Fonte: AB Portais Serviços em Tecnologia
Seguindo o mesmo caminho da indústria automobilística, o setor aeronáutico se prepara para uma revolução com a chegada das aeronaves elétricas e híbridas. Uma das protagonistas desse avanço no Brasil é a Ocellott, startup sediada no Parque Tecnológico de São José dos Campos, no interior de São Paulo.
A empresa vem desenvolvendo tecnologias de ponta, como baterias de alta performance e sistemas de distribuição elétrica, com apoio do programa PIPE da FAPESP. Com os projetos, a empresa está criando caixas eletrônicas, conversores de potência e controladores capazes de operar em alta tensão, um passo crucial para a eletrificação da aviação.
A Ocellott foi uma das dez empresas selecionadas para representar a inovação brasileira em dois grandes eventos na França: a FAPESP Week, entre 10 e 12 de junho em Toulouse, e a VivaTech 2025, de 11 a 14 de junho em Paris. Este último é um dos maiores encontros mundiais de tecnologia e startups.
“Estar na VivaTech nos coloca diante de potenciais clientes, como fabricantes de aeronaves, que são os usuários diretos das soluções que estamos desenvolvendo”, afirma Rodrigo Junqueira, diretor de negócios da empresa.
A startup já possui tecnologias embarcadas em aeronaves em operação. Um exemplo são os dispositivos protetores contra surtos elétricos, como descargas atmosféricas, presentes em jatos executivos da família Praetor e no cargueiro KC-390, ambos da Embraer.
Além disso, a empresa está desenvolvendo baterias de emergência para permitir que pilotos realizem manobras seguras em caso de falhas elétricas, com previsão de uso em modelos da Embraer e em aviões da Cessna e Gulfstream.
A Ocellott também está trabalhando em baterias capazes de alimentar os motores de aeronaves elétricas e híbridas, incluindo os eVTOLs, veículos de decolagem e aterrissagem vertical, popularmente chamados de “carros voadores”. Esses modelos devem começar a operar nos próximos dois a três anos.
Contudo, para alcançar essa meta, será necessário superar desafios técnicos importantes. “As baterias precisam ser mais leves, seguras e com maior autonomia que as de carros. Afinal, no céu não existe acostamento”, brinca Junqueira. O uso de sistemas de alta tensão também é crucial, já que os sistemas atuais da aviação convencional ainda operam em baixa tensão.
Outro ponto importante no desenvolvimento das novas baterias é o impacto ambiental. A empresa estuda formas de reaproveitar as baterias após o fim de sua vida útil aeronáutica. Uma proposta é reutilizá-las em redes de energia urbana, oferecendo uma solução sustentável e econômica.
“Uma bateria que já não serve para voar, mas ainda possui até 80% de capacidade, pode ser usada em sistemas estacionários, como abastecimento de cidades”, explica Junqueira.
Atualmente, a aviação é responsável por até 4% das emissões globais de gases de efeito estufa. A expectativa é que as aeronaves elétricas e híbridas possam cortar esse número pela metade nas próximas décadas.
Apesar do otimismo, Junqueira ressalta que a transição para a aviação elétrica será gradual. “A substituição dos sistemas convencionais levará tempo. Mas em 30 ou 40 anos, os impactos da eletrificação na aviação serão visíveis e significativos”, projeta.
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