Baixa emissão de carbono na agropecuária do Amazonas é tema de seminários que buscam capacitar produtores e técnicos em seis municípios estratégicos.

Fotos: Isaac Maia / Sepror

O despertar da agropecuária verde no Amazonas

O coração da floresta amazônica está se tornando o palco de uma transição tecnológica e ambiental sem precedentes no setor primário. Por meio da Sepror, o governo do estado deu início a um ciclo de seminários itinerantes para apresentar o Plano Estadual de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, o ABC+. O movimento, que começou por Manicoré, busca converter o conhecimento técnico em prática cotidiana para quem vive da terra. Não se trata apenas de um protocolo de intenções climáticas, mas de uma agenda estratégica que visa alinhar a produção de alimentos com a capacidade de regeneração do bioma.

A iniciativa é um desdobramento direto das políticas do Ministério da Agricultura e Pecuária, redesenhando a forma como produtores e técnicos de extensão rural enxergam a rentabilidade. Ao promover o debate em municípios estratégicos, o estado tenta desmistificar a ideia de que a preservação ambiental é um entrave ao crescimento econômico. Pelo contrário, a baixa emissão de carbono surge como um passaporte para novos mercados e linhas de crédito, colocando o produtor amazonense na vanguarda da sustentabilidade global.

Governança climática e a digitalização do campo

Um dos pilares centrais desse novo modelo é a integração de dados por meio do SigABC+, o sistema oficial de governança que monitora as ações de sustentabilidade. O seminário em Manicoré, seguido por edições em Coari, Tefé, Alvarães, Carauari e Itamarati, serve como base para a formação de uma rede de informação robusta. O objetivo é que cada agricultor familiar ou gestor público torne-se um nó ativo nesse sistema, alimentando dados que comprovam a redução de impactos ambientais. Esse monitoramento é o que garante a transparência necessária para que o Brasil cumpra suas metas internacionais de adaptação à mudança do clima.

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Fotos: Isaac Maia / Sepror

Além da tecnologia de dados, projetos como o PRS-Amazônia trazem para o debate exemplos práticos de como a tecnologia de baixo carbono pode ser aplicada. A ideia é sensibilizar mais de 500 atores do setor primário sobre técnicas de recuperação de pastagens, plantio direto e sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta. Para o produtor que adere ao plano, o benefício é imediato: acesso a capacitações que otimizam o uso do solo e reduzem a dependência de insumos químicos, gerando uma agricultura mais resiliente e menos custosa.

A força da agricultura familiar na economia verde

O titular da pasta da produção rural, Daniel Borges, reforça que o Plano ABC+ é, essencialmente, uma ferramenta de justiça social e econômica para a agricultura familiar. No Amazonas, onde as distâncias logísticas são monumentais, a autonomia técnica proporcionada pelo plano permite que pequenos produtores aumentem sua produtividade sem expandir a área de desmatamento. O seminário funciona como um portal de entrada para recursos e conhecimentos que antes ficavam restritos aos grandes centros de pesquisa, democratizando o acesso à inovação.

A execução do plano no estado conta com uma rede colaborativa formada por 11 órgãos das esferas estadual e federal, o que garante que as discussões em municípios como Carauari e Itamarati não sejam apenas teóricas. Essa colaboração multissetorial envolve desde agências de defesa agropecuária até instituições de pesquisa, criando um ecossistema de suporte para o agricultor. A meta é que, até o final do ciclo em junho, o Amazonas tenha consolidado um exército de técnicos e produtores capazes de operar sob a lógica da bioeconomia, onde a árvore em pé e o solo saudável são os maiores ativos financeiros.

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Fotos: Isaac Maia / Sepror

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O horizonte sustentável até 2030

A agenda proposta pelo Plano ABC+ não termina nos seminários deste ano; ela projeta um horizonte de transformações até 2030. O esforço concentrado em municípios como Alvarães e Tefé faz parte de uma política setorial contínua para o enfrentamento das mudanças climáticas. Ao educar a base da pirâmide produtiva, o estado do Amazonas se prepara para um futuro onde a pegada de carbono será o principal critério de competitividade. A expectativa é que o êxito dessas rodas de discussão se reflita em uma agropecuária mais robusta, capaz de suportar as variações extremas do clima sem comprometer a segurança alimentar da região.

A participação ativa no sistema SigABC+ permitirá que o Amazonas apresente resultados concretos em fóruns internacionais, atraindo investimentos para o desenvolvimento sustentável. O compromisso assumido pelo Grupo Gestor Estadual (GGE) é o de não deixar nenhum produtor para trás nessa jornada. Com a coordenação da Sepror, o estado reafirma que a agricultura de baixa emissão de carbono é o único caminho viável para manter o Amazonas como protagonista da conservação ambiental e, ao mesmo tempo, um gigante na produção rural sustentável. O campo amazonense, agora mais do que nunca, é um laboratório de soluções para o planeta.

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