável”, marcado para o dia 19, das 15h45 às 17h.

No dia seguinte, a Secretaria participa de duas mesas estratégicas. A primeira, “Agricultura – Descarbonização e Agricultura de Baixo Carbono na Amazônia Legal”, abordará a transição produtiva baseada em sistemas de menor impacto ambiental, em parceria com representantes do Estado do Amazonas. Logo após, das 18h45 às 19h45, o debate “Agricultura – Cadeias Produtivas e Sustentabilidade: Políticas Públicas para a Bioeconomia Amazônica” reunirá representantes do Pará e do Amapá, com foco em estratégias regionais de integração e fortalecimento das cadeias produtivas sustentáveis.

Entre os casos emblemáticos que serão apresentados está a Indicação Geográfica das amêndoas de cacau de Tomé-Açu, no nordeste paraense – a primeira reconhecida no Estado pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O produto, cultivado em sistema agroflorestal (SAFTA), representa uma combinação de saberes tradicionais e práticas inovadoras trazidas pela imigração japonesa, que transformaram a paisagem agrícola da região.

Outro exemplo destacado é a farinha de Bragança, produzida a partir da mandioca e símbolo da herança cultural e alimentar do Pará. Ambas as IGs demonstram como o reconhecimento de origem pode ser uma poderosa ferramenta de conservação ambiental, inclusão social e valorização econômica, reforçando a conexão entre natureza e identidade.

Divulgação – Agência Pará

SAIBA MAIS: AgriZone da Embrapa levará à COP30 vitrine de inovação e agricultura de baixo carbono

A engenheira agrônoma Márcia Tagore, coordenadora do Programa Estadual de Incentivos às Indicações Geográficas e Marcas Coletivas da Sedap, destaca que o fortalecimento das IGs é também um caminho para enfrentar a crise climática. “Por se tratar dessa questão de cuidar da natureza, não temos como desvincular da temática climática. As Indicações Geográficas expressam uma relação direta com as riquezas naturais, culturais e humanas que definem a Amazônia”, afirma.

Durante os painéis, serão compartilhadas experiências brasileiras e internacionais que comprovam o papel das certificações de origem na mitigação das mudanças climáticas. Segundo a Sedap, as IGs estimulam cadeias produtivas de baixo impacto ambiental, promovem justiça social e ajudam a manter vivas práticas agrícolas que conciliam conservação e renda.

A participação da Secretaria na COP30 reforça o compromisso do Governo do Pará com a bioeconomia, a agricultura sustentável e a valorização dos territórios produtivos amazônicos. Além de mostrar resultados, a Sedap pretende abrir novos canais de cooperação e fortalecer a governança local em torno das políticas de certificação e sustentabilidade rural.

Em um momento em que o mundo volta os olhos para a Amazônia como peça-chave na resposta global à crise climática, o Pará apresenta-se não apenas como cenário, mas como laboratório vivo de soluções sustentáveis. As Indicações Geográficas, ao valorizar o que é autêntico e local, mostram que o futuro da economia verde passa pelo reconhecimento dos povos, dos produtos e dos ecossistemas que sustentam a floresta em pé.

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