Emater impulsiona produção de açaí em comunidade ribeirinha de Almeirim


Sementes que transformam a paisagem e a renda no rio Paru

Às margens do rio Paru, no município de Almeirim, no Baixo Amazonas paraense, a Vila de Barreiras vive um momento que combina expectativa, organização comunitária e perspectiva concreta de aumento de renda. Trinta famílias ribeirinhas deram início, neste começo de ano, a uma nova etapa de fortalecimento da produção de açaí a partir da doação de sementes da variedade conhecida como “chumbinho”, reconhecida pelo bom rendimento e adaptação às condições da região.

Railson Wallace

A ação foi conduzida pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), que repassou às famílias sementes suficientes para a formação de cerca de quatro mil mudas. Cultivadas inicialmente em viveiro comunitário, essas mudas deverão ampliar e qualificar as áreas de plantio existentes, consolidando o açaí como base produtiva e econômica da comunidade.

Mais do que a simples entrega de insumos, a iniciativa marca um esforço de organização coletiva, no qual produção, conhecimento técnico e planejamento caminham juntos para reduzir perdas, melhorar a produtividade e garantir sustentabilidade ao cultivo.

Projeto Semear articula governo, igreja e poder local

As sementes distribuídas pela Emater foram obtidas junto ao Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), dentro do escopo do Projeto Semear. A iniciativa foi idealizada pelo pastor evangélico André Evangelista, da igreja Assembleia de Deus, e conta com o apoio do vereador Elias Lobato, além da colaboração direta de órgãos estaduais e municipais.

O projeto nasce com uma proposta clara: unir esforços do Governo do Pará, da Câmara Municipal, da Prefeitura e da sociedade civil para fortalecer cadeias produtivas estratégicas da região. Embora o açaí seja o eixo central, o Semear também incentiva o cultivo de outras culturas com potencial econômico e alimentar, como acerola, cacau e muruci.

Segundo Elias Lobato, a presença da Emater foi decisiva para dar solidez técnica à proposta. A atuação da empresa pública garante que o entusiasmo da comunidade seja acompanhado de orientação especializada, desde o preparo do solo até o manejo das mudas em campo definitivo. Essa combinação, segundo ele, reduz riscos e amplia as chances de sucesso da produção familiar.

Divulgação - Agência Pará
Divulgação – Agência Pará

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Assistência técnica como eixo de segurança produtiva

A parceria com a Emater vai além da doação inicial de sementes. Técnicos da instituição acompanham diretamente o cultivo do açaí em áreas de terra firme e o manejo de áreas com disponibilidade nativa, adaptando as recomendações às condições específicas da região do rio Paru.

Uma das etapas centrais desse acompanhamento é o estudo do solo. Em visita técnica programada para esta semana, uma comitiva multi-institucional fará a coleta de amostras que serão encaminhadas para análise em laboratório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O custo do procedimento será assumido pela igreja Assembleia de Deus, reforçando o caráter colaborativo do projeto.

O diagnóstico do solo permitirá orientar com precisão quais culturas se desenvolvem melhor em cada área, quais correções são necessárias e como alcançar maior produtividade com menor impacto ambiental. A expectativa é que os resultados sejam divulgados em até 15 dias, oferecendo às famílias um mapa claro de suas possibilidades produtivas.

Durante a mesma visita, a Emater realizará palestras sobre crédito rural e distribuirá mais 500 mudas de açaí e muruci, ampliando o alcance da ação.

Crédito rural e políticas públicas como próximos passos

O fortalecimento da produção também passa pelo acesso a financiamento. Para 2026, estão em articulação linhas de crédito rural do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), nas modalidades Floresta e Mais Alimentos. A proposta prevê contratos individuais que podem variar entre R$ 40 mil e R$ 100 mil, viabilizados junto ao Banco da Amazônia (Basa), ao Banco do Brasil (BB) e ao Banco do Estado do Pará (Banpará).

O chefe do escritório local da Emater em Almeirim, o técnico em agropecuária Elinaldo Silva, destaca que a atuação integrada da empresa com a Secretaria Executiva de Desenvolvimento Econômico (Sedec) e a Prefeitura é essencial para que os agricultores familiares acessem políticas públicas de forma efetiva.

Segundo ele, a Emater já atuava na Vila de Barreiras, mas o Projeto Semear trouxe maior organização e intensidade ao atendimento. A meta agora é ampliar o acompanhamento técnico, fortalecer a autonomia produtiva das famílias e consolidar a agricultura familiar como eixo de desenvolvimento local, com geração de renda, segurança alimentar e valorização do território.